Para muitos atletas, a Corrida de São Silvestre é um sonho, o teste máximo para provar suas aptidões físicas e colocar em prática o treinamento de um ano inteiro. Mais do que objetivo, “preparação” precisa ser o sobrenome de quem topa encarar um desafio desses.

No Espírito Santo, dois veteranos cruzaram São Paulo pela trigésima quinta vez na última quarta-feira, 31. Os gêmeos Amarílio Braga e Deolindo Braga, arquitetos por profissão, mas que enxergam nos tênis e na pista, sua verdadeira vocação.

De acordo com Amarílio, a paixão pela corrida surgiu há cerca de 45 anos, quando ambos os irmãos deixaram uma trajetória nos gramados. Antes, corriam por campos, vestindo camisas de tradicionais clubes capixabas, como Desportiva e Rio Branco.

Nossa paixão começou porque fomos jogadores de futebol, no juvenil da Desportiva, do Rio Branco, em times de empresas que trabalhamos. Naquela época as empresas contratavam jogadores e davam emprego. Quando saímos do futebol, quisemos de qualquer jeito continuar no esporte. Se quer saber, eu gosto mais da corrida do que do futebol.

Amarílio Braga, arquiteto

Preparação intensa

Para manter a disposição e o corpo em dia, os gêmeos apostam em uma rotina de treinos intensa. Todas as semanas correm de 120 a 130 quilômetros para se manterem preparados.

Antes o pique era mais intenso, cerca de 150 quilômetros semanais, mas que foram reduzidas, já que os irmãos avaliaram que uma rotina tão pesada já não era mais necessária.

Todos os meses participam de quatro a cinco corridas, segundo Amarílio, o que no fim do ano se transformam em cerca de 40, quase 50 provas. Dentre elas, os gêmeos também são figura carimbada nas 10 Milhas Garoto.

A São Silvestre é uma prova de alto estímulo, de muita adrenalina, igual a prova da Garoto. A adrenalina começa já uns 15, 20 dias antes da prova. Já fecho minha empresa para os clientes não me cobrarem, para poder curtir essa adrenalina.

Amarílio Braga, arquiteto

Celebridades na pista

Com tanto tempo de estrada, ou melhor, pista, os gêmeos já se tornaram verdadeiras celebridades por onde passam. Já são incontáveis provas em oito países e vários estados brasileiros.

Na São Silvestre, os gêmeos chamam atenção por onde passam. São crianças e adultos de todas as idades que pedem fotos, repórteres, até o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pediu para tirar uma foto com os corredores.

Reprodução/Arquivo Pessoal

A São Silvestre é uma grande festa. Vamos para curtir a festa, cada segundo. As crianças pedem para pegar na nossa mão, todo mundo pede foto. ‘cadê os gêmeos? Sem os gêmeos não tem São Silvestre’, até o prefeito de São Paulo pediu uma foto com a gente.

Amarílio Braga, arquiteto

Toda essa atenção faz com que, às vezes, o trajeto que os idosos correm em uma hora e 15, chegue a 1 hora e 30, uma e quarenta, mas Amarílio garante que vale e muito a pena.

Esporte como meio de vida

Para os gêmeos o esporte é um meio de vida. Tanto que mesmo quando não sobem ao pódio, fazem questão de comprar medalhas da competição para distribuir a crianças vizinhas e estimulá-las a praticar a corrida.

Segundo Amarílio, a atividade esportiva ajuda a dar um norte para a vida de jovens, além de tornar a vida de idosos mais ativa.

“O esporte é vida, saúde, respeito, educação e família reunida. É uma família sempre crescente, porque conhecemos e fazemos amigos em todos os lugares que vamos. É uma forma de estimular os jovens e de dar significado para a vida”, diz.

Guilherme Lage, repórter do Folha Vitória
Guilherme Lage

Repórter

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.