
A Anvisa determinou a suspensão da venda de lotes de fórmulas infantis da Nestlé após a identificação de risco de contaminação pela cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. A decisão acende um alerta importante, sobretudo entre pais e responsáveis por bebês e crianças pequenas, público mais vulnerável a complicações associadas à substância.
A cereulide é uma toxina resistente ao calor e a processos comuns de preparo de alimentos. Isso significa que, mesmo após aquecimento ou reconstituição da fórmula, ela pode permanecer ativa e causar efeitos adversos à saúde. Diferentemente de outras contaminações bacterianas, o risco não está apenas na presença do microrganismo vivo, mas na toxina já formada no produto.
O QUE É A CEREULIDE
Produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus, a cereulide está associada principalmente a quadros de intoxicação alimentar. Ela age diretamente no trato gastrointestinal e, em casos mais graves, pode atingir o fígado e outros órgãos. Por ser estável ao calor e ao pH ácido do estômago, a toxina consegue provocar sintomas mesmo em pequenas quantidades.
PRINCIPAIS SINTOMAS
Os sinais costumam surgir poucas horas após o consumo do alimento contaminado, geralmente entre uma e seis horas. Os sintomas mais comuns incluem náuseas intensas, vômitos repetidos e dor abdominal. Em alguns casos, pode haver diarreia, embora essa não seja a manifestação predominante nesse tipo de intoxicação.
Em bebês e crianças pequenas, os episódios de vômito frequente podem levar rapidamente à desidratação, o que exige atenção redobrada. Letargia, irritabilidade e dificuldade para se alimentar também podem ser observadas e devem ser encaradas como sinais de alerta.
RISCOS EM CASOS MAIS GRAVES
Embora a maioria dos quadros seja autolimitada, existem registros raros, porém graves, de complicações associadas à cereulide. A toxina pode provocar lesões no fígado e, em situações extremas, evoluir para insuficiência hepática. Esses casos são incomuns, mas reforçam a importância da prevenção e da retirada imediata de produtos suspeitos do mercado.
O QUE FAZER EM CASO DE SUSPEITA
A orientação das autoridades sanitárias é que consumidores interrompam imediatamente o uso dos lotes afetados. Caso a criança apresente vômitos persistentes, sinais de desidratação ou qualquer alteração importante no comportamento, é fundamental buscar atendimento médico o quanto antes.
A decisão da Anvisa segue protocolos de precaução e tem como objetivo reduzir riscos à saúde pública, especialmente em um grupo sensível como o de lactentes. O episódio também reforça a importância da vigilância sanitária contínua e da rápida comunicação ao consumidor sempre que houver suspeita de contaminação alimentar.