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Cias dos EUA sinalizam interesse em prestar serviços à Petrobras

Economia

Cias dos EUA sinalizam interesse em prestar serviços à Petrobras

São Paulo - Empresas dos Estados Unidos do setor de petróleo e gás, fornecedoras ou prestadoras de serviços, sinalizaram interesse em trabalhar com a Petrobras, mesmo com as investigações da Operação Lava Jato em curso, de acordo com companhias ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Buscar parceiros no exterior é uma das opções para estatal brasileira continuar tocando seus projetos, após esta ter suspendido a participação em novas licitações de 23 empresas citadas nas investigações como integrantes de um cartel.

O Broadcast procurou nos últimos dias cerca de 30 empresas dos Estados Unidos e Canadá que operam ou prestam serviços ao setor de petróleo e gás, além de três associações do setor. Destas, cinco afirmaram que têm interesse em operar com a empresa brasileira e até já enviaram representantes ao Brasil. Outras seis, em sua maioria de capital aberto, destacam que eventuais conversas com a Petrobras para negócios futuros são sigilosas e não podem ser reveladas neste momento.

A Atwood Oceanics, com sede no Texas e que presta serviços de perfuração em campos offshore, inclusive em águas ultraprofundas, foi uma das que afirmou que tem interesse em trabalhar com a Petrobras. O vice-presidente e diretor financeiro da Atwood, Mark Mey, destacou que a empresa já tem representação no Brasil e busca participar de licitações da petroleira. A Atwood está no momento construindo dois navios para perfuração em águas ultraprofundas e tem uma frota de 12 unidades de perfuração offshore. De acordo com o balanço mais recente, de seu quarto trimestre fiscal de 2014, a empresa teve receitas de US$ 323 milhões e lucro de US$ 112 milhões.

Outra companhia norte-americana interessada em operar com a Petrobras, também com sede no Texas, é a Franklin Howard. Uma das especializações da empresa é a prestação de serviços com sondas de perfuração offshore. Fora dos Estados Unidos, a companhia tem escritório na Nigéria, país exportador de petróleo que vem sendo afetado pela forte queda dos preços da commodity.

Um executivo de uma empresa do estado da Luisiana, que prefere não se identificar, e que também busca participar de contratos ou licitações da Petrobras, afirma que, logo após a divulgação das primeiras denúncias de corrupção na estatal, sua empresa ficou receosa sobre eventuais negócios com a petroleira. Ele acredita, no entanto, que o andamento das investigações será bom para "limpar" a companhia, que tem "investimentos muito importantes e interessantes" a serem feitos nos próximos anos, que são atrativos para companhias estrangeiras. O plano de investimento da Petrobras soma US$ 220 bilhões até 2018.

Private equity

Para esse executivo, fundos de private equity, que investem no setor de petróleo e gás, também podem ser parceiros importantes para investimentos no segmento no Brasil. Os fundos estão capitalizados, disse ele, destacando que só a gestora Advent International anunciou recentemente a captação de uma carteira de US$ 2,1 bilhões, a maior já criada para a América Latina. Depois de uma nova rodada de captação, fundos de private equity levantaram recentemente US$ 8 bilhões voltados para região. Além do Advent, a gestora Pátria criou uma carteira de US$ 1,8 bilhão.

O Broadcast também procurou três associações que representam o setor de petróleo e gás nos Estados Unidos e Canadá. A resposta das instituições é que elas não poderiam falar pelos interesses individuais de cada empresa membro. A Associação Internacional das Empreiteiras de Perfuração (Iadc, na sigla em inglês) afirmou "esperar ansiosamente" que a Petrobras continue a desempenhar um "papel chave" na extração de petróleo de forma eficiente, segura e ambientalmente responsável.

As denúncias de corrupção na Petrobras têm tido grande repercussão nos Estados Unidos. Até agora, cinco ações coletivas de investidores já foram abertas na Corte de Nova York reclamando perdas nas aplicações em papéis da companhia por conta das investigações da Operação Lava Jato. Na avaliação do economista-chefe para mercados emergentes da consultoria Eurasia, Christopher Garman, e o responsável por América Latina, João Augusto de Castro Neves, uma mudança na direção da empresa ajudaria a dar maior credibilidade para a petroleira.

Além disso, em meio ao escândalo gerado pelas denúncias, e a dificuldade de a Petrobras captar recursos no mercado financeiro, cresce a possibilidade de o governo abrir a exploração do pré-sal para empresas estrangeiras, avalia a Eurasia, que tem sede em Washington. Os economistas acham que o anúncio pode vir em meados deste ano. Eles também acham provável alguma flexibilização na regra de conteúdo local mínimo nos contratos do setor.