Foto: Reprodução / Pinterest
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Durante décadas, o alicate foi considerado item indispensável na manicure brasileira. Cortar a cutícula fazia parte do ritual de quem buscava unhas bem-feitas e aparência impecável. No entanto, uma mudança silenciosa vem ganhando força nos salões e nas rotinas de autocuidado. A chamada técnica do “fim do bife” propõe abandonar o corte mecânico e substituí-lo por hidratação profunda e remoção não agressiva da pele ao redor da unha.

Segundo a TV Foco, o método se baseia em princípios dermatológicos que priorizam a preservação da matriz ungueal e a saúde da pele. Ao invés de cortes, entram em cena produtos específicos e ferramentas que estimulam o desprendimento natural das células mortas, resultando em unhas mais bonitas e resistentes ao longo do tempo.

POR QUE O ALICATE ESTÁ SENDO QUESTIONADO

Foto: Reprodução/Freepik

O uso do alicate provoca microcortes quase invisíveis, mas suficientes para acionar um mecanismo de defesa do corpo. Ao perceber a agressão, a pele passa a produzir mais tecido, tornando a cutícula mais grossa e elevada com o passar dos dias. Esse processo explica por que, mesmo após uma remoção profunda, a pele volta rapidamente a crescer.

Além disso, o corte abre portas para infecções, micoses e inflamações. Em casos mais delicados, como pessoas com diabetes ou problemas circulatórios, o risco se torna ainda maior. A técnica sem alicate surge justamente para romper esse ciclo de agressão e regeneração excessiva.

COMO FUNCIONA A TÉCNICA SEM ALICATE

De acordo com a TV Foco, o método se apoia no uso de amolecedores queratolíticos. Esses produtos atuam dissolvendo as células mortas da cutícula, em vez de arrancá-las por força mecânica. A ação química suave permite que a pele se desprenda naturalmente da lâmina da unha.

Enquanto o alicate estimula a produção excessiva de pele por trauma, a combinação de hidratação profunda com o uso de espátulas específicas promove um processo contínuo de afinamento da cutícula. Com o tempo, o contorno da unha se torna mais limpo e uniforme, sem dor ou sangramentos.

VANTAGENS DE ABANDONAR O ALICATE

Os benefícios do método vão além da estética. A ausência de cortes elimina a principal porta de entrada para bactérias e fungos, reduzindo drasticamente o risco de infecções e unhas encravadas infeccionadas.

Outro ponto destacado é que a cutícula não volta a “levantar” poucos dias após a manicure. Como não há trauma no tecido, o corpo não reage produzindo pele em excesso. O resultado é mais duradouro e visualmente mais delicado.

Além disso, a preservação da matriz ungueal favorece unhas mais fortes e com crescimento mais rápido, já que a região responsável pela formação da unha não sofre agressões constantes.

PREPARAÇÃO É A ETAPA MAIS IMPORTANTE

O primeiro passo para a cuticulagem sem alicate é a preparação correta. Diferente do método tradicional, não se recomenda apenas deixar as mãos de molho em água. O segredo está no uso de cremes específicos que contenham ativos como ureia, ácido lático ou alantoína.

Esses componentes têm ação hidratante e queratolítica, ajudando a amolecer a pele de forma eficiente. O produto deve ser aplicado em todas as unhas e deixado agir por pelo menos cinco a dez minutos. Para potencializar o efeito, pode-se cobrir a região com algodão levemente umedecido.

A TÉCNICA DA ESPÁTULA E O DESPRENDIMENTO DA PELE

Com a cutícula devidamente amolecida, entra em cena a espátula. Pode ser de aço inoxidável ou de bambu, desde que esteja limpa e bem conservada. O movimento deve ser suave e controlado, empurrando a pele em direção à base da unha.

O diferencial da técnica está no gesto de deslizar levemente a espátula sob a cutícula, apenas para desgrudá-la da placa ungueal. Não se trata de raspar ou forçar, mas de permitir que a pele, já fragilizada pelo produto, se solte naturalmente.

REMOÇÃO SEM CORTE FAZ TODA A DIFERENÇA

Após o levantamento da cutícula, ocorre a etapa considerada o ponto-chave do método. Em vez de cortar o excesso, utiliza-se uma toalha de algodão seca ou uma escovinha de unhas com cerdas firmes.

Movimentos circulares e firmes são feitos sobre a região. As células mortas, já dissolvidas pelo amolecedor, saem facilmente em forma de pequenos resíduos. O resultado é um contorno limpo, profundo e sem qualquer sinal de agressão à pele viva.

POLIMENTO E FINALIZAÇÃO HIDRATANTE

Se ainda houver alguma pele mais resistente nas laterais, a orientação é usar uma lixa de polimento de gramatura bem fina apenas nessas áreas. O objetivo não é remover, mas suavizar.

Para finalizar, aplica-se uma caneta ou óleo hidratante de cutículas, preferencialmente com ativos como óleo de melaleuca ou jojoba. Essa etapa sela a hidratação e impede o ressecamento da pele, mantendo o resultado por mais tempo.

O PERÍODO DE ADAPTAÇÃO DA PELE

Segundo a TV Foco, é comum que nas primeiras duas semanas as cutículas pareçam mais secas ou levemente arrepiadas. Esse efeito faz parte do processo de adaptação do corpo, que ainda está “aprendendo” que não precisa mais cicatrizar cortes constantes.

A recomendação é intensificar o uso de óleo de cutícula ao longo do dia, aplicando de três a quatro vezes sempre que sentir ressecamento. Sempre que surgir a vontade de usar o alicate, a orientação é hidratar e empurrar suavemente a pele.

Após cerca de 21 dias, o contorno tende a ficar tão fino e discreto que o alicate deixa de fazer falta.

MITOS E VERDADES SOBRE A REMOÇÃO DA CUTÍCULA

Existe a crença de que, sem cortar, a cutícula fica grossa. O efeito, segundo especialistas, é justamente o oposto. Quanto mais se corta, mais o corpo produz pele para se proteger. Ao hidratar e apenas empurrar, a cutícula tende a afinar progressivamente.

Outro mito comum é que nem todo mundo pode adotar a técnica. Na prática, o método é considerado seguro inclusive para diabéticos e pessoas com problemas de circulação, justamente por evitar qualquer tipo de ferimento.

Quanto ao resultado, a diferença na hidratação é perceptível já na primeira aplicação. O contorno mais definido e uniforme costuma se consolidar após a terceira ou quarta semana de cuidado contínuo.

BELEZA SEM DOR COMO NOVO PADRÃO

O chamado “fim do bife” representa mais do que uma mudança estética. Ele reflete uma nova forma de encarar o cuidado com as unhas, baseada em bem-estar, prevenção e saúde a longo prazo.

Ao abandonar o alicate, economiza-se tempo, evita-se dor e preserva-se a integridade da pele. Mais do que tendência, a técnica sem corte aponta para um caminho no qual a beleza não precisa causar sofrimento para ser eficaz.

Kayra Miranda, repórter do Folha Vitória
Kayra Miranda

Repórter

Jornalista formada pela Faesa, com foco em beleza, saúde e bem-estar. Entusiasta do esporte e curiosa por novos temas.

Jornalista formada pela Faesa, com foco em beleza, saúde e bem-estar. Entusiasta do esporte e curiosa por novos temas.