O publicitário capixaba Paulo Roberto Pimentel, que mora em São Paulo há cerca de um ano, decidiu gravar um vídeo mostrando tudo o que leva do Espírito Santo para driblar a saudade da gastronomia do estado natal. O conteúdo viralizou e já ultrapassa 800 mil visualizações, com mais de 5 mil comentários.
Linguiça, feijão vermelho e muito café. Foi com esses itens, acomodados na mala, que ele chamou a atenção da internet. Capixaba “da gema”, Paulo conta que a ideia surgiu depois de tantas brincadeiras dos amigos sobre os hábitos mantidos mesmo longe de casa.
No supermercado aqui é muito difícil achar feijão vermelho. Eu já procurei várias vezes. Quando encontra, custa caro. Um pacote chega a R$ 20. No Espírito Santo, com esse valor, dá para comprar três quilos.
Paulo Roberto Pimentel, publicitário
Quando a comida vira memória afetiva
Mais do que economia, a escolha dos produtos tem relação direta com identidade e afeto. Para Paulo, levar itens típicos do Espírito Santo é uma forma de manter viva a ligação com a própria história.
A reação do público mostrou que esse sentimento é compartilhado por muitos outros capixabas espalhados pelo país.
Muita gente se identificou com aquilo que eu também faço. Não só quem sente falta, mas quem também leva produtos capixabas, coisas que muitas vezes só encontramos no Estado.
Paulo Roberto Pimentel, publicitário
Para ele, divulgar produtos capixabas também é uma forma de combater estereótipos que ainda cercam o Estado.
“Muita gente faz humor com o jeito do capixaba, dizendo que é fechado ou mal-humorado. Mas a gente tem muito do que se orgulhar. Eu sou um capixaba e defendo o meu Espírito Santo em todo lugar”, afirma.

Barreiras que a internet não rompe
A repercussão do vídeo evidencia que, apesar da facilidade de acesso à informação, ainda existem experiências que não atravessam a tela. Alimentos, costumes e elementos culturais seguem sendo difíceis de reproduzir fora do território de origem.
É possível acompanhar imagens, vídeos e relatos à distância, mas vivenciar a cultura capixaba, especialmente à mesa, continua sendo outro patamar. Para alguns, isso significa percorrer longas distâncias.
Cultura capixaba que cruza oceanos
É o caso do empresário Áttila Cardoso, capixaba que mora fora do Brasil desde 2005. Sempre que retorna ao Espírito Santo para visitar a família, ele faz questão de levar na bagagem itens que representem o Estado.
O café é essencial para mim. Na Austrália existe uma cultura enorme do café. Eu tenho uma máquina profissional em casa, então faço questão de levar cafés do Espírito Santo, de tipos diferentes, para experimentar lá.
Áttila Cardoso, empresário
Além do café e do chocolate, Áttila também carrega a cultura em forma de música. Músico, ele leva uma casaca, instrumento típico capixaba, e já planeja o próximo item da lista: uma panela de barro, com espaço garantido na mala para a próxima viagem.

Espírito Santo, terra de cafés premiados
O orgulho tem fundamento. O Espírito Santo está entre os maiores e melhores produtores de café arábica do Brasil, com reconhecimento nacional e internacional.
Seja em São Paulo ou do outro lado do mundo, os capixabas mostram que a identidade do Estado não fica para trás. Ela vai junto, bem acomodada na mala e no coração.
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos, com informações do repórter Lucas Henrique Pisa, da TV Vitória/Record