
Ansiedade, cansaço mental e sensação de sobrecarga fazem parte da realidade de muitas pessoas. Ainda assim, há quem acredita que cuidar da mente exige mudanças complexas ou intervenções apenas em momentos de crise.
No entanto, hábitos diários como organizar a rotina, respeitar limites e buscar pausas conscientes são aliados importantes para manter o equilíbrio emocional e prevenir o esgotamento.
Por isso, neste Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à promoção da saúde mental e emocional, perguntamos a especialistas quais hábitos simples ajudam neste processo.
1- Invista em desenvolvimento emocional
Um aspecto importante é o desenvolvimento da consciência emocional e do autoconhecimento. “Ignorar emoções não as faz desaparecer. Pelo contrário, estudos em psicologia mostram que a repressão emocional aumenta a tensão interna e o risco de sofrimento psicológico”, pontua a psicóloga Lívia Flores.
Para aprender a nomear e compreender as próprias emoções, a especialista indica:
- Praticar a escrita reflexiva;
- Frequentar a psicoterapia;
- Praticar o mindfulness (atenção ao momento presente);
- Fazer pausas conscientes ao longo do dia.
2- Cultive relações de qualidade

Há pessoas com um grupo grande de amigos e outras menos sociáveis. Entretanto, independentemente do número de pessoas, a psiquiatra Karen Vasconcelos alerta para a importância de se cultivar relações sociais de qualidade.
O ser humano é biologicamente social. O isolamento prolongado está associado a maior risco de transtornos mentais, enquanto vínculos afetivos saudáveis funcionam como um forte fator de proteção emocional.
Médica psiquiatra e professora do Unesc, Karen de Vasconcelos
Para manter relações mais saudáveis, a especialista indica investir em relações baseadas em escuta, respeito e apoio mútuo. “Conversar, compartilhar dificuldades e sentir-se pertencente reduzem significativamente os níveis de estresse”, diz.
2- Garanta de 7h a 9h de sono por dia

Muitas vezes, a rotina atarefada acaba atrapalhando a regulação do sono. Entretanto, dormir é um dos pilares fundamentais no cuidado mental.
Segundo Karen, o sono não é apenas descanso. Ele regula emoções, memória, atenção e a capacidade de lidar com o estresse. “Estudos em neurociência mostram que a privação de sono altera o funcionamento de áreas cerebrais ligadas ao controle emocional, como o córtex pré-frontal e a amígdala”, explica.
“A recomendação é manter horários regulares para dormir e acordar, evitar telas antes de deitar e garantir de 7 a 9 horas de sono por noite”, afirma.
4- Coloque um limite nas redes sociais

Quantas vezes você acessou as redes sociais durante uma pausa de cinco minutos, mas acabou ficando horas à frente das telas? Essa não é uma experiência incomum, no entanto, pode ser muito prejudicial à saúde.
De acordo com a psicóloga Renata Bedran, “o uso excessivo de redes sociais pode aumentar comparação constante, sensação de inadequação, ansiedade e até sintomas depressivos.”
Podem ser sinais de que é hora de reduzir o uso de redes: irritabilidade após usar redes sociais, necessidade constante de checar o celular, dificuldade de concentração, queda da autoestima e sensação de cansaço mental mesmo sem esforço físico.
5- O lazer não pode ser negociável

Trabalho, estudos, família, casa… muitas vezes essas coisas tomam tanto tempo da nossa vida que um dos pilares essenciais para a saúde mental, acaba sendo deixado de lado: o lazer.
“O lazer permite que o cérebro saia do modo de produtividade constante. Sem pausas, o corpo até continua, mas a mente começa a falhar. O esgotamento mental geralmente nasce da falta de espaços de respiro”, explica Bedran.
No entanto, é preciso destacar que tempo de lazer não é passar horas nas redes sociais. Leitura, ouvir música, atividades ao ar livre ou sair com os amigos são alguns exemplos de momentos de lazer.
6- Alimentação e exercício não ajudam apenas a saúde física

Muitas pessoas associam a alimentação e os exercícios apenas à saúde física. Entretanto, ambos também têm um papel fundamental na saúde mental.
“Alimentos saudáveis — frutas, legumes, verduras e carnes — são essenciais para a produção dos neurotransmissores, para a redução da inflamação sistêmica e para a manutenção de uma microbiota intestinal sadia”, Explica Karen Vasconcelos.
Além disso, Renata Bedran explica que movimentar o corpo ajuda o cérebro a “descarregar” o excesso de estresse acumulado. Não precisa ser algo intenso: regularidade é mais importante do que intensidade.
“O exercício físico funciona como um ansiolítico natural. Ele estimula a liberação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina, que ajudam a regular o humor e a reduzir a tensão emocional”, complementa.