Reprodução/ Canvas
Reprodução/ Canvas

A maioria das escolas do país voltam às aulas hoje e uma questão anda um pouco esquecida: as ações de sustentabilidade e educação ambiental/climática. Os dados do Censo Escolar 2024, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam que um terço das 179 mil escolas públicas e privadas no Brasil não desenvolvem nenhuma atividade relacionada ao meio ambiente ou às mudanças climáticas.

O Sudeste apresentou o pior desempenho do país, com 42% das instituições de ensino sem nenhuma ação voltada à educação ambiental em 2024, seguido pela região Norte, com 39%. Na outra ponta, o Paraná lidera os indicadores positivos, com 95% das escolas desenvolvendo iniciativas relacionadas ao tema. Na sequência, aparecem Tocantins (84%), Santa Catarina (82%), Espírito Santo (80%), Rondônia (77%), Pernambuco (77%), Sergipe (75%) e Ceará (75%) com os melhores indicadores.

Os resultados revelam a necessidade de promover maior consciência ambiental nos indivíduos para que possam repensar seus papeis na sociedade e de melhorar o nível de desenvolvimento do ensino sobre educação climática, para além de ações pontuais.

Para o Instituto Unibanco, que atua em parceria com secretarias estaduais de educação, os números evidenciam o desafio de preparar as redes de ensino para lidar com a nova realidade climática — tanto no currículo quanto na infraestrutura.

Não existe transição justa sem educação. É na escola que cada criança e jovem compreende seu papel no mundo e desenvolve capacidade de ação para enfrentar a crise climática”, afirma Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco.

Mudanças Climáticas e Sustentabilidade no PNE

O avanço do tema no novo Plano Nacional de Educação (PNE), que incluiu pela primeira vez um eixo específico sobre mudanças climáticas e sustentabilidade, reforça essa urgência. Para Henriques, a agenda passa por diretrizes claras de adaptação, protocolos de emergência e programas de recomposição da aprendizagem após eventos extremos.

Esse ganho no PNE se traduz na necessidade de estabelecer protocolos de emergência para evitar longas interrupções das atividades escolares, seja por meio do uso de tecnologias para aulas a distância, seja pela rápida adaptação de espaços afetados. Também é fundamental implementar programas de recomposição da aprendizagem no pós-crise, especialmente na educação básica e na fase de alfabetização, para evitar perdas educacionais mais severas.

Dentro desse contexto, as escolas passam a serem reconhecidas como lugares estratégicos para o desenvolvimento de uma cultura climática e ecológica nas novas gerações, o que inclui, por exemplo, infraestrutura adaptada – conforto térmico, eficiência energética e recursos para prevenção de desastres.

Reprodução/ Canvas

Volta às aulas e o impacto da crise climática

O retorno às aulas acontece em meio a uma nova sequência de eventos climáticos extremos no país. Temporais intensos, falta de energia elétrica, passagem de ciclone extratropical, alertas de perigo para ondas de calor, entre outros acontecimentos.

Situações como essas provocam a suspensão de aulas e, consequentemente, prejuízos significativos à aprendizagem, agravando as desigualdades educacionais. Portanto, a adaptação das escolas à nova realidade climática torna-se urgente.

A infraestrutura escolar é um dos principais eixos para o enfrentamento desse desafio. É fundamental ter diretrizes para que as novas reformas e/ou construção de escolas considerem aspectos fundamentais para mitigar os efeitos climáticos e adaptar o espaço escolar, como climatização adequada, ampliação da circulação de ar e de áreas verdes no entorno, que ajudem a drenar água e reduzam as temperaturas locais.

Exemplo prático: escolas adaptadas ao clima extremo

No Rio Grande do Sul, o Instituto Unibanco é um dos articuladores do projeto Escolas Resilientes, desenvolvido com o governo estadual e os escritórios Andrade Morettin e sauermartins. A iniciativa, vencedora do Holcim Awards 2025, propõe um modelo replicável de reconstrução e adaptação de escolas públicas em áreas vulneráveis, combinando soluções arquitetônicas passivas, sistemas industrializados e infraestrutura de emergência. O conceito eleva os ambientes de aprendizagem para pavimentos superiores e mantém o térreo como área de absorção e escoamento, criando edificações capazes de conviver com enchentes e reduzir impactos pedagógicos após eventos extremos.

Essa “moda” bem que podia pegar no Espírito Santo, né?

Felipe Mello

Colunista

Biólogo, mestre em Desenvolvimento Sustentável e especialista em Gestão de Projetos, com 23 anos de experiência em projetos nas diversas vertentes que envolvem o desenvolvimento sustentável. É coautor de um livro sobre Gestão de Projetos Socioambientais e de diversos capítulos de livros e artigos técnico científicos publicados na área da sustentabilidade. Atua ainda como Head de Conteúdo ESG na Rede Vitória.

Biólogo, mestre em Desenvolvimento Sustentável e especialista em Gestão de Projetos, com 23 anos de experiência em projetos nas diversas vertentes que envolvem o desenvolvimento sustentável. É coautor de um livro sobre Gestão de Projetos Socioambientais e de diversos capítulos de livros e artigos técnico científicos publicados na área da sustentabilidade. Atua ainda como Head de Conteúdo ESG na Rede Vitória.