O início do verão e as altas temperaturas no Espírito Santo têm levado produtores rurais de diversas culturas a buscarem alternativas para reduzir os danos causados pelo excesso de calor nas lavouras. Entre as tecnologias adotadas, uma tem ganhado destaque: os chamados “protetores solares” específicos para plantas e frutos. Um dos produtos utilizados com essa finalidade é o Sombryt, desenvolvido pela indústria de biofertilizantes Litho Plant, sediada em Linhares, em parceria com a Embrapa.
O produto reduz queimaduras em folhas e frutos, controla o estresse térmico e ajuda a aumentar a produtividade. A aplicação é foliar e cria uma barreira contra a radiação solar intensa. O Sombryt já foi testado em diversas culturas, como abacaxi, banana, café, citros, mamão, manga, maracujá, pimenta-do-reino, melancia, cana-de-açúcar, tomate, pimentão, milho, soja, feijão, tabaco, além de eucalipto – este ainda em fase inicial de testes.
Um dos produtores que passou a utilizar o protetor solar é Almir Gaburro, proprietário do Caffè Speranza, em Linhares, no Norte do Espírito Santo. Há três anos, ele aplica o produto por meio de drones na lavoura de café conilon e afirma perceber benefícios principalmente durante o verão, quando as temperaturas atingem níveis recordes.
Segundo Almir, o objetivo da aplicação é proteger as plantas do estresse térmico e melhorar a formação dos grãos. “Nós usamos o Sombryt de forma preventiva a partir do mês de outubro até abril. Identificamos como o período ideal para a nossa região, que, no nosso entender, são os meses mais quentes. Fazemos a aplicação para melhorar o nível térmico entre o ambiente e a planta. Com essa pulverização, a gente tem um melhoramento do enchimento de grão e um maior conforto térmico na planta, e isso tudo vai responder nas produções futuras”, afirmou.
Ele explica que, sem a proteção, a planta tende a sofrer e os frutos podem ficar menores. “Se você tem uma planta muito debilitada nesse período, aquele caroço vai encher fraco, além de não ter a quantidade de folha e o tamanho de rama para ajudar na produção futura. O Sombryt impulsiona o melhoramento do tamanho do grão, além do conforto térmico; por isso o grão fica maior.”
Para Altemir José Poleze, da Linhagro, empresa que representa a Litho Plant na região, o período entre dezembro e março é o mais crítico em relação às altas temperaturas e o mais importante quando se trata da formação dos grãos e desenvolvimento da planta, no caso do café conilon.
“As altas temperaturas interferem no metabolismo da planta, e o Sombryt minimiza esses efeitos, proporcionando conforto térmico, protegendo a planta contra escaldadura de folhas e frutos, refletindo diretamente na produtividade, reduzindo a perda de frutos e melhorando o padrão de peneira no beneficiamento do café”, destacou.
Agricultura regenerativa e adequação ao mercado
O produtor ressalta ainda que o uso do protetor solar faz parte de um conjunto de estratégias adotadas na propriedade. Almir também aplica práticas de agricultura regenerativa, com manejo biológico. Ele é certificado nesse modelo de produção, que tem ganhado força no mercado internacional.
Segundo ele, essa estratégia também está ligada à necessidade de atender padrões cada vez mais rigorosos: “Hoje a gente trabalha com mercado nacional e internacional, então tem essa preocupação em atender mercados mais exigentes. Para fazer mercado internacional, precisamos ofertar um café de qualidade e sair do comum. Na agricultura regenerativa é possível ter um café com menos contaminantes químicos, principalmente glifosato, o que ajuda a cumprir exigências internacionais.”
No caso de frutas e outras culturas, o uso do protetor solar também está relacionado à prevenção de queimaduras e à perda de valor comercial, problema comum em regiões muito quentes. Frutos queimados ou com manchas têm menor aceitação e dificultam a exportação. Desta forma, o produto também pode ser usado para garantir aparência e uniformidade – atributos altamente valorizados no mercado externo, onde são considerados padrões físicos, ausência de defeitos e segurança alimentar.
Altemir ressalta que as principais exigências do mercado, especialmente o internacional, incluem padrão visual, ausência de manchas e deformidades, e uniformidade de tamanho, cor e formato. “Além da aparência, a maturação uniforme e as características de sabor e textura também são cruciais. Em segurança alimentar, produtos mais saudáveis podem ter menor uso de defensivos, atendendo às demandas por alimentos mais seguros e com menos resíduos”, explicou.
Ele destaca ainda que o uso do protetor solar ajuda exportadores ao reduzir queimaduras e escaldaduras, preservando a integridade dos frutos e facilitando a entrada em mercados exigentes.
A engenheira agrônoma e representante técnica da Litho Plant, Kattiély Wruck, explica que o Sombryt é um protetor solar para plantas, desenvolvido em parceria com a Embrapa Cruz das Almas, na região Nordeste do país. Segundo ela, os principais benefícios incluem:
- Melhora da qualidade e uniformidade
- Proteção contra radiação UV e queimaduras solares
- Conforto térmico
- Manutenção da fotossíntese
- Redução do abortamento floral e da queda de frutos
Outro ponto forte é a praticidade de aplicação, principalmente por meio de drones e aeronaves, com vários resultados de pesquisas comprovando sua eficiência.
Kattiély afirma que estudos indicam redução de até 40% na incidência de queimaduras e até 25% no abortamento floral. Ela explica que, apesar de muito utilizado no verão, o produto também pode ser aplicado no inverno, quando as plantas ficam expostas a outros tipos de estresse, como baixas temperaturas, geadas e variações térmicas bruscas.
“As plantas são sensíveis a temperaturas extremas. O uso do protetor solar pode oferecer proteção contra frio e geada leve e estabilizar a temperatura da superfície foliar em regiões com oscilações térmicas, reduzindo o estresse fisiológico.”
A eficácia do produto é consistentemente destacada em culturas mais suscetíveis a danos por radiação solar e estresse térmico, como frutíferas e café, que frequentemente sofrem com queimaduras em folhas e frutos, abortamento floral e queda de frutos em condições de calor intenso. Essa eficácia vem sendo comprovada por testes de campo e diversas pesquisas conduzidas pelo pesquisador Maurício Coelho, da Embrapa Fruticultura de Cruz das Almas (BA), desde 2021.
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