
A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central do Brasil, deixou muitos clientes com dúvidas sobre o que fazer com faturas de cartão de crédito em aberto, especialmente agora que o aplicativo e os serviços da instituição foram interrompidos.
Apesar da liquidação, obrigações financeiras assumidas antes desse processo não desaparecem com o encerramento das operações. Isso significa que dívidas existentes, como faturas de cartão de crédito, continuam válidas e devem ser quitadas para evitar consequências negativas, como juros, multas e até inclusão nos cadastros de inadimplentes.
Neste guia, explicamos como proceder com o pagamento da fatura, quais riscos existem ao deixar de quitar o débito e o que pode acontecer com os canais do banco que hoje não estão funcionando.
O QUE SIGNIFICA A LIQUIDAÇÃO DO WILL BANK
A liquidação extrajudicial do Will Bank foi decretada pelo Banco Central do Brasil após a instituição mostrar sinais de insolvência e dificuldades em honrar pagamentos, inclusive com a suspensão das operações de cartão pela Mastercard antes mesmo do encerramento oficial.
Quando um banco entra em liquidação, o BC nomeia um liquidante responsável por organizar e administrar todo o processo de encerramento das atividades. Isso inclui levantar bens e ativos, identificar credores e estados de dívida, e definir como os pagamentos serão feitos dentro do possível.
Importante: a liquidação não extingue obrigações contratuais previamente assumidas pelo cliente — como faturas de cartão ou parcelas em aberto — que passam a ser administradas pelo liquidante.
POR QUE AINDA É NECESSÁRIO PAGAR A FATURA
Mesmo com a instituição fechada, a fatura do cartão de crédito não deixa de existir. O débito já foi gerado antes da liquidação, e, pela legislação vigente, ele continua como uma obrigação do cliente.
Se essa dívida não for paga ou negociada, o cliente pode sofrer consequências semelhantes às que enfrentaria se o banco estivesse funcionando normalmente, incluindo:
- Juros e multas por atraso, calculados conforme o contrato original.
- Inclusão do nome em cadastros de crédito, como Serasa e SPC.
- Possibilidade de cobranças mais severas no futuro pelo liquidante ou por quem adquirir esses ativos no processo de liquidação.
Ou seja, a liquidação do banco não cancela a obrigação de pagar o que já foi contratado.
ONDE E COMO PAGAR A FATURA AGORA
Com o aplicativo e os canais tradicionais do Will Bank fora do ar ou em processo de desativação, pagar a fatura pode exigir atenção e paciência:
1. VERIFIQUE DÉBITO REGISTRADO NO DDA
Se você já tinha o serviço de DDA (Débito Direto Autorizado) ativado, é possível que a fatura ou os débitos estejam registrados no aplicativo do seu banco atual. Isso facilita o pagamento mesmo sem acesso ao app do Will Bank.
2. BUSQUE COMUNICAÇÃO OFICIAL DO LIQUIDANTE
O liquidante responsável pela administração do Will Bank deve divulgar, em breve, os canais oficiais para pagamento de faturas e atendimento aos clientes. Fique atento aos comunicados enviados por e-mail ou disponibilizados no site oficial que venha a ser indicado.
3. CUIDADO COM BOLETOS GERADOS POR TERCEIROS
Enquanto os canais oficiais não estiverem claros, evite pagar boletos que podem ser gerados de forma equivocada ou até fraudulenta. A orientação é sempre confirmar a origem antes de quitar qualquer débito.
E SE EU NÃO CONSEGUIR PAGAR AGORA?
Se o aplicativo não funciona e ainda não houver um meio oficial divulgado para emissão de boletos:
- Guarde registros (prints, comprovantes de tentativa de pagamento).
- Não ignore a dívida, pois ela ainda existe e pode gerar consequências.
- Quando os canais oficiais forem abertos, será possível regularizar a situação.
Ignorar a pendência hoje pode significar enfrentar problemas maiores depois, como restrições de crédito e custos adicionais.
O QUE ACONTECE COM CONTAS, SALDOS E DINHEIRO DO CLIENTE
Enquanto as obrigações do cliente permanecem, os recursos que estavam na conta, depósitos ou investimentos no Will Bank ficaram congelados após a liquidação.
Esse dinheiro não desapareceu, mas o seu acesso dependerá da atuação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC pode ressarcir até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando todas as instituições do mesmo grupo, incluindo o Banco Master — que também foi liquidado anteriormente.
O ressarcimento não é automático. É preciso:
- Aguardar o início da fase de pagamento (que pode levar algumas semanas ou meses).
- Manifestar interesse ou preencher o cadastro conforme instruções do FGC.
- Assinar digitalmente o termo de solicitação nesses sistemas oficiais.
O QUE ACONTECE COM COMPRAS PARCELADAS
Compras parceladas feitas antes da liquidação continuam válidas. Elas serão cobradas normalmente, e cada parcela pode integrar o processo de liquidação como ativo do banco, ou ser cobrada pelo liquidante conforme as regras aplicáveis.
Ou seja, o parcelamento não desaparece só porque o banco foi fechado. Ele segue no contrato original.
EVITAR FRAUDES OU GOLPES NESSE PERÍODO
Em momentos de instabilidade bancária, é comum surgirem tentativas de golpes ou comunicações enganosas. Para se proteger:
- Confirme sempre os canais oficiais antes de pagar qualquer boleto.
- Não forneça dados pessoais sensíveis por telefone ou mensagem sem verificar a origem.
- Não pague valores pedindo urgência sem passar pelo canal oficial do liquidante.
Manter-se informado pelos comunicados oficiais e evitar atalhos é a forma mais segura de lidar com pendências durante uma liquidação.
FAQ – DÚVIDAS FREQUENTES SOBRE PAGAR FATURA DO WILL BANK
A LIQUIDAÇÃO DO WILL BANK CANCELA MINHAS DÍVIDAS?
Não. A liquidação não extingue obrigações assumidas antes dela. Faturas e parcelas continuam válidas e devem ser quitadas.
POSSO TER MEU NOME NEGATIVADO SE NÃO PAGAR A FATURA?
Sim. Quem não pagar pode ser incluído em cadastros de crédito como Serasa ou SPC, conforme previsto em contrato.
COMO FAÇO O PAGAMENTO SEM O APLICATIVO DO BANCO?
Se o DDA estiver ativo no seu banco atual, o débito pode aparecer lá. Caso contrário, aguarde os canais oficiais que o liquidante divulgará.
O QUE ACONTECE COM O DINHEIRO QUE EU TINHA LÁ?
Depósitos e aplicações cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (até R$ 250 mil por CPF/CNPJ) serão ressarcidos conforme regras do FGC.
PARCELAS FUTURAS DO CARTÃO AINDA SERÃO COBRADAS?
Sim. Parcelamentos feitos antes da liquidação continuam válidos e serão cobrados conforme o contrato original.