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Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

*Artigo escrito por Brunela Chiabai do Nascimento, advogada tributarista com formação pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários e Membro do Ibef Academy.

Abençoado por Deus e bonito por natureza, mas incapaz de transformar beleza em prosperidade. O Brasil é o país que nasceu para dar certo, mas parece ter assinado um contrato vitalício com atraso.

Um país tão ricos em recursos, mas que que acha desnecessário transformá-los em riqueza. Se exporta o talento bruto, o minério cru e o café em sacas, e depois compra de volta tudo isso, reembalado, refinado e com selo estrangeiro de sofisticação. É como vender ouro e pagar caro pela bijuteria.

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O caso do café capixaba é o retrato mais elegante dessa ironia. Se planta, colhe e exporta o melhor café do mundo, mas só o reconhece quando ele retorna em cápsulas metálicas ou em copos de papel com logotipo americano. Enquanto isso, baristas europeus e empreendedores asiáticos lucram com o que o nosso produtor colheu. É o velho roteiro nacional: produzimos a essência, mas terceirizamos o valor.

Além disso, o país é exportador de minério, café e celulose, mas raro produtor de bens industriais. Falta liberdade para empreender, previsibilidade regulatória e confiança em quem faz. Sobra burocracia, improviso e um Estado que acredita ser protagonista do desenvolvimento quando, na verdade, é o maior obstáculo a ele. Em vez de libertar a economia, insiste em tutelá-la.

Um atraso que vem de longe

A história ajuda a entender, mas não absolve. Desde o período colonial, treinados a enviar insumos e esperar que outros os transformassem em produtos. Ontem era a metrópole portuguesa; hoje são os países industrializados.

Mudaram os navios, os portos e os interlocutores, mas a mentalidade segue parecida: dependente, acomodada e pouco disposta a apostar na própria capacidade de gerar valor.

Enquanto as nações que apostam na liberdade econômica colhem inovação e prosperidade, o Brasil ainda discute se confiar no indivíduo é arriscado. Aqui, a iniciativa privada é vista com desconfiança, o lucro é tratado como culpa e a eficiência, como ameaça.

E assim segue: exportando minério e importando trilhos, exportando celulose e importando papel especial, exportando café e importando o “latte artesanal”. Tudo devidamente carimbado, taxado e elogiado em cerimônias oficiais.

Quando o valor começa a ficar em casa

Mas há sinais de mudança, ainda que discretos. Pequenos produtores capixabas já começam a torrar e embalar o próprio café, vendendo blends premiados para o mundo. Indústrias locais de celulose investem em tecnologia e sustentabilidade, agregando valor à produção.

Startups brasileiras despontam em biotecnologia, agritech e energia limpa, rompendo a lógica de que só se cresce exportando matéria-prima. São exemplos de que, quando o Estado sai do caminho, o brasileiro sabe trilhar o próprio rumo.

O Brasil precisa transformar esses lampejos em cultura econômica. O progresso não virá de planos centralizados, mas de um ambiente que premie quem produz, inova e arrisca. Ao poder público cabe remover barreiras, simplificar regras e garantir liberdade para que a indústria respire.

Quando isso acontecer, os produtos aqui nativos, do café ao aço, da madeira à tecnologia, deixarão de cruzar oceanos para ganhar valor lá fora. E, nesse dia, o país deixará de ser o eterno exportador de promessas para se tornar o verdadeiro criador de riqueza: abençoado por Deus, bonito por natureza e, finalmente, digno da grandeza que sempre teve à sua espera.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

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