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'Choques gêmeos' ameaçam economia

Economia

'Choques gêmeos' ameaçam economia

Brasília - Depois da ameaça da "tempestade perfeita", agora são os "twin shocks", ou choques gêmeos - expressão da vez dos economistas para designar o efeito simultâneo da alta do dólar e queda de preços do petróleo e das principais commodities internacionais -, que aumentam as incertezas para a economia brasileira. O impacto desse comportamento cambial e de preços torna o ambiente ainda mais desafiador para a nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff.

O diagnóstico da área econômica do governo, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, é de que o balanço dos efeitos desses choques, que ainda não têm definido no horizonte o período de duração, vai trazer mais dificuldade em 2015 para os países emergentes, incluindo o Brasil. O problema ganhou espaço nas discussões internas do governo, que prepara a avaliação do quadro econômico para os próximos meses.

Ninguém esperava uma queda tão abrupta do preço do barril de petróleo, que ontem chegou a cair abaixo de US$ 50, o menor nível desde 2009, deixando ainda mais incerto e instável o preço futuro do produto. Todas as empresas de petróleo do mundo estão revisando investimentos.

A Petrobrás, que além da questão econômica mundial atravessa a pior crise de sua história com as denúncias de corrupção da operação Lava Jato, terá de recalibrar seu bilionário planejamento. Em junho do ano passado, a cotação do barril estava em torno de US$ 110 e caiu para menos da metade sete meses depois. Uma das principais preocupações da equipe econômica, hoje, é tentar avaliar por quanto tempo esse processo se sustenta.

O recuo do petróleo está associado à mexida no mercado provocada pela queda da demanda dos Estados Unidos no comércio mundial do produto. Nos últimos três anos, com a descoberta de novas tecnologias para extração do shale gas e shale oil (gás e petróleo não convencional, extraídos do xisto), o mercado americano reduziu drasticamente os custos de produção. Os Estados Unidos já projetam passar de importadores a exportadores de gás em 2020.

Mas a atual queda no preço do petróleo, lembram integrantes da equipe econômica, também reflete o processo de redução do uso das commodities pelos investidores como hedge (proteção) contra a alta da inflação. Como nos Estados Unidos e em outros países da Europa a inflação está muito baixa, a procura por commodities como ativo financeiro de proteção caiu muito, o que reforçou o cenário atual de "twin shocks".

Apesar da "autossuficiência" festejada pelo governo em 2006, o Brasil ainda é importador líquido de petróleo, já descontadas as exportações, e permanecerá assim, pelos cálculos do governo, pelo menos até 2017. A queda dos preços internacionais pode aliviar a balança comercial: em 2014, o saldo entre exportações e importações de petróleo e derivados registrou déficit de US$ 16,6 bilhões. Mas compromete o desempenho do Brasil no comércio de produtos como minério de ferro e soja.

Câmbio

Para o governo, a velocidade de alta do dólar em relação ao real "não está diferente no resto do mundo". A avaliação é de que o real está no "meio do pelotão" em comparação ao movimento de outras moedas. Além de afetar a balança, a alta do dólar traz problemas também para as empresas que aproveitaram as condições favoráveis dos últimos anos e se endividaram em moeda americana.

O monitoramento que o governo faz já há algum tempo mostra que algumas empresas poderão ter problemas, mas boa parte delas está protegida ou pelo hedge oferecido pelo Banco Central (BC) com os swaps cambiais ou naturalmente, por serem exportadoras. O volume maior de empresas que captaram no exterior para fazer investimentos lá fora também atenua o problema.

Embora em volume menor, o Banco Central continua com o programa de swaps para enfrentar o quadro e não há pressa em reduzir o estoque desses ativos em mercado - hoje em cerca de US$ 110 bilhões. Se for necessário, o BC pode ficar por dez anos com esse estoque.

Para a equipe econômica, quanto antes acontecer a alta dos juros, melhor para o remover as incertezas. A expectativa é de que o processo seja gradual e proporcional à recuperação da economia americana e, sobretudo, muito bem comunicado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.