Com a onda intensa de calor deste verão, as praias ficam cheias de banhistas e turistas que desejam se refrescar nas águas do Espírito Santo. Mas, muita gente esquece de alguns perigos marítimos, entre eles as “correntes de retorno”, que são um fenômeno que pode causar afogamentos.

Afinal, o que são as correntes de retorno, por quais motivos elas são tão perigosas, e como os banhistas podem identificá-las e se protegerem? O Folha Vitória entrevistou uma especialista para esclarecer as dúvidas relacionadas ao fenômeno do mar.

O que é uma corrente de retorno?

Segundo a major do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo Gabriela Andrade, especialista em salvamento aquático, o fenômeno funciona como um “corredor” levando a água para o fundo do mar. 

Ela é o encontro de correntes laterais, formando uma forte corrente para dentro do mar. Falando em uma linguagem bem simples: as ondas avançam e vão voltar para o mar e voltam fazendo uma corrente de retorno.

Major Gabriela, Corpo de Bombeiros

No Estado, algumas praias são conhecidas por terem uma maior quantidade de ondulação, facilitando a visualização do fenômeno, como: praias de Jacaraípe, Setiba, Ponta da Fruta e Praia d’Ulé.

Gabriela destaca que, geralmente, ao chegar na praia, o banhista não consegue identificar a corrente de retorno. “É importante escolher uma praia que tenha salva-vidas e perguntar para o profissional qual o melhor ponto para se banhar”, aconselhou.

Foto: Imagem gerada por IA/ ChatGPT

Como sair de uma corrente de retorno?

Se o banhista não se atentar para os cuidados da identificação e acabar caindo em uma corrente de retorno, primeiramente deverá manter a calma e não tentar “nadar contra a corrente do mar”. O correto é para os lados, perpendicularmente à areia.

A reação natural vai ser querer nadar em direção à areia, mas é o comportamento que não deve ter, pois vai entrar em pânico, se cansar e afogar. Caso se depare com a corrente deve manter a calma, sair pelas laterais e jamais lutar contra a corrente.

Major Gabriela, Corpo de Bombeiros

O que fazer se vir uma pessoa em uma corrente?

Diante dos perigos, você está na praia e se depara com uma pessoa em uma corrente de retorno? A especialista narra que, diante dessa situação, o primeiro passo é chamar um guarda-vidas e se não tiver nenhum presente, ligar para o Corpo de Bombeiros pelo 193.

“Enquanto o socorro não chega, deve-se buscar objetos flutuantes para dar para a pessoa. Jamais tentar entrar em contato físico com ela, só deve entrar na água se for seguro para o banhista”, disse.

Afogamentos são mais expressivos no fim do ano e verão

O verão, época mais quente do ano, também faz com que as pessoas estejam sempre procurando um lugar para se refrescar. Mas existe a preocupação com o aumento do número de afogamentos.

A maior parte dos afogamentos acontece no período de verão, férias escolares, além de aumentar muito o fluxo de banhistas, temos que aumentar a atenção especialmente com as crianças.

Major Gabriela

Além disso, a especialista alerta que é sempre bom lembrar que o álcool e afogamentos são uma combinação perigosa. Isso porque o álcool prejudica o equilíbrio, a coordenação e os reflexos.

O álcool é um dos maiores fatores de risco para os afogamentos, assim como na vida temos o ‘motorista da rodada’, na praia também deve ter um papai ou uma mamãe da rodada. Aquele que vai ficar 100% com a atenção das crianças e não vai beber”.

Major Gabriela
Repórter do Folha Vitória, Maria Clara de Mello Leitão
Maria Clara Leitão

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário Faesa e, desde 2022, atua no jornal online Folha Vitória

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