Café solúvel
Café solúvel

Mesmo diante dos impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o Espírito Santo segue como um importante exportador de café solúvel. Em 2025, o estado embarcou 424,7 mil sacas de 60 quilos do produto, o que representou uma queda em relação às 571,4 mil sacas exportadas em 2024. A receita, no entanto, praticamente se manteve estável, somando US$ 120,8 milhões, contra US$ 122,0 milhões no ano anterior.

A valorização do café no mercado internacional ajudou a sustentar o faturamento. O preço médio da saca de café solúvel exportada pelo Espírito Santo passou de US$ 213,63, em 2024, para US$ 284,58 em 2025.

Acompanhe o Folha Business no Instagram

Indonésia e Estados Unidos são os maiores compradores do café solúvel capixaba

Os principais destinos do café solúvel capixaba foram Indonésia, com 165,3 mil sacas, e Estados Unidos, com 146,2 mil sacas. Na sequência aparecem Argentina (27,2 mil sacas) e Turquia (17,8 mil sacas). Os dados são do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).

No cenário nacional, o Brasil exportou 3,867 milhões de sacas de café solúvel em 2025, queda de 10,6% em relação a 2024, quando os embarques somaram 4,126 milhões de sacas.

Para os Estados Unidos, principal mercado do café solúvel brasileiro, a retração foi ainda mais expressiva. As exportações capixabas para o país recuaram 29% em volume. Em 2025, foram enviadas 146,2 mil sacas, frente às 205,8 mil sacas embarcadas em 2024.

Segundo o vice-presidente do CCCV, Jorge Nicchio, o impacto do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos foi determinante para essa queda. “O ponto mais negativo foi o volume. O preço médio em 2025 foi maior do que em 2024, porque os preços já começaram o ano muito elevados. O problema é que o volume caiu bastante, principalmente por causa dos Estados Unidos, que mantêm até hoje a taxação de 50% sobre o café solúvel”, afirma.

Nicchio destaca que, apesar da redução nas sacas embarcadas, a receita obtida com o produto segue entre as maiores da história. “Isso mostra o peso da valorização do café, mesmo com a queda no volume exportado”, pontua.

O Espírito Santo abriga três grandes indústrias de café solúvel: a OFI (antiga Olam), a Café Cacique, adquirida em 2024 pela Louis Dreyfus Company, e a Realcafé. As unidades da OFI e da Cacique estão localizadas em Linhares, no norte do estado, enquanto a Realcafé opera em Viana, na Grande Vitória.

Esse conjunto de investimentos consolidou o estado como um dos principais polos de produção de café solúvel do Brasil. Ainda assim, boa parte da produção capixaba segue sendo exportada por portos de outros estados, o que reduz a competitividade.

“Nós temos potencial para exportar, no mínimo, 1 milhão de sacas de café solúvel por ano. O problema é que grande parte desse café sai daqui e precisa fazer transbordo em portos como Rio de Janeiro e Santos, o que encarece a operação e aumenta o tempo de transporte”, explica Nicchio.

Segundo ele, a falta de rotas diretas a partir do Espírito Santo faz com que o transporte até outros estados, acabe sendo a opção mais eficiente para os exportadores. “Quando o café sai de Santos ou do Rio, ele já segue direto para o destino final. A partir de Vitória, muitas vezes ele precisa trocar de navio, o que gera custo adicional e perda de competitividade”, observa.

Porto da Imetame surge como alternativa

Uma das apostas para mudar esse cenário é o Porto da Imetame, em Aracruz, que está em fase final de obras. Em janeiro deste ano, o CCCV e o Grupo Imetame firmaram um acordo de cooperação para viabilizar a exportação de café pelo novo porto.

O termo estabelece o entendimento de que a estrutura em implantação tem capacidade para atender à demanda de exportações do café brasileiro, tornando-se uma alternativa logística para o setor.

Para Nicchio, a expectativa é que o novo porto represente um divisor de águas. “Hoje, o Espírito Santo perde competitividade logística. Mas o Porto da Imetame surge como uma luz no fim do túnel. A tendência é que, a partir de 2027, com o porto operando plenamente, esse cenário comece a mudar”, avalia.

A cafeicultura capixaba tem forte vocação exportadora. O Espírito Santo é líder nacional na produção de café conilon, abriga indústrias relevantes de café solúvel e também produz café arábica. Ainda assim, enfrenta dificuldades históricas para exportar diretamente por seus próprios portos. A escassez de rotas marítimas a partir de Vitória eleva custos, alonga o tempo de trânsito e reduz a competitividade do produto capixaba no mercado internacional.

Leia também:

Stefany Sampaio
Stefany Sampaio

Colunista

Stefany Sampaio revela o universo do agronegócio capixaba de Norte a Sul, destacando dados, histórias inspiradoras, produtores e os principais acontecimentos do setor.

Stefany Sampaio revela o universo do agronegócio capixaba de Norte a Sul, destacando dados, histórias inspiradoras, produtores e os principais acontecimentos do setor.