
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vitória, arquivou a investigação sobre a morte do pintor Fernando da Silva Santos, de 33 anos, assassinado a tiros pelo soldado da Polícia Militar Wewerson Dias Quevedez, em Vitória. A decisão ocorreu após o juiz Enéas José Ferreira Miranda alegar haver dúvidas sobre a dinâmica do crime.
Entre os pontos destacados pelo magistrado estão contradições entre os depoimentos das testemunhas e as provas técnicas anexadas ao inquérito policial.
De acordo com a decisão da Justiça, há divergências sobre a posição da arma falsa que estaria com Fernando no momento da abordagem, além de inconsistências relacionadas à quantidade de disparos e à direção dos tiros que atingiram a vítima. Diante disso, o juiz havia determinado que o MPES reavaliasse o caso.
O MPES informou que se manifestou pelo arquivamento do inquérito policial instaurado para apurar a conduta do policial militar durante ocorrência registrada em novembro de 2025.
“Após a análise do conjunto probatório, o MPES concluiu que a atuação do agente se deu amparada pela excludente de ilicitude da legítima defesa, não havendo indícios de irregularidade. A instituição recebeu a decisão do Poder Judiciário e, após análise, ratifica a promoção de arquivamento, pelos mesmos fundamentos”, informou o MPES, por nota.
O MPES também informou que foi determinada a comunicação do arquivamento ao representante legal da vítima, ao investigado e à autoridade policial, com prazo regular para eventual recurso, conforme determina o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Morte após churrasco no bairro Grande Vitória
Fernando foi morto após um churrasco de família no bairro Grande Vitória, na região de São Pedro. A confraternização comemorava os aniversários do pai e do tio do pintor. Em determinado momento, um amigo da vítima se desentendeu com um homem que estaria sob efeito de álcool e drogas.
Testemunhas relataram que esse homem deixou o local, mas retornou com um facão, dando início a uma nova confusão. É nesse contexto que o soldado da Polícia Militar entrou na ocorrência.
Segundo o relato do próprio policial aos militares que atenderam a ocorrência, ele teria atirado em Fernando para se defender, alegando que o pintor estaria com uma arma apontada em sua direção. Outras testemunhas, no entanto, afirmam que o objeto era um simulacro e que estaria na cintura da vítima, não em suas mãos.
A irmã de Fernando reforça essa versão e afirma que três testemunhas disseram que o pintor levantou as mãos antes de ser atingido.
Polícia e Ministério Público defenderam legítima defesa
A Polícia Civil informou que o inquérito foi concluído e que a investigação apontou que a conduta do policial militar se enquadra em legítima defesa.
Segundo a corporação, testemunhas relataram que o agente se deparou com um homem portando um objeto semelhante a uma arma de fogo e que, após receber voz de abordagem, a vítima teria avançado em sua direção.
A polícia afirma ainda que os disparos foram necessários e que o policial acionou socorro imediatamente após o ocorrido. A família, porém, contesta a investigação e afirma que nem todas as testemunhas presenciais foram ouvidas.
Com base no inquérito, o Ministério Público do Espírito Santo se manifestou favorável ao arquivamento do caso, entendendo que não houve irregularidade na atuação do policial.
PM apura caso na Corregedoria
A Polícia Militar informou que instaurou um Inquérito Policial Militar, que segue em apuração na Corregedoria da corporação. A reportagem tentou contato com o soldado Wewerson Dias Quevedez, mas não obteve retorno.
Fernando deixou três filhos. Duas meninas presenciaram a morte do pai e atualmente fazem acompanhamento psicológico.
*Com informações do repórter Caio Dias, da TV Vitória/Record