(Foto: Reprodução/Freepik)
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O óleo de rícino, extraído da semente da mamona, tem ocupado novamente um espaço de destaque nas rotinas de cuidados capilares. Embora não seja novidade, o produto voltou a ganhar força com a tendência de valorizar ingredientes naturais e fórmulas minimalistas.

No mercado de beleza, marcas ampliaram linhas que utilizam o óleo como componente principal, enquanto profissionais relatam aumento na procura por tratamentos que prometem fortalecimento e recuperação de fios frágeis.

De acordo com dermatologistas e tricologistas já consolidados no setor, o interesse renovado se deve às propriedades conhecidas do óleo, como a alta concentração de ácidos graxos e sua textura espessa, que cria uma barreira leve e ajuda a reduzir a perda de água do fio.

O resultado é maior resistência e, em alguns casos, a sensação de mais volume, especialmente em cabelos naturalmente finos ou que passam por queda temporária.

RESGATE DE FIOS FRACOS

Nos salões, profissionais afirmam que o uso do óleo de rícino como pré-shampoo ou potencializador de máscaras vem ganhando espaço entre pessoas que enfrentam afinamento, ressecamento ou quebra excessiva. Embora o produto não faça o cabelo crescer mais rápido do que sua própria capacidade biológica, a melhora na saúde do couro cabeludo e na estrutura da fibra pode dar a impressão de crescimento acelerado. Isso ocorre porque fios mais fortes quebram menos, atingindo um comprimento maior com o tempo.

Outra razão para o efeito percebido envolve o estímulo indireto ao couro cabeludo. A aplicação acompanhada de massagem suave aumenta a circulação local, o que pode favorecer a vitalidade dos folículos capilares. Para especialistas, o maior benefício está na combinação de uso tópico com boa rotina de higiene e nutrição capilar, e não no óleo isoladamente.

VOLUME NATURAL E NUTRIÇÃO INTENSA

O óleo de rícino também aparece como alternativa para quem busca mais corpo e densidade. Como se trata de um ingrediente mais pesado, seu uso direcionado, sobretudo nas pontas e no comprimento, ajuda a alinhar cutículas e reduzir o frizz. Fios mais uniformes refletem melhor a luz e aparentam ser mais densos, especialmente em cabelos cacheados e crespos, onde a retenção de umidade tem impacto direto no formato e na percepção de volume.

Em cabelos lisos, o aumento de volume é discreto, mas o fortalecimento pode ser significativo quando há danos por química ou calor. O produto costuma ser aplicado em pequenas quantidades para evitar aspecto pesado. Apesar da popularidade, profissionais destacam que o óleo de rícino não substitui tratamentos específicos para queda crônica ou problemas dermatológicos.

USO SEGURO E FREQUÊNCIA ADEQUADA

Por ser espesso, o óleo pode exigir maior atenção na hora da aplicação. A recomendação geral de profissionais do setor é utilizar o produto em pequenas quantidades e observar a reação do couro cabeludo, especialmente em pessoas com sensibilidade ou tendência à oleosidade excessiva. A remoção deve ser feita com um shampoo que limpe bem, evitando acúmulo que possa provocar desconforto.

O ideal é aplicar entre uma e duas vezes por semana, alternando com outros tratamentos. Já quem tem couro cabeludo muito oleoso tende a se beneficiar mais do uso no comprimento, evitando a raiz. A adoção do óleo como parte de uma rotina equilibrada costuma render melhores resultados do que seu uso diário ou em grandes quantidades.

RECEITA CASEIRA SIMPLES

Uma das formas mais comuns de utilizar o óleo de rícino em casa é como máscara nutritiva combinada com ingredientes igualmente reconhecidos no cuidado capilar.

Máscara fortalecedora com óleo de rícino

Misture uma colher de sopa de óleo de rícino, duas colheres de sopa de creme capilar de sua preferência e uma colher de chá de óleo de coco ou azeite extravirgem. Aplique no comprimento e nas pontas, evitando a raiz caso tenha tendência à oleosidade. Deixe agir por 20 a 30 minutos e enxágue bem. O tratamento pode ajudar na maciez e na redução de quebra em cabelos secos ou danificados.

A TENDÊNCIA DO “CRESCIMENTO TURBO”

A ideia de um “crescimento turbo” tem dominado redes sociais, especialmente entre criadores de conteúdo que mostram antes e depois de rotinas com óleos vegetais. Embora esse termo não represente um crescimento real acima do ciclo natural dos fios, ele se refere ao combo de benefícios observados: menor quebra, fios mais íntegros, couro cabeludo mais saudável e sensação de densidade.

Essa combinação faz com que o cabelo atinja seu comprimento máximo com menos interrupções, criando a impressão de que o crescimento acelerou. O fenômeno desperta discussões entre especialistas que reforçam a necessidade de diferenciar expectativa e realidade. O óleo de rícino tem mérito no fortalecimento e na nutrição, mas não altera fatores genéticos ou hormonais.

MERCADO EM EXPANSÃO

A popularidade do óleo reacendeu o interesse da indústria por fórmulas que combinem ativos naturais a tecnologias de encapsulamento e entrega mais precisa. Produtos como séruns, boosters capilares e manteigas nutritivas passaram a destacar o óleo de rícino como ingrediente-chave. A promessa vai desde a proteção térmica até a restauração profunda das cutículas.

Em análises de mercado recentes, consultorias apontam o crescimento do segmento de produtos naturais e veganos, que puxam parte dessa demanda. Embora o óleo de rícino seja tradicional, sua valorização acompanha o movimento de consumidores que buscam alternativas acessíveis e com menor quantidade de aditivos artificiais.

PERCEPÇÃO DO CONSUMIDOR

A maioria dos relatos compartilhados em redes sociais associa o uso do óleo a maior brilho, sensação de volume e melhora na textura. Muitos consumidores utilizam o produto misturado a máscaras capilares ou como tratamento pré-lavagem. Há também quem adote o óleo na finalização de cabelos crespos e cacheados, principalmente para selar a umidade.

A recepção positiva, porém, não elimina a necessidade de orientação adequada em casos de queda acentuada ou condições dermatológicas específicas. Dermatologistas alertam que nem todos os tipos de couro cabeludo respondem da mesma forma ao uso de óleos. Mesmo ingredientes naturais podem causar irritação ou piora de oleosidade se aplicados em excesso.

O FUTURO DO INGREDIENTE

O uso do óleo de rícino tende a permanecer em alta enquanto o mercado de beleza continuar priorizando fórmulas simples e acessíveis. A ampliação do interesse por rotinas minimalistas e produtos multifuncionais favorece esse tipo de ingrediente, que transita entre o cuidado caseiro e o profissional.

Combinado a ativos como ceramidas, vitaminas e proteínas vegetais, o óleo segue como uma ferramenta para quem busca recuperar a força dos fios, controlar danos e melhorar a sensação de densidade. Embora não seja solução universal, sua versatilidade e o histórico de uso consolidado o mantêm entre os protagonistas da chamada beleza natural.

Kayra Miranda, repórter do Folha Vitória
Kayra Miranda

Repórter

Jornalista formada pela Faesa, com foco em beleza, saúde e bem-estar. Entusiasta do esporte e curiosa por novos temas.

Jornalista formada pela Faesa, com foco em beleza, saúde e bem-estar. Entusiasta do esporte e curiosa por novos temas.