
Qual é a região rural mais cara do país? E a mais barata? O novo Atlas do Mercado de Terras, divulgado pelo Incra, chamou atenção para um ponto que o agronegócio já percebe há tempos: terra boa virou artigo caro no Brasil. E, dentro desse cenário, o Espírito Santo aparece com destaque nacional, principalmente nas áreas de café.
O levantamento mostra que, dependendo do uso, o hectare pode facilmente passar da casa dos R$ 200 mil. É o caso da região de Xanxerê, em Santa Catarina, que pode negociar o hectare para produção de grãos em cerca de R$ 209,4 mil, ou na região Norte e Noroeste do Espírito Santo, em que o hectare dedicado ao cultivo de café pode passar dos R$ 215,7 mil. São municípios como Governador Lindenberg, Jaguaré, Marilândia, Rio Bananal, Sooretama e Vila Valério. Ou seja, uma zona cafeeira importante e valorizada.
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Região cafeeira capixaba puxa a valorização, com hectares ultrapassando R$ 215 mil
Outros municípios do norte e noroeste do estado também mostram números expressivos. Em Linhares, São Mateus, Pinheiros e Boa Esperança, o hectare agrícola gira em torno de R$ 140,2 mil. Em Nova Venécia, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, Vila Pavão e Águia Branca, os valores ficam por volta de R$ 105,3 mil.
Já em Alto Rio Novo, Barra de São Francisco, Mantenópolis, Pancas e Água Doce do Norte, a média chega a R$ 106,6 mil. Em Aracruz, Colatina, Fundão, Ibiraçu e João Neiva, áreas agrícolas e cafeeiras alcançam cerca de R$ 157 mil.
A Região Serrana, que inclui municípios como Afonso Cláudio, Alfredo Chaves, Castelo, Conceição do Castelo, Domingos Martins, Marechal Floriano, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, Vargem Alta e Venda Nova do Imigrante, tem valores próximos de R$ 80 mil. E no sul do estado, em cidades como Alegre e Cachoeiro de Itapemirim, o hectare cai para aproximadamente R$ 56 mil quando o uso é para café.
Essa valorização não é por acaso. O Espírito Santo é hoje o maior produtor de café conilon do Brasil, responsável por aproximadamente 70% da produção nacional e por algo em torno de 20% da produção mundial. Além da escala, o estado investiu em tecnologia, pesquisa e manejo ao longo dos anos, o que transformou o conilon de um café visto como commodity básica para um produto com qualidade sensorial reconhecida.

Em 2021, o INPI inclusive concedeu Indicação Geográfica ao conilon capixaba, um marco importante para o setor. Segundo estimativas, a cadeia envolve cerca de 50 mil propriedades e 100 mil famílias, com apoio de estruturas organizadas como cooperativas, entre elas, a Cooabriel, considerada a maior cooperativa de conilon do país.
A valorização da terra não se limita ao café. Em outras partes do país, áreas rurais próximas a centros urbanos podem ultrapassar facilmente R$ 1 milhão por hectare, caso da Mogiana, em São Paulo, onde o valor chega a R$ 2,4 milhões.
Mas, olhando o Brasil como um todo, o valor médio nacional ficou em aproximadamente R$ 22,9 mil por hectare no fim de 2024, um aumento de mais de 28% em dois anos. Nesse intervalo, terras voltadas para pecuária foram as que mais subiram, com valorização acima de 30%, enquanto áreas de florestas plantadas e agricultura também avançaram.
De acordo com o Atlas, o ranking das regiões brasileiras com valor total médio dos imóveis rurais tem:
1º – Região Sul: média de valores na faixa de R$ 40 mil para cima por hectare;
2º – Região Sudeste: média entre R$ 35 mil e R$ 30 mil o hectare;
3º – Região Centro-Oeste: R$ 25 mil a média por hectare;
4º – Região Norte: entre R$ 15 mil e R$ 20 mil de média;
5º – Região Nordeste: médias abaixo de R$ 10 mil por hectare.
No Espírito Santo, a agropecuária é bem diversa. Além do café conilon e do arábica em regiões mais altas, o estado tem força na produção de mamão, banana, coco e na pecuária leiteira. A estrutura é formada, majoritariamente, por pequenas e médias propriedades familiares, que têm papel importante na economia e na vida rural capixaba. A mesma dinâmica que impulsiona a valorização, como a proximidade de portos e mercados, a diversidade produtiva e a organização cooperativa também convive com desafios, como áreas limitadas para expansão, relevo acidentado e eventos climáticos que podem interferir na produção.
A tendência no mercado capixaba é de continuidade na valorização, especialmente nas regiões cafeeiras consolidadas. Isso acompanha o bom momento dos preços internacionais e nacionais do café. Em 23 de janeiro de 2026, por exemplo, o arábica tipo 6/7 era negociado entre R$ 2.100 e R$ 2.300 em praças mineiras, enquanto o conilon operava próximo de R$ 1.280 por saca de 60 kg. A volatilidade segue alta, por conta do clima irregular e da oferta ajustada.
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