Foto: Polícia Militar/ Divulgação
Foto: Polícia Militar/ Divulgação

Pelo segundo ano consecutivo, as mortes no trânsito superaram os assassinatos no Espírito Santo. Dados do Observatório da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) mostram que 1.004 pessoas morreram em acidentes de trânsito em 2025, enquanto 834 mortes foram registradas por Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que englobam homicídio, feminicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.

O número reforça um alerta já observado em 2024, quando, pela primeira vez, os óbitos em acidentes viários ultrapassaram os causados pela violência criminal no Estado.

Regiões com mais mortes no trânsito

De acordo com o levantamento, os municípios com maior número de mortes no trânsito em 2025 foram:

  • Serra: 85
  • Linhares: 58
  • Cachoeiro de Itapemirim: 54
  • Vila Velha: 45
  • São Mateus: 41
  • Cariacica: 35
  • Colatina: 33
  • Vitória: 33
  • Aracruz: 31

Os acidentes com moto foram os que mais deixaram vítimas no ano passado, com 44,08% das mortes, envolvendo os pilotos e os caronas. Em seguida, acidentes de carro, com 22,77% das vítimas fatais, e pedestres, com 15,12%.

A principal causa das mortes foi a colisão, responsável por 48,51% dos óbitos registrados nas vias capixabas. Além disso, homens são os que mais morrem em acidente de trânsito, correspondendo a 83,65% do total de vítimas fatais, na faixa etária de 25 a 34 anos. A maior parte desses acidentes ocorre em ambiente urbano, sendo 59,15% em rodovias estaduais.

Assassinatos seguem em queda

Enquanto os números do trânsito preocupam, os dados da violência letal indicam uma tendência oposta. Em 2025, o Espírito Santo registrou 834 mortes por CVLI, queda observada nos últimos anos e consolidada como um dos menores índices em 30 anos, desde 1996.

Segundo a Sesp, essa redução é resultado de uma política contínua de segurança pública, baseada em planejamento, integração e investimentos.

Em entrevista, o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, Leonardo Damasceno, destacou que a diminuição dos homicídios não é pontual, mas fruto de uma estratégia de longo prazo.

Essa redução vem acontecendo ano após ano desde 2019. O principal fator é o programa Estado Presente, que organiza as ações do governo com foco na redução da violência letal, combinando atuação policial com investimentos sociais”.

Leonardo Damasceno, secretário de Segurança Pública do Espírito Santo
Tecnologia, dados e integração

Damasceno ressaltou que a política de segurança no Estado vai além do policiamento ostensivo, e que o uso intensivo de dados, tecnologia e governança tem sido decisivo.

Entre as ações destacadas estão:

  • ampliação do reconhecimento facial;
  • implantação do Cerco Inteligente Móvel, com viaturas equipadas com leitura de placas;
  • fortalecimento do Observatório da Segurança Pública, que orienta o policiamento com base em dados;
  • prisões qualificadas de homicidas, traficantes e lideranças de facções.

Somente em 2025, mais de 1.700 suspeitos de homicídio foram presos em território capixaba, número superior ao total de assassinatos registrados no período.

Trânsito vira novo desafio

Apesar dos avanços na área criminal, o secretário classificou como “muito preocupante” o crescimento das mortes no trânsito e reconheceu que o tema se tornou um dos principais desafios atuais do poder público.

É um dado ruim e que precisa ser revertido. O Detran coordena essa política, mas a Segurança Pública apoia com o Batalhão de Trânsito, o Corpo de Bombeiros e operações integradas.”

Leonardo Damasceno, secretário de Estado da Segurança

Fatores como excesso de velocidade, uso de celular, consumo de álcool e o aumento da circulação de motociclistas e serviços de entrega têm contribuído para o crescimento das mortes, segundo dados da Sesp.

Diante desse cenário, o governo criou um novo eixo dentro do programa Estado Presente, agora voltado especificamente para a redução das mortes no trânsito, com atuação integrada entre Estado, municípios e forças de segurança.

“Assim como conseguimos virar a página dos homicídios, o desafio agora é fazer o mesmo com o trânsito”, concluiu Damasceno.

A reportagem do Folha Vitória procurou o Detran para falar sobre os dados, mas até o momento da publicação não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações.

Leiri Santana, repórter do Folha Vitória
Leiri Santana

Repórter

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.