
Os números de afogamentos no ano de 2025 apontam um dado preocupante no Espírito Santo: 82% das mortes ocorreram em ambientes de água doce. Entre os ambientes estão lagoas, cachoeiras, lagos, cursos d’água e piscinas, aproveitados pelos banhistas no Estado.
As informações são da major Gabriela, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado. Além disso, o Observatório Estadual de Segurança Pública também evidencia que, em 2025, cerca de 24,8% dos afogamentos foram registrados em lagos, lagoas e represas, seguidos de 18% nos cursos d’água e 4,5% em piscinas.

Em 2024, o cenário preocupante também se repetiu nos ambientes de água doce: 35,5% dos afogamentos ocorreram em cursos d’água, enquanto 31% foram registrados ambientes como lagos, lagoas e represas.
“Falsa aparência de tranquilidade”
Segundo a major Gabriela, por muitas vezes, os locais de água doce transmitem uma “falsa aparência de tranquilidade”. Mas, em meio a essa tranquilidade “habitam perigos ocultos” nas águas do Estado.
No mar, o banhista que não sabe nadar vê ondulação, corrente e fica apreensivo. A mesma pessoa vê a falsa aparência de tranquilidade no lago e acaba se expondo ao risco, aí mora o perigo com pedras, objetos ao fundo, redes e o banhista acha que dá pé e vê os buracos.
Major Gabriela, Corpo dos Bombeiros
Muitas das ocorrências de afogamentos em água doce poderiam ser evitadas com alguns cuidados básicos da população: como “água no umbigo, sinal de perigo”, evitar ingerir bebida alcoólica e sempre levar um objeto flutuante.
Se não tiver a presença de um guarda-vidas, leve sempre um objeto flutuante, pode ser uma boia, uma prancha, ou até mesmo um pedaço de isopor que pode ajudar a evitar a submersão.
Major Gabriela, Corpo dos Bombeiros
Cuidado ao “subestimar os riscos da água”
Os dados sobre afogamentos revelam um recorte preocupante de comportamento de risco. Cerca de 88% das vítimas são homens, em sua maioria jovens.
Segundo especialistas, esse perfil está diretamente ligado à tendência de subestimar os perigos presentes em ambientes aquáticos, como, por exemplo, em locais sem sinalização ou vigilância adequada.
Conforme a análise da especialista, muitos desses acidentes ocorrem quando jovens se arriscam em práticas perigosas. “Eles saltam de píeres ou mergulham de cabeça em áreas desconhecidas”.
Dados mostram que 4 crianças morrem afogadas por dia no Brasil
A major Gabriela também destaca que dados estatísticos mostram que 16 brasileiros morrem diariamente por afogamento no país. Desses, quatro são crianças.
O afogamento é rápido e silencioso. Comumente o afogado não consegue pedir ajuda, isso porque ele está com a boca e nariz na água e não esboça som. Muitas vezes as crianças morrem afogadas na piscina da própria casa e isso acontece em questão de segundos.
Major Gabriela
Diante dos perigos aquáticos, é importante que pais e responsáveis se atentem para locais que apresentam riscos, como baldes, bacias, cisternas e vaso sanitário. “Até uma poça d’água pode afogar, principalmente as menores por conta da cabeça”.
Confira algumas orientações dos Bombeiros:
- Pergunte ao guarda-vidas o melhor local para o banho de mar;
- Água no umbigo, sinal de perigo;
- Cuidado ao misturar bebida alcoólica e atividades em ambientes aquáticos;
- Mantenha sempre um objeto flutuante, como uma boia ou prancha, por perto ao nadar;
- Não tente socorrer uma pessoa se não tiver o treinamento adequado: muitos acabam se afogando e morrendo ao tentar prestar socorro;
- Caso presencie algum afogamento, chame um guarda-vidas e ligue imediatamente para o 193 por meio do Corpo de Bombeiros.