
A Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) informou que ações criminosas têm causado problemas de desabastecimento de água em cidades capixabas, em algumas delas, não há água nas pias desde a última terça-feira, 30 de dezembro.
Segundo o diretor-presidente da Cesan, Munir Abud, a falta de água em Vila Velha foi causada por uma tentativa de roubo no sistema elétrico da companhia, o que causou queima de uma bomba usada no abastecimento em Ponta da Fruta.

Em conversa com a TV Vitória, Abud afirmou que a tentativa teria ocorrido na última terça-feira, e que segundo ele, o problema já foi resolvido e o sistema já está em pleno funcionamento.
Ligações irregulares em Guarapari
Apesar disso, queixas sobre a falta de água persistem em outros municípios, como é o caso de Vitória, Cariacica, Anchieta e, principalmente, Guarapari. Abud afirmou que desde o ano passado, a companhia montou um comitê na cidade.
“Nos períodos de verão, nós criamos, desde o ano passado, o Comitê Verão. Nós trazemos empregados da companhia, gestores experientes de outras cidades para trabalharem aqui e auxiliarem a equipe de Guarapari, que acaba se tornando pequena diante do superlativo aumento da população“, disse.
Abud relatou que a Cesan tem realizado a distribuição de caminhões-pipa e tenta eliminar possíveis focos de vazamento de água, que tornam a situação da cidade ainda mais caótica.
“Essa equipe está aqui disposta a atender toda a população da nossa cidade, trabalhando, coordenando a distribuição de caminhões-pipa e eliminando vazamentos”, afirmou o diretor-presidente.
Segundo Abud, em 2024 Guarapari não registrou intercorrências durante o período do verão, mas que delitos como ligações irregulares no bairro Cachoeirinha trouxeram o problema de volta este ano.
“Eliminamos algumas ligações irregulares, ligações essas que correspondiam a um bairro inteiro, roubando água da Cesan, que deveria ser direcionada à população que tanto precisa. Ato contínuo, essa população, revoltada com a atuação da Cesan, que combateu um crime que estava sendo praticado, vandalizou a nossa captação de água e isso acabou gerando um desabastecimento na cidade do dia 31 para cá. O sistema está em fase de recuperação”, detalhou.
Abud afirmou que ainda há pontos sem abastecimento, mas que a empresa está trabalhando para a recuperação total do sistema.
O gestor admitiu que há problemas na região norte de Guarapari. “Esses bairros ainda estão sofrendo com o desabastecimento, mas nós estamos trabalhando, direcionando caminhões-pipa para, através de um abastecimento complementar, poder entregar água à população”, alegou.
Preço da água mineral disparou em Guarapari
Tiago Ventura, morador do bairro Paturá, em Guarapari, contou à TV Vitória que os moradores estão há uma semana sem água.
“A nossa situação é caótica. Estamos há uma semana sem água no bairro. Há quatro dias que houve falta total, esvaziaram todas as caixas d’água. Não tem água para absolutamente nada”, reclamou.

O morador de Guarapari esclareceu que a Cesan enviou um carro-pipa, mas que a quantidade de água não é suficiente para abastecer todas as casas. Além de Paturá, Santa Mônica, Jabaraí e Cachoeirinha também têm enfrentado desabastecimento. O morador também se queixou do preço da água mineral, que disparou na cidade.
“Antes, vendiam um galão de 20 litros de água a 10 reais, agora estão vendendo a 25. A pessoa que antigamente vendia uma caixa d’água dessas de mil litros, que custava 250 reais, hoje está custando 500”, registrou Tiago.
Outra moradora de Guarapari, Nilzete Betzel, também está enfrentando a falta d’água. “A situação está crítica. Sem poder lavar louça, ontem a minha mãe dormiu sem banho, a minha cunhada dormiu sem banho, a gente não pode limpar a casa, mal varrer, passar uma vassoura”, relatou a moradora.
MPES notificou a Cesan e exigiu restabelecimento de água em Vitória
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que foi acionado na noite de quinta-feira (1º) sobre a interrupção prolongada do abastecimento de água em bairros de Vitória e encaminhou notificação à Cesan.
“No documento, o MPES requisitou a adoção imediata de medidas para o restabelecimento do fornecimento de água potável, bem como a apresentação, no prazo de 48 horas, de justificativa oficial e de cronograma concreto para a solução definitiva do problema”, diz a nota enviada pelo MPES.
A instituição informou que acompanha a situação e ressaltou que fiscaliza a prestação de serviços públicos essenciais e adota as providências cabíveis para garantir o bem-estar, a saúde e a dignidade humana da população capixaba.
Procurada pela reportagem sobre a situação, a Cesan informou que tudo será esclarecido ao órgão dentro do prazo legal.
Os bairros que têm sofrido com a falta d’água na Capital Capixaba são Santa Clara, Fonte Grande, Piedade, Jesus de Nazareth, Moscoso, Forte São João, Romão, Cruzamento e Região da Grande São Pedro.
*Com informações da repórter Eduarda Neves, da TV Vitória/Record