
A Marca Ambiental está prestes a colocar em operação a primeira usina de biometano do Espírito Santo. Em implantação em Cariacica, o projeto demandou investimento de R$ 70 milhões e tem previsão de inauguração no primeiro semestre de 2026. Com capacidade para processar 2.500 metros cúbicos por hora de biogás, proveniente da decomposição dos resíduos das células de aterro sanitário, a usina transformará esse biogás em biometano – um gás natural renovável que pode ser utilizado em diversas aplicações, desde indústrias até residências e combustível veicular. Entenda.
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“É um projeto muito importante para o estado, principalmente quando a gente fala de descarbonização e transição energética”
O biometano produzido em Cariacica será obtido a partir da purificação do biogás (composto principalmente por metano e dióxido de carbono) gerado no processo de decomposição dos resíduos orgânicos do aterro sanitário. Segundo a Marca Ambiental, o gás renovável será comercializado por meio da rede de distribuição de gás natural, ampliando as alternativas energéticas disponíveis no estado.
A planta terá capacidade para processar até 60 mil Nm³ (metros cúbicos) por dia de biogás. O complexo conta ainda com uma usina termelétrica com capacidade instalada de 5 MW, que já opera no local. Nesta primeira etapa do projeto, cerca de 40% do biogás gerado no aterro será direcionado para a produção de biometano; os outros 60% continuam sendo utilizados na termelétrica, em operação desde 2020.
“Essa é a primeira usina de biometano do Espírito Santo. Ela entra em operação no primeiro semestre de 2026 e é um projeto muito importante para o estado, principalmente quando a gente fala de descarbonização e transição energética”, afirma Diogo Ribeiro, diretor de Energias Renováveis da Marca Ambiental.
De acordo com o executivo, o impacto ambiental é relevante. “Estamos falando de evitar a emissão de cerca de 150 mil toneladas de CO₂. Além disso, é um gás renovável que pode substituir o gás fóssil. A gente deixa de emitir carbono na atmosfera e também evita a extração de combustível fóssil. É uma molécula equivalente, com a vantagem de ser renovável”, destaca.
Além do viés ambiental, o empreendimento também movimenta a economia. A usina deve empregar ao menos 20 pessoas de forma direta, com operação 24 horas por dia. Durante a fase de implantação, diversas equipes atuaram em etapas como obra civil, instalação de equipamentos, sistemas elétricos e automação. “É um projeto de investimento relevante, próximo de R$ 70 milhões, e isso se reflete na geração de empregos e na cadeia de fornecedores”, pontua Ribeiro.
A Marca Ambiental também planeja utilizar parte do biometano na própria operação logística. Atualmente, dois caminhões da frota já operam com GNV, e a empresa projeta chegar 20 veículos até 2026, consumindo parte da produção de biometano. Paralelamente, há conversas com indústrias e com o governo estadual sobre o uso do biometano em projetos de mobilidade, como ônibus a gás.
“Isso tudo que estamos falando é apenas a primeira etapa do projeto. A velocidade de expansão vai depender da demanda, de contratos com indústrias e também de instrumentos como o fundo de descarbonização que está em estruturação”, completa o diretor.