
O casal preso no município da Serra por usar um site falso para aplicar golpes na venda de armas de fogo e coletar dados pessoais das vítimas, ostentava uma vida de luxo no Espírito Santo. As prisões foram registradas nesta terça-feira (20), na Serra.
Homero Vieira de Almeida e a esposa Mayra dos Santos Silva mantinham ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), realizando negociações de forma direta com a facção criminosa no Estado, segundo a investigação.
O esquema criminoso enganava pessoas em diferentes estados do país, incluindo policiais, que acreditavam estar adquirindo armamentos de marcas renomadas e de procedência internacional de forma legal.
Homero, que é do Espírito Santo, já havia sido preso no ano de 2024 e usava uma tornozeleira eletrônica. Na época, ele ostentava um carro de luxo e movimentava mais de R$ 800 mil, mesmo assim, investigações continuaram no Estado.
Ele foi preso em 2024, por organização criminosa, passou alguns meses preso solto em 2025 e voltou a atuar da mesma forma. Ele abre sites para vendas de armas e as principais vítimas são policiais que compram as armas.
Gabriela Sanna, delegada adjunta da Polícia Civil
Além do repasse de dados pessoais para a facção, o grupo também é suspeito de praticar lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas.
A operação contou com a participação de 26 policiais civis. Equipes da Polícia Civil de São Paulo vieram ao Espírito Santo após identificar a presença do casal no Estado.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão. Inicialmente, o homem já estava preso, enquanto a esposa permanecia em liberdade, até o cumprimento da ordem judicial nesta terça-feira.
Os investigados serão interrogados e todo o material apreendido será periciado. A Polícia Civil não descarta novas prisões, já que há outros envolvidos identificados no esquema.
Site falso de venda de armas para atrair e roubar dados de policiais
Segundo o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, o esquema criminoso tinha atuação em diversos estados do país, e o casal era responsável pela articulação das fraudes no Espírito Santo e em outras regiões.
As investigações apontam que o golpe funcionava da seguinte forma: as vítimas, muitas delas policiais, eram atraídas por anúncios de armas de fogo de marcas renomadas e internacionais em um site falso criado pelo casal. Após o pagamento e o fornecimento de dados pessoais, o armamento nunca era entregue.
É um alerta importante, inclusive para os policiais, que também foram vítimas desse golpe. Além do prejuízo financeiro, os dados dessas pessoas eram repassados para a facção criminosa.
Fabrício Dutra, chefe do DEHPP
Além do repasse de dados pessoais para a facção, o grupo também é suspeito de praticar lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas. As investigações vão continuar para identificar outros envolvidos.
As defesas de Homero e Mayra ainda não se pronunciaram sobre as acusações. Os suspeitos serão ouvidos por equipes da Polícia Civil de São Paulo que acompanham a investigação no Espírito Santo.
*Com informações da repórter Suellen Araújo, da TV Vitória/ Record