
O acordo firmado entre Mercosul e a União Europeia, em janeiro de 2026, reposiciona o agro capixaba no comércio internacional e coloca algumas cadeias produtivas do Espírito Santo em clara vantagem competitiva. Café solúvel, mamão, mel da agricultura familiar e pimenta-do-reino aparecem como os principais vetores de crescimento. Nesse sentido, esses produtos podem sair ganhando com a redução gradual de tarifas, maior acesso ao mercado europeu bem como aderência às exigências de rastreabilidade e sustentabilidade.
“Para nós brasileiros e capixabas, o acordo entre União Europeia e Mercosul será extremamente relevante. Algumas tarifas vão cair até chegar a zero em quatro anos, abrindo grandes oportunidades. E estamos preparados para elas”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Esse novo ciclo começa apoiado em uma base sólida. Em 2025, o agro capixaba registrou o segundo melhor ano de sua história, com US$ 3,2 bilhões (R$ 16,6 bilhões) em exportações, ficando atrás apenas do recorde de 2024, quando o setor alcançou US$ 3,6 bilhões (R$ 18,8 bilhões). Parte da diferença se explica pela antecipação de compras no ano anterior, sobretudo de café. Ou seja, isso abre espaço para reorganização das vendas e novas estratégias comerciais ao longo de 2026.
Cadeias que puxam o crescimento
Entre os produtos, o café solúvel desponta como principal aposta para 2026. Após queda de 8,7% em volume em 2025, o segmento tende a se beneficiar do redirecionamento de exportações, com o acordo Mercosul – UE, hoje concentradas na América do Norte para a Europa. Nesse sentido, haverá redução tarifária progressiva e maior valor agregado. O mel surge como outra oportunidade relevante, especialmente para a agricultura familiar. Isso porque há forte demanda europeia e eliminação gradual de barreiras comerciais com o acordo Mercosul -UE.
O mamão entra em 2026 fortalecido. Em 2025, o volume exportado cresceu 27%, mesmo com preços 9% menores. Ou seja, cadeia e capacidade de ganho de escala estão em estágio ideal. Já a pimenta-do-reino, que teve o melhor ano da história, com US$ 347 milhões (R$ R$ 1,8 bilhão) em exportações, mantém desempenho consistente. Nesse sentido, apresenta baixa dependência do mercado americano bem como forte inserção indireta na Europa. Ainda mais com o acordo Mercosul-UE.
No outro extremo, o pescado segue como o maior desafio. Extremamente dependente dos Estados Unidos, o setor sofreu forte queda no segundo semestre de 2025 e hoje opera com cerca de 30% do volume normal. Para 2026, a estratégia passa por reestruturação produtiva. Para se beneficiar do acordo Mercosul-UE e abrir novos mercados na Europa e na Ásia precisa se adequar a exigências sanitárias e ambientais. A expectativa de retomada é mais consistente apenas no segundo semestre.