Awazu: ajuste da inflação de serviços ainda mostra 'relativa' resiliência

Economia

Awazu: ajuste da inflação de serviços ainda mostra 'relativa' resiliência

Redação Folha Vitória

Brasília - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Pereira Awazu da Silva, afirmou nesta quarta-feira, 24, que a inflação do setor de serviços ainda mostra uma relativa resiliência. Além disso, ele mencionou ser uma característica da economia brasileira a indexação de preços. "Ainda existem riscos por conta como a nossa economia faz indexações e reposições salariais acima da produtividade", disse.

Ele disse também que, quando se olha os componentes da inflação em 12 meses, é visto um efeito desse reajuste dos preços, em particular, dos administrados. Por isso, para Awazu, a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. O diretor reiterou que, no regime de metas de inflação, a orientação das decisões se dá de acordo com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica de preços. "Reconhecemos que houve avanços o combate à inflação, mas que não se mostram ainda suficientes", disse.

ICC

Luiz Awazu afirmou que começa a se observar uma certa estabilização, mesmo em patamar mais baixo, do índice de confiança do consumidor (ICC) ante períodos anteriores. Isso, de acordo com ele, é o começo da retomada da confiança, que pode ser traduzida como uma terceira fase de ajustes da economia. O diretor considerou, porém, que esse processo ainda não se pode verificar plenamente neste momento.

"Temos visto, a partir de melhora da confiança, processo de melhora de confiança no futuro", considerou. "Sabemos que 2015 é ano de ajustes", repetiu. Ele voltou a dizer que se espera um reflexo da atividade que tende ser abaixo do potencial e que há incidência de eventos não econômicos que se sobrepõem a esse ciclo processo de ajuste. O BC tem compilado nessa expressão de eventos não econômicos desde a Operação Lava Jato, possível racionamento de energia elétrica e atraso na divulgação do balanço da Petrobras.

"Observamos ainda baixo dinamismo da produção industrial e serviços, mas temos notícia mais positiva da safra agrícola e da maior moderação de importações, que responde ao nosso ciclo de negócios", considerou. "Temos uma moderação no consumo das famílias, uma contração da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e temos, sim, retomada modesta na estabilização no nosso quantum de exportações", citou.