Café conilon: preços em alta e produção recorde no Espírito Santo. Crédito: Divulgação
Café conilon: preços em alta e produção recorde no Espírito Santo. Crédito: Divulgação

O Brasil exportou, em 2025, cerca de 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café para 121 destinos, o que representa uma queda de 20,8% no volume em relação a 2024. Apesar da redução, a receita cambial foi recorde, somando US$ 15,586 bilhões, alta de 24,1% na comparação anual. Segundo o Cecafé, esse desempenho foi consolidado pelas 3,133 milhões de sacas embarcadas em dezembro, volume 20,2% menor que o de dezembro de 2024, mas que gerou US$ 1,313 bilhão, crescimento de 10,7% em valor.

O café arábica permaneceu como principal produto da pauta, com 32,308 milhões de sacas, o equivalente a 80,7% do total embarcado, embora tenha havido retração de 12,8% frente ao ano anterior.

Na sequência aparecem o café canéfora (conilon + robusta), com 3,995 milhões de sacas e participação de 10%, seguido pelo solúvel, que somou 3,688 milhões de sacas (9,2%), e pelo segmento de torrado e torrado e moído, com 58.474 sacas (0,1%). O conilon apresentou forte retração de 57,3% nos embarques, enquanto o café solúvel caiu 10,6%.

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Mesmo com a redução no volume embarcado, a forte alta nos preços garantiu o resultado histórico. O preço médio da saca exportada subiu 56,7% em 2025, passando de US$ 248,36, em 2024, para US$ 389,17. 

A receita do arábica totalizou US$ 13,371 bilhões, enquanto o conilon somou US$ 1,078 bilhão e o café solúvel, US$ 1,099 bilhão. No primeiro semestre da safra 2025/26, o Brasil exportou 20,610 milhões de sacas, com receita de US$ 8,054 bilhões, resultado que representa queda de 21,3% em volume, mas alta de 11,7% em valor em relação ao período de julho a dezembro de 2024.

Para o presidente do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira, a redução já era esperada após o volume recorde de 2024. Ele afirma que os embarques do ano passado foram influenciados pelo esvaziamento de estoques, resultado de exportações excepcionais, somado a uma safra impactada por questões climáticas, o que limitou a oferta. 

Márcio Cândido Ferreira, presidente do Cecafé

Ferreira também aponta os efeitos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro. 

“Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, entre o começo de agosto e o fim de novembro – vale lembrar que o solúvel ainda segue taxado –, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas. Além disso, como a tributação sobre o café solúvel não foi retirada, o declínio nas exportações desse produto para os Estados Unidos continua se acentuando”, revela.

A logística portuária também pesou no desempenho do setor. A defasagem na infraestrutura para cargas conteinerizadas gerou prejuízos estimados em R$ 61,467 milhões aos exportadores até novembro de 2025, devido a custos adicionais com armazenagem, pré-stacking e detentions. De acordo com o Boletim Detention Zero, produzido pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios enfrentaram atrasos ou alteração de escala até novembro, o que fez com que, em média, 613,4 mil sacas por mês deixassem de ser embarcadas.

Mesmo com tantas adversidades, o Brasil registrou recorde em receita cambial, impulsionado pelo mercado internacional e pela valorização dos cafés brasileiros. 

“Tivemos médias mensais de preço maiores em 2025 e nossos cafeicultores, bem organizados, mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. Não à toa, somos a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, aponta.

Com o tarifaço, os EUA reduziram as compras de café do Brasil e deixaram a liderança do ranking

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos provocou mudanças importantes no ranking de destinos do café brasileiro. A Alemanha encerrou 2025 na liderança, com 5,409 milhões de sacas importadas, queda de 28,8% em relação a 2024 e participação de 13,5% sobre o total. 

Os Estados Unidos, tradicionalmente líderes, caíram para a segunda posição, comprando 5,381 milhões de sacas, recuo de 33,9% no ano, reflexo direto da tributação. A Itália ficou na terceira posição, com 3,149 milhões de sacas e queda de 19,6%, seguida pelo Japão, com 2,647 milhões de sacas e aumento de 19,4%. A Bélgica fechou o grupo dos cinco maiores, com 2,321 milhões de sacas e queda de 47%. 

Entre os dez principais destinos, apenas Turquia e China ampliaram as compras em 2025. A China, que encerrou o ano em décimo lugar, tem elevado seu consumo e tende a ampliar importações nos próximos anos.

Para 2026, o Cecafé projeta aumento nas exportações, embora o solúvel siga sob impacto das tarifas norte-americanas. Ferreira afirma que a característica bienal da produção tende a favorecer uma safra maior, o que deve garantir exportações acima de 40 milhões de sacas. A expectativa é de que os embarques ganhem força no segundo semestre, com o avanço da colheita da nova safra.

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Stefany Sampaio
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Colunista

Stefany Sampaio revela o universo do agronegócio capixaba de Norte a Sul, destacando dados, histórias inspiradoras, produtores e os principais acontecimentos do setor.

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