Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior
Kennedy está preso preventivamente (Foto: Reprodução / Vídeo e Redes sociais)

O homem investigado por agredir o cabo da Polícia Militar Mariusom Marianelli Jacintho, com um cabo de PVC com base de concreto durante uma briga em um posto de combustíveis, em Vila Velha, fugiu para o interior do Espírito Santo após o crime. Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior foi preso.

A agressão ocorreu após uma discussão considerada banal. O policial militar, que estava de folga e desarmado no momento do ataque, foi atingido com golpes de um cano de PVC revestido de cimento e permanece internado em estado grave.

Segundo a delegada do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), Gabriela Enne, responsável pelas investigações, as equipes iniciaram as diligências imediatamente após a agressão, com o objetivo de identificar o autor e efetuar a prisão em flagrante.

Ainda de acordo com Gabriela Enne, os policiais tentaram prender o suspeito durante toda a madrugada, mas, ao chegarem à casa dele, constataram que ele havia fugido pouco antes.

“Fomos tentar realizar o flagrante de forma incessante durante toda a madrugada, mas, ao chegar na residência, descobrimos que ele tinha saído há pouco tempo”, disse.

A delegada explicou que o investigado seguiu para o interior do Estado, especificamente para a região Serrana, passando por mais de uma cidade.

Ele foi para o interior do Estado e, por meio do trabalho de inteligência, começamos a monitorar os deslocamentos. Identificamos que ele passou por algumas regiões do interior e por mais de uma cidade.

Gabriela Enne, delegada

Entenda o motivo da briga:

O suspeito foi ouvido após se apresentar voluntariamente à Delegacia de Homicídios, acompanhado de um advogado. Durante o interrogatório, que durou cerca de uma hora, ele relatou de forma detalhada como ocorreu a confusão que antecedeu o ataque.

De acordo com o depoimento, Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior estava em uma loja de roupas masculinas de sua propriedade, instalada em um contêiner no posto de gasolina, quando ouviu uma discussão entre a vítima e um funcionário de um lava-jato. A discussão teria começado após o policial urinar em uma área externa do estabelecimento.

A delegada destacou que, embora o ato da vítima tenha sido inadequado, o policial urinava em um local voltado para uma parede. Ainda assim, houve repreensão por parte de pessoas que estavam no local, incluindo o autor da agressão, o que resultou em troca de xingamentos.

Segundo a Polícia Civil, em determinado momento, o policial se afastou e passou a discutir à distância, próximo ao próprio veículo. Foi então que o suspeito se levantou, caminhou até um cano de PVC com base de concreto, que estava a cerca de cinco metros, e correu em direção à vítima, desferindo dois golpes — um na região da clavícula e outro na cabeça. O policial caiu ao solo imediatamente.

Na sequência, o irmão da vítima tentou afastar o agressor, e o filho do suspeito também interveio na confusão.

Durante o depoimento, o suspeito alegou que teria ouvido a vítima pedir uma arma à companheira, que estava dentro do carro. No entanto, essa versão não é confirmada pelas provas.

Nas imagens de videomonitoramento, inclusive ofertadas pelo próprio advogado do agressor, existem áudios e em nenhum momento foi possível ouvir a vítima solicitando essa arma.

Gabriela Enne, delegada

Após a agressão, a companheira do policial saiu do veículo com uma arma em punho. Segundo a delegada, a atitude ocorreu por medo de novas agressões.

Ela verificou que a vítima caiu ao solo e não levantava mais. Com receio de que ele fosse mais agredido, pegou a arma e apontou para as pessoas para afastá-las, com o objetivo claro de legítima defesa de terceiro.

Gabriela Enne, delegada

O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, delegado Daniel Fortes, reforçou que as imagens mostram de forma clara que apenas o suspeito praticou a agressão que deixou o policial gravemente ferido. Segundo ele, não há indícios de participação de terceiros no ataque.

Daniel Fortes também destacou a banalidade do motivo da briga, ressaltando que a situação poderia ter sido resolvida com o acionamento da Polícia Militar ou da Guarda Municipal. “Não cabe à população fazer justiça com as próprias mãos”, afirmou o delegado.

Durante o depoimento, ainda conforme a delegada Gabriela Enne, o suspeito demonstrou arrependimento e afirmou que, se pudesse voltar atrás, teria agido de outra forma. Segundo ele, a atitude foi impulsiva e tomada sem reflexão.

Durante a madrugada, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva, que foi decretada pela Justiça. Após tomar conhecimento do mandado de prisão, o homem decidiu se entregar espontaneamente no domingo (28).

Ele teve a prisão preventiva cumprida por tentativa de homicídio. As investigações continuam e o inquérito será encaminhado à Justiça após a conclusão das diligências.

*Com informações do repórter Paulo Rogério, da TV Vitória/Record

Leiri Santana, repórter do Folha Vitória
Leiri Santana

Repórter

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.