OCDE eleva previsões de crescimento em função da queda no preço do petróleo

Economia

OCDE eleva previsões de crescimento em função da queda no preço do petróleo

Redação Folha Vitória

Paris - A perspectiva da economia mundial melhorou nos primeiros meses de 2015 como resultado dos preços de petróleo mais baixos e apoio oferecido por medidas adicionais de estímulos de bancos centrais, afirmou a Organização para a Cooperações e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Mas a entidade alertou que a dependência excessiva na política monetária em relação ao crescimento representa um perigo para a estabilidade no sistema financeiro, incluindo a elevada tomada de risco e crédito, além de taxas de câmbio que não refletem as circunstâncias econômicas fundamentais.

A OCDE afirmou que a apreciação do dólar contra outras moedas importantes está contribuindo para a baixa inflação na maior economia do mundo e pode enfraquecer o crescimento ao limitar as exportações. Assim, o grupo prevê que o Federal Reserve deverá postergar um aumento de juros até que haja sinais de que as economias da Europa estão se fortalecendo e que o euro esteja pronto para ganhar terreno. Muitos economistas preveem que o Fed pode começar uma ciclo de aperto em junho.

"A questão sobre quando o Fed vai sair de juros zero depende muito na possibilidade de a Europa se recuperar", afirmou a economista-chefe de entidade, Catherine Mann, em uma entrevista ao Wall Street Journal.

No primeira atualização das projeções para 2015, a OCDE disse que prevê agora que as economias para as quais faz estimativas - que respondem por 70% da atividade mundial - devem crescer em 4% neste ano e 4,3% no próximo. Em novembro, a OCDE previa expansão de 3,9% e 4,1%, respectivamente. A OCDE manteve a previsão de crescimento dos EUA em 3,1% em 2015 e 3% em 2016.

A OCDE ressaltou que os bancos centrais que regulam as economias responsáveis por 48% da atividade global flexibilizaram suas políticas monetárias desde dezembro, oferecendo um impulso para o crescimento. A queda nos preços de petróleo também ajudou, afirmou.

O Banco Central Europeu (BCE) é uma destas autoridades que relaxou a política nos últimos meses, ao ter lançado em 9 de março um programa de compras de ativos no tamanho de 1 trilhão de euros (US$ 1,06 trilhão). Grande parte das aquisições será feita em bônus soberanos e o programa durará até setembro de 2016.

A OCDE disse que o estímulo deve ajudar impulsionar a atividade econômica e elevou as previsões para o crescimento da zona do euro. Em 2015, o bloco deve ter uma expansão de 1,4% e avançará 2% no ano seguinte, frente a estimativas anteriores de alta de 1,1% e 1,7%, respectivamente. Os números em grande parte estão em linha com as projeções do BCE. Contudo, a OCDE disse que para a recuperação ser sustentável, os governos devem fazer pressão em direção a reformas e a um novo programa de investimentos em infraestrutura.

"Isso não deveria ser visto como uma desculpa para os políticos ficarem sem fazer nada", afirmou Mann.

Por motivos semelhantes, a OCDE elevou as previsões para o crescimento do Japão. O país asiático deverá ter uma expansão de 1% neste ano e 1,4% em 2016, frente a estimativas anteriores de alta de 0,8% e 1% respectivamente. A organização também pediu que o governo japonês mostre "ambição maior" em seus esforços para reformar a economia.

A OCDE reduziu as previsões para o crescimento chinês. O país deve se expandir 7% em 2015, com queda de 0,1 ponto ante a estimativa de novembro. No ano seguinte, a China deve desacelerar para 6,9%. A Índia, por sua vez, deve avançar 7,7% neste ano e 8% no próximo, frente às estimativas anteriores de 6,4% e 6,6%. Assim, a OCDE sinaliza esperar agora que a Índia assuma a posição de economia com crescimento mais acelerado entre as principais nações.

Contudo, embora tenha elevado as previsões de crescimento para algumas grandes economias, a OCDE alertou que a ameaça representada pela baixa inflação - e em muitos casos queda de preços - está crescendo. O grupo disse que é possível agora que os preços perderão força em todas as cinco maiores economias do mundo durante o primeiro semestre deste ano, uma situação descrita como "sem precedentes". Fonte: Dow Jones Newswires.