Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior se entregou dois dias após agredir o cabo Mariusom Marianelli Jacintho. Fotos: arquivo pessoal.
Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior se entregou dois dias após agredir o cabo Mariusom Marianelli Jacintho. Fotos: arquivo pessoal.

A defesa do homem preso por agredir o cabo da Polícia Militar Mariusom Marianelli Jacintho afirmou que o suspeito não tinha a intenção de matar a vítima, apenas de imobilizar. A declaração está em nota enviada pelo advogado Anderson Burke, que defende Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior.

A agressão ocorreu na tarde da última sexta-feira (26), em um posto de combustíveis em Coqueiral de Itaparica, Vila Velha. O policial foi atingido por dois golpes com um cano de PVC com base de concreto e segue internado em estado grave. Kennedy fugiu do local.

Em seu depoimento à polícia, após se entregar, Kennedy alegou que foi ameaçado de morte por Mariusom durante a discussão. O desentendimento teria começado após a vítima urinar em uma parede no posto de gasolina.

Mariusom Marianelli Jacintho está em estado grave no hospital. Foto: Acervo pessoal

Ainda segundo a nota da defesa, o suspeito pegou um cano de PVC com base de concreto que era utilizado rotineiramente para organização do estacionamento com a intenção inicial de intimidar e afastar o cabo da PM do local. No entanto, ao se aproximar de Mariusom, Kennedy diz que teria ouvido uma ameaça de morte.

O objeto foi utilizado com o intuito exclusivo de intimidar e afastar Mariusom do local, para que a situação se encerrasse. Segundo afirma, no momento em que se aproximou, Mariusom afirmou: ‘você quer morrer?’ e mencionou a busca de uma arma no interior do veículo ao afirmar: ‘cadê minha arma?’ e se abaixou levemente para o interior do veículo, circunstância que gerou temor real e levou Kennedy a desferir dois golpes com a finalidade de imobilização, jamais com intenção de matar”.

Nota enviada pela defesa de Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior

A nota declara ainda que Kennedy parou a agressão assim que percebeu que Mariusom havia sido lesionado e “neutralizado”, e que não houve continuidade da agressão ou excesso, o que demonstraria, segundo a defesa, que não houve intenção de matar.

As imagens mostram o momento em que a esposa do policial militar empunha uma arma, logo após Mariusom cair devido à agressão.

O advogado afirma que esse fato confirma que “a menção à arma não era infundada” e explica o “estado de medo e tensão vivenciado naquele momento”.

Suspeito se arrependeu e pediu socorro, diz defesa

A nota afirma, ainda, que Kennedy se arrependeu imediatamente pela lesão que causou e acionou a Guarda Municipal para prestar socorro à vítima, mas Mariusom já havia sido levado para um hospital.

O texto apresenta uma justificativa para o fato de Kennedy ter fugido e ter levado dois dias para se entregar à polícia. Alega que a demora se deu por medo, desorientação emocional, desconhecimento jurídico por parte do suspeito e declara, ainda, que Kennedy temia ser vítima de linchamento.

Polícia diz que áudios não mostram ameaças

Após a coletiva de imprensa realizada pela Polícia Civil nesta segunda-feira, quando a delegada Gabriela Enne, do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), afirmou que os áudios das gravações da agressão contra o cabo Mariusom não trazem nenhuma fala da vítima com ameaças a Kennedy, a defesa do suspeito emitiu uma nova nota e afirmou que vai pedir perícia audiovisual do material.

O texto reitera a versão de Kennedy de que ele foi ameaçado de morte por Mariusom e afirma que houve um equívoco na análise feita pela polícia.

Sequer seria necessária a realização de perícia para constatar que, nos exatos momentos (hora, minuto e segundo) mencionados no interrogatório de Kennedy, constam em mais de um vídeo as seguintes verbalizações atribuídas a Mariuson:

– às 17h50min16s, a expressão “você quer morrer?”;

– às 17h50min24s, a expressão “cadê minha arma?”.

Essas falas ocorrem precisamente nos instantes indicados no interrogatório, o que reforça a coerência entre o relato do investigado e o conteúdo audiovisual apresentado exatamente nos momentos apontados.

Nota enviada pela defesa de Kennedy
Suspeito alega estar “consternado”

Nas duas notas enviadas pela defesa de Kennedy, o advogado destaca que o suspeito está entristecido, consternado e que tem orado pela recuperação de Mariusom.

“Kennedy manifesta que está, acima de tudo, consternado e entristecido com todo o acontecimento e em oração, junto de sua família e amigos, pela vida e pela plena recuperação de Mariusom, bem como em solidariedade aos seus familiares, com sentimento genuíno e sincero”, diz o texto.

Outro trecho de uma das notas afirma que o suspeito é publicamente conhecido como admirador e defensor das forças policiais, especialmente da Polícia Militar, e que no momento dos acontecimentos não tinha conhecimento de que Mariusom era policial, “o que reforça o caráter absolutamente fortuito do ocorrido”.

Entenda o caso e veja vídeo da agressão:

O caso aconteceu na tarde da última sexta-feira (26), em um posto de combustíveis em Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. Nas imagens é possível ver o cabo da PM, ao lado do seu carro, discutindo com três homens que estavam na porta de uma loja.

A briga teria sido motivada pelo fato de a vítima ter urinado no estabelecimento. Durante a discussão, o suspeito pega um cano de PVC com base de concreto e corre para cima do PM, desferindo dois golpes.

O cabo Mariusom cai no chão e seu irmão e o filho do suspeito chegam para separar a briga. As câmeras também registram o momento em que a mulher da vítima sai do carro e aponta a arma do cabo para os homens, ordenando que eles se afastem.

O policial foi encaminhado para o hospital, onde permanece internado em estado grave, segundo informações da Polícia Militar.

Patricia Maciel

Repórter

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.