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Morte de médica Milena Gottardi completa um mês. Relembre os fatos e os passos da investigação

Polícia

Morte de médica Milena Gottardi completa um mês. Relembre os fatos e os passos da investigação

Ela morreu após ser baleada quando saia do trabalho. Seis suspeitos de envolvimento no crime foram presos preventivamente

A morte da pediatra oncologista Milena Gottardi Tonini Frasson, de 38 anos, completa um mês neste domingo (15). Desde o episódio, as investigações apontaram e prenderam, de forma preventiva, seis suspeitos de participação no crime, dentre elas, o ex-marido da médica, Hilário Antônio Fiorot Frasson.

Milena foi baleada na tarde do dia 14 de setembro, no estacionamento do hospital onde trabalhava, em Vitória. Ela estava acompanhada de uma amiga quando foi baleada. De acordo com a testemunha, a vítima teria sido atingida por três disparos. O criminoso fugiu sem levar nenhum dos pertences das médicas.

Após passar por cirurgias e ficar em estado de coma, a médica morreu na tarde do dia seguinte, sexta-feira (15). A confirmação do óbito foi passado pelo hospital Unimed, onde ela ficou internada, que ainda informou que a morte ocorreu por edema cerebral difuso (por conta da extensão do dano), às 16h50.

Na ocasião, o secretário de Segurança Pública, André Garcia, afirmou que a principal linha de investigação que está sendo utilizada pela polícia é de crime de mando. No entanto, segundo o secretário, nenhuma outra hipótese estaria descartada. Na tarde do mesmo dia da morte, a Polícia Civil divulgou o retrato falado do homem que teria atirado na médica.

Na manhã do sábado (16/09), o celular do ex-marido da vítima foi apreendido pela polícia. O aparelho do ex-companheiro de Milena, que é advogado e policial civil, foi recolhido pelo titular da Delegacia Especializada em Homicídios Contra a Mulher (DHPM), delegado Janderson Lube, responsável pela investigação do caso.

Nesse mesmo dia, o corpo de Milena era velado por familiares e amigos no município de Fundão, onde foi realizado o enterro por volta das 18 horas. Muito abalados, eles preferiram não falar com a imprensa sobre o caso. O momento foi marcado por muita comoção e tristeza.

Enquanto o corpo da vítima era velado e sepultado, as equipes da Delegacia de Homicídios e Proteção a Mulher se empenhavam nas buscas pelo suspeito de atirar contra a médica, o que resultou na prisão de dois suspeitos de envolvimento na morte da médica. Na tarde do dia seguinte, domingo (17/09), a Polícia Civil voltou ao local do crime para fazer a reconstituição.

Durante as investigações, a Polícia Civil informou que, ao todo, seis pessoas participaram do assassinato de Milena: o ex-marido da vítima, o policial civil Hilário Frasson, e o pai dele, Esperidião Carlos Frasson, que atuaram como mandantes; o lavrador Valcir da Silva Dias e Hermenegildo, que foram intermediadores; Dionathas Alves Vieira, executor do crime; e Bruno Rodrigues, que roubou a moto usada no crime. Todos os acusados foram detidos.

Para cometer o crime, Dionathas teria pedido para um cunhado dele, Bruno, roubar uma moto. O veículo foi apreendido no sábado (16/09), em uma fazenda em Fundão. No mesmo dia, Dionathas e Bruno foram presos. O executor do assassinato disse a polícia que o crime foi planejado durante cerca de 25 dias. Valcir e Esperidião foram presos no início da manhã da quinta-feira (21/09) e Hilário, na parte da tarde

No dia 21 de setembro, foi divulgada uma carta registrada em cartório por Milena, em março deste ano, em que ela descrevia as ameaças que sofria do marido. No início de outubro, a polícia confirmou que a carta havia sido escrita por Milena.

Leia a íntegra da carta escrita por Milena.

Na carta, Milena também manifestava preocupação com as duas filhas do casal e deixava claro o desejo de que elas ficassem sob os cuidados dos seus familiares, o que já estava acontecendo desde a ocasião do crime. No dia 26 de setembro, irmão da médica conseguiu a guarda provisória das filhas dela. A informação foi confirmada pela advogada da família, Ana Paula Morbeck, que disse que a decisão protege as crianças, mas ainda podem haver desdobramentos e mudar os rumos da história.

Na última semana, foi divulgado um áudio gravado por Milena dias antes de morrer, em que ela revela o medo que sentia e as ameaças realizadas pelo ex-maridoNa gravação, a médica faz um pedido de socorro aos sogros. "Alguém aguenta? Uma mulher aguenta isso (nome da sogra)? Olha pra mim! É seu filho, mas olha a maldade no coração dele. Ele me queria a todo custo! Entendeu? Vocês sabiam disso!", dizia um trecho.

Na quinta-feira (11), foi prorrogada a prisão temporária dos seis acusados de participação no assassinato da médica. A decisão é do juiz da 1ª Vara Criminal de Vitória Marcos Pereira Sanches. Os suspeitos de envolvimento no crime tiveram a prisão prorrogada pelo prazo de 30 dias.

Um dos motivos para o pedido de prorrogação da prisão de Hilário é o medo que as testemunhas sentem dele e também porque ele infringiu o Código de Ética da Instituição Policial. Já em relação à Esperidião, pesa o fato de ele já responder por outros processos criminais, incluindo a suspeita de ter mandado assassinar uma cunhada.

O advogado de Dionathas e Bruno, Leonardo Rocha, alega que o pedido pode resultar no atraso da conclusão do caso. Ele afirma que vai entrar com pedido de revogação da prisão dos clientes. O advogado dos outros suspeitos disse que irá esperar a finalização do inquérito para traçar a linha de defesa.

Homenagens

Dentre as diversas homenagens prestadas à médica, o Governo do Espírito Santo determinou que o pronto-socorro infantil do Hospital Nossa Senhora da Glória, leve o nome da médica Milena Gottardi Tonini. O decreto foi publicado no Diário Oficial do Espírito Santo e entrou em vigor no dia 3 de outubro.

No dia 1º de outubro, centenas de pessoas participaram de uma passeata em homenagem a Milena e contra constante violência contra a mulher no Espírito SantoA caminhada, que aconteceu na Praia de Camburi, contou com a participação de familiares e amigos de Milena e outra vítimas de feminicídio e colegas de trabalho da médica. Vestidos de branco e carregando cartazes, faixas e balões brancos, os participantes bradavam por justiça e mais segurança para as mulheres capixabas.