
A amigdalectomia, ou cirurgia de retirada das amígdalas palatinas, é um dos procedimentos mais antigos e comuns da otorrinolaringologia. No entanto, suas indicações vêm sendo constantemente revisadas à luz das novas evidências científicas.
Se no passado a cirurgia era realizada de forma quase rotineira diante de infecções repetidas, hoje ela é indicada de maneira mais criteriosa, buscando equilibrar riscos e benefícios para cada paciente.
O que são as amígdalas?
As amígdalas fazem parte do sistema linfático e atuam como uma primeira barreira de defesa do organismo, especialmente nos primeiros anos de vida. Elas ajudam o corpo a reconhecer vírus e bactérias, participando da codificação de anticorpos pelo sistema imunológico.
Contudo, em algumas pessoas, as amígdalas deixam de exercer essa função protetora e passam a ser uma fonte de problemas. Isso pode ocorrer quando há infecções recorrentes, aumento exagerado de tamanho ou complicações que afetam a respiração e a qualidade de vida. Nesses casos, a amigdalectomia pode ser indicada.
Quando é preciso fazer a cirurgia de amigdalas
Atualmente, as principais indicações da retirada cirúrgica das amígdalas são:
- Infecção repetida das amígdalas
Geralmente causada por bactérias, leva a episódios frequentes de dor de garganta, febre, mau hálito e dificuldade para engolir, com sinais clínicos típicos (febre, placas nas amígdalas, adenomegalia cervical, cultura positiva para estreptococo) e tratamento adequado com antibióticos.
Em pacientes que não apresentam quadros frequentes mas tem infecções graves, abscessos periamigdalianos ou falta de resposta a tratamentos clínicos, o cirurgião também pode considerar a cirurgia.
- Aumento das amígdalas com obstrução respiratória
Essa é outra indicação frequente. Também pode haver roncos intensos ou pausas na respiração durante o sono, um quadro conhecido como síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS).
Nas crianças, a causa mais comum de apneia do sono é a hipertrofia adenoamigdaliana, ou seja, o crescimento exagerado das amígdalas e das adenoides. Nesses casos, a amigdalectomia, geralmente associada à adenoidectomia, melhora a respiração, o sono, o comportamento e até o desempenho escolar.
- Abscesso periamigdaliano
Abscesso periamigdaliano ou complicações infecciosas em que o pus se acumula ao redor da amígdala. Esse quadro pode causar trismo (dificuldade para abrir a boca), febre alta e dificuldade intensa para engolir ou falar.
Após o tratamento do abscesso, a amigdalectomia pode ser indicada em duas situações: Quando o paciente tem histórico de episódios recorrentes de amigdalite ou quando o abscesso foi muito grave ou bilateral, o que aumenta o risco de recidiva.
- Amigdalite crônica com halitose persistente
Amigdalite crônica com halitose persistente ou com presença de “massinhas” brancas e de odor desagradável (os cáseos amigdalianos). Esses resíduos resultam da descamação e acúmulo de restos celulares nas criptas das amígdalas, podendo causar mau hálito persistente, gosto ruim na boca e sensação de corpo estranho na garganta, com prejuízo social.
Quando o tratamento clínico e medidas de higiene local não são suficientes para controlar o problema, a amigdalectomia pode ser indicada para eliminar a fonte do odor e melhorar o bem-estar do paciente.
- Suspeita de tumor ou assimetria amigdaliana
Suspeita de tumor ou assimetria amigdaliana, ou seja, uma é visivelmente maior que a outra. Nesses casos, pode haver suspeita de tumor. Embora a maioria dos casos seja benigna, é essencial investigar para excluir linfomas ou carcinomas.
Nessas situações, a amigdalectomia tem caráter diagnóstico e terapêutico, permitindo a análise histopatológica do tecido e, se necessário, o início precoce do tratamento oncológico.
Há ainda indicações mais raras, como:
- Focos infecciosos de origem amigdaliana, em casos de febre reumática ou glomerulonefrite pós-estreptocócica recorrente;
- Dificuldade alimentar ou de fala causada por amígdalas muito volumosas;
- Infecções persistentes em pacientes imunossuprimidos, quando o tecido amigdaliano se torna um reservatório de microrganismos.
Características que precisam ser levadas em conta
As diretrizes atuais reforçam que a decisão pela cirurgia deve ser individualizada, levando em conta:
- Idade do paciente;
- Frequência e gravidade das infecções;
- Impacto na qualidade de vida (faltas escolares ou no trabalho, dificuldade para dormir, perda de peso);
- Risco cirúrgico e condições clínicas associadas.
O médico otorrinolaringologista é o profissional capacitado para avaliar todos esses aspectos, considerando não apenas a presença de sintomas, mas também o contexto clínico e as preferências do paciente ou da família.
A amigdalectomia é, em geral, um procedimento seguro, mas como toda cirurgia, tem riscos: sangramento, dor pós-operatória, infecção e, raramente, complicações anestésicas.
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O uso de técnicas modernas, como dissecção fria com bisturi, eletrocautério de baixa temperatura, além de cuidados rigorosos no pós-operatório, reduziram consideravelmente esses riscos. A maioria dos pacientes tem recuperação completa em cerca de 7 a 10 dias.
Quando bem indicada, a cirurgia proporciona melhora expressiva da qualidade de vida, reduzindo infecções, eliminando o ronco e restaurando o sono tranquilo e a respiração livre.