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'Tenho receio fundamentado', diz secretário de segurança do ES sobre decreto para posse de arma

Política

'Tenho receio fundamentado', diz secretário de segurança do ES sobre decreto para posse de arma

O decreto foi assinado pelo presidente Jair Bolsonaro na última terça-feira (15), durante cerimônia no Planalto

Thaiz Blunck

Redação Folha Vitória
Foto: Agência Brasil

Após a assinatura do decreto que regulamenta o registro, a posse e a comercialização de armas de fogo no país, o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, Roberto Sá, comentou o assunto que levanta polêmicas na área da segurança e afirmou ter um certo 'receio' quanto a flexibilização.

"Eu tenho acompanhado a questão com muita curiosidade. Torço para que o resultado seja bom, mas tenho receio fundamentado. Minha experiência no Rio de Janeiro é dramática no ponto arma de fogo. Nos últimos 15 anos foram apreendidas cerca de 9 mil armas por ano. Na conta, dá uma média de uma arma por hora. O número de armas circulando tem sido um problema. Eu não estou fazendo uma crítica, até porque eu acho o princípio da autodefesa interessante, desde que seja amparado por leis e punições rigorosas", comentou.

O secretário destacou a necessidade de desarmar criminosos a afirmou que o foco deveria ser na redução de armas circulando nas ruas.

"Por outro lado, penso que temos que tentar, com mais prioridade, enfrentar e criar programas de desarmamento ao criminoso. Não sei se vamos conseguir desarmá-lo com mais armas nas casas. O policial que é treinado para usar arma de fogo, quando o criminoso tem a favor o fator surpresa, muitas vezes, acaba perdendo a vida. Será que o cidadão comum, mesmo treinado, vai conseguir evitar um crime dentro da própria casa? Eu torço para que a ideia de que o bandido, sabendo que o outro pode estar armado, pense duas vezes antes de cometer o crime, seja o resultado final. Mas me causa uma preocupação. Eu acho que o foco deveria ser na redução de armas circulando, que não seja nas mãos de agentes públicos, como policiais e, em alguns casos, magistrados", concluiu.

O decreto, que já era uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro, foi assinado na última terça-feira (15) pelo presidente, durante cerimônia no Palácio do Planalto. Após a assinatura, Bolsonaro disse, em discurso, que devolve à população a liberdade de decidir sobre a compra de armas de fogo. “Por muito tempo, coube ao Estado determinar quem tinha ou não direito de defender a si mesmo, à sua família e à sua propriedade. Hoje, respeitando a vontade popular manifestada no referendo de 2005, devolvemos aos cidadãos brasileiros a liberdade de decidir”, afirmou na cerimônia.

Propaganda
Um dia antes da flexibilização de posse de armas, usuários da Terceira Ponte foram surpreendidos por um outdoor de um clube de tiros. A mensagem, que convida consumidores a "atirar", tenta atrair pessoas interessadas em adquirir armas de fogo.

Foto: Internauta / Folha Vitória

A propaganda pode ser vista por quem desce a ponte em direção a Vila Velha. Com modelos segurando armas de grosso calibre, como escopetas e fuzis, o outdoor foi colocado um dia antes do decreto presidencial que flexibiliza a posse de armas.