Áudios revelam estratégias de movimento para articulação de nova greve da PM

Polícia

Áudios revelam estratégias de movimento para articulação de nova greve da PM

Quatro pessoas, apontadas pelo MPES como principais articuladoras do movimento que paralisou os trabalhos da PM no Estado no mês de fevereiro, foram detidas durante a operação 'Protocolo Fantasma'

Ângela e Cláudia foram detidas na Operação 'Protocolo Fantasma' Foto: Reprodução/ TV Vitória

Conversas telefônicas entre suspeitos de organizar a paralisação da Polícia Militar (PM) foram interceptadas pela Justiça. Para o Ministério Público Estadual, havia uma tentativa de uma nova manifestação. 

A operação do Ministério Público Estadual, chamada de ‘Protocolo Fantasma’ foi realizada para produzir provas e punir os responsáveis pelo movimento que impediu a PM de atuar no Espírito Santo, em fevereiro. 

Confira alguns trechos das conversas, divulgados pelo MPES:

Ângela: um só, um só tem que fechar um batalhão só. Vinte e quatro horas em um só pra dar um susto, que aí todo mundo vai aderir de novo, oh! As baratinha lá do primeiro, principalmente do primeiro, diz que as baratinhas entra oito horas da manhã

Claudia: e sai sete horas, né?! Eu sou a favor de fechar o primeiro que é menos violento.

Em outro trecho da conversa, a mulher identificada como Ângela e o soldado Matias dizem que os policiais militares não estão trabalhando. 

Matias: quem saiu perdendo nisso tudo aí foi a população né?! Porque... A polícia tá na rua mas não tá trabalhando.

Ângela: é verdade.

Matias: qual motivação que eles vão ter pra... pra fazer alguma coisa?

Ângela: nenhum, menino. A polícia tá na rua mas não tá trabalhando não, tá todo mundo de braço cruzado. Tá todo mundo com raiva já.

Ângela: vou falar por código. A maioria das pessoas estão querendo, estão querendo fazer um acordo, entendeu? (risos)
Matias: acordo?

Ângela: se associar.

Matias: ah tá. Hein, você tá aonde?

Ângela: oh, muita gente tá querendo. To em casa, cheguei ontem, cheguei agora de manhã e tem muita gente querendo, inclusive o daqui de casa tá querendo sair de lá e passar pra sua.

Matias: é mesmo

Ângela: é sério. Não é mentira não. Um monte de gente, Matias. Nós temos que começar a ver isso, meu filho. É agora, não é depois não. A gente tem que ver enquanto a panela tá fervendo, tá todo mundo com raiva. Eu sei articular muito bem isso. Isso aí eu sei, entendeu?

Matias: beleza.

Ângela: então você tem que puxar a sardinha agora pro seu lado mesmo. Já que estão falando, então vamos lá. É isso mesmo. "..."

Matias: o governador só tá, na verdade, o governador tá fazendo só meu "..." porque tá todo mundo mendigando, querendo que eu venha candidato a deputado estadual.

A assessoria da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) informou que a Polícia Militar apoiou o Ministério Público Estadual apenas no cumprimento de mandados de busca e apreensão. Disse ainda que estão prestando apoio às investigações do Ministério Público e que vão tomar as providências necessárias assim que as apurações terminarem. A equipe de reportagem do programa ES no Ar da TV Vitória/ Record TV tentou contato com os advogados de defesa do soldado Matias, da Ângela e da Cláudia, os citados na reportagem, mas não conseguiram contato. 

A frente dos Batalhões do ES foram bloqueadas por familiares dos PMs no mês de fevereiro Foto: ​Agência Brasil

Os detidos

As quatro pessoas apontadas como principais articuladoras do movimento que paralisou os trabalhos da Polícia Militar no Estado no mês de fevereiro, foram detidas durante a operação “Protocolo Fantasma”. De acordo com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), uma nova paralisação era programada para acontecer. 

Segundo o TJES, a juíza da 4ª Vara Criminal de Vitória, Gisele Souza de Oliveira, deferiu o pedido feito pelo Ministério Público Estadual (MPES), e autorizou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) realizasse o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão em vários municípios da Grande Vitória.

A ação, de acordo com o pedido do MPES, tem como principal objetivo a reprodução de provas para o processo criminal que visa identificar e punir os responsáveis pela estimulação dos movimentos que impedem os militares de atuar no Estado de forma regular. Ainda segundo o órgão ministerial, os relatórios de transcrição das conversas, juntados à petição protocolada na 4ª Vara Criminal, seriam a chave para descobrir de que maneira a suposta organização funciona.