Tecnologia inclusiva: os negócios que levam acessibilidade a pessoas com deficiência

Transformação Digital

Economia

Tecnologia inclusiva: os negócios que levam acessibilidade a pessoas com deficiência

Empreendedores do ramo têm uma filosofia: se para a população em geral, a tecnologia facilita muito, para pessoas com deficiência, ela torna as coisas possíveis.

Francine Leite

Redação Folha Vitória

A maioria das pessoas sabe que cadeira de rodas, cão-guia e intérprete são grandes parceiros de pessoas com deficiência e companheiros fiéis da inclusão. No entanto, a acessibilidade pode ser muito maior quando alinhada à tecnologia.

Foi essa oportunidade que empreendedores brasileiros enxergaram para criar "novos companheiros" para pessoas com deficiência. São robôs, que prometem facilitar muito mais a vida de quem precisa de inclusão.

A professora capixaba Neide Sellin é a "dona" da Lysa, o cão-guia robô que fala com o deficiente visual. A tecnologia começou a ser estudada no Espírito Santo em 2011, por meio de financiamento coletivo e, atualmente, já recebeu investimentos de grandes empresários brasileiros. 

Foto: Divulgação/Sebrae
Cão-guia robô foi destaque em bate-papo sobre tecnologia e acessibilidade, em Vitória.

O robô imita as funções de um cachorro treinado para guiar pessoas cegas, alertando a proximidade de obstáculos no caminho por meio de sinais sonoros. A cientista da computação que desenvolveu Lysa já recebeu pedidos de mais de 250 pessoas interessadas em ter o moderno cão-guia. 

Além de facilitar a mobilidade, o robô é acessível financeiramente, segundo a desenvolvedora. 

Cadeira de rodas inteligente

Um cadeira de rodas comandada pelo cérebro? Sim, é possível, e ela está sendo estudada no Espírito Santo. Pesquisadores do Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo), em parceria com a Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) e a Fapes (Fundo de Apoio à Pesquisa do Espírito Santo) já desenvolveram um modelo que pode ser dirigido pelo cérebro ou por meio de pequenos movimentos da cabeça e dos músculos faciais.

Os sinais e comandos são captados por tecnologia sem fio, via bluetooth, e reproduzidos nos movimentos das rodas com a ajuda da inteligência artificial.  

Veja a cadeira de rodas inteligente em funcionamento:

Tecnologia do sinais

Um robô intérprete da Língua Brasileira de Sinais - Libras - já foi desenvolvido no país por um publicitário pernambucano. Ronaldo Tenório veio até Vitória para apresentar aos capixabas o Hugo, personificação de um site/aplicativo que traduz textos e áudios para libras de graça. 

Foto: Reprodução/Hands Talk
Robô Hugo aparece na tela sempre que acionado no site ou aplicativo. 

A tecnologia do Hugo, ou Hands Talk,  começou a ser desenvolvida em 2008 por três amigos que largaram a profissão para se dedicar ao aplicativo, eleito pela ONU o melhor app social do mundo. "Eu tinha uma agência de publicidade bem sucedida em Recife, e resolvi fechar quando percebi que a chave para a  acessibilidade estava em nossas mãos", se orgulha Ronaldo. 

Em 10 anos, o aplicativo já ganhou mais de dois milhões de usuários e R$ 2,5 milhões em investimento, o que permitiu a compra da sua principal concorrente brasileira. 

Existem quase 10 milhões de surdos no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e 80% não sabem ler nem escrever.

Assista a um bate-papo sobre tecnologia com o criador do robô intérprete: 

Plugue-se 

Foto: Francine Leite/Rede Vitória

O bate-papo sobre tecnologia inclusiva aconteceu durante o Plugue-se, evento promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Indústrias no Espírito Santo (Sebrae-ES) sobre transformação digital nas pequenas empresas. Uma viagem pelo universo da tecnologia, que tem fervilhado as ideias de empreendedores mundo afora.

O evento continua até a próxima sexta-feira e pode ser assistido online ou presencialmente. As inscrições devem ser feitas pelo site.