Imagem: Freepik
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Nos dias quentes, muitas pessoas só lembram de beber água quando a sede aparece. O problema é que a sede costuma ser um sinal tardio. Antes disso, o organismo já está operando com menor volume circulante, exigindo adaptações que nem sempre são inofensivas.

A desidratação, mesmo discreta, compromete atenção, disposição e bem-estar — e, em pessoas com fatores de risco, pode repercutir de maneira importante sobre o coração.

O impacto da desidratação no coração

Quando perdemos líquido pelo suor e não repomos adequadamente, o volume de sangue diminui. Para compensar, o coração acelera e aumenta o esforço de bombeamento, tentando preservar a perfusão dos órgãos.

A pressão pode cair, surgem tonturas e um mal-estar difuso. Em quem tem doença coronariana, insuficiência cardíaca, pressão baixa ou faz uso de diuréticos, essa combinação pode precipitar dor torácica, falta de ar e arritmias.

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Do ponto de vista técnico, a redução do volume intravascular leva à ativação de mecanismos neuro-hormonais — como o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o sistema nervoso simpático — que, a curto prazo, ajudam a manter a pressão. Porém, em alguns pacientes, esse “ajuste” aumenta a frequência cardíaca, favorece instabilidade pressórica e altera eletrólitos, especialmente sódio e potássio, podendo levar a descompensação cardíaca.

Como reconhecer os sinais

Reconhecer precocemente os sinais é decisivo. Desidratação costuma começar com:

  • Boca seca
  • Dor de cabeça
  • Cansaço acima do habitual
  • Tontura
  • Urina mais escura e em menor quantidade.

Câimbras são comuns. Sinais de alerta, como confusão, sonolência excessiva, palpitações intensas, desmaio, febre alta ou vômitos persistentes, exigem avaliação médica — sobretudo em idosos, crianças e pessoas com doença do coração.

Como prevenir

Prevenir é sempre a melhor estratégia. Hidratar-se ao longo do dia, planejar exercícios para horários mais frescos, usar roupas leves e evitar bebidas alcoólicas ou muito açucaradas ajuda o organismo a lidar com o calor.

Um ponto essencial: pacientes cardiopatas ou em uso de medicações que interferem na pressão devem discutir com o médico o plano de hidratação e possíveis ajustes terapêuticos.

No verão, não se trata apenas de “beber mais água”; trata-se de preservar estabilidade hemodinâmica, reduzir risco de descompensação e proteger o coração de sobrecargas desnecessárias.

Dra. Tatiane Mascarenhas Santiago Emerich

Clínica médica

Médica pela Escola de Medicina da Santa Casa de Vitória. Residência em Clínica médica pela Santa Casa de São Paulo. Residência em cardiologia e ecocardiografia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo. Titulo de especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Título em área de atuação em Ecocaridografia pelo Departamento de Imagem Cardiovascular - SBC. Presidente da SBC ES 2020/21. Caridologista e Ecocardiografista do Centrocor e CDC. @tatianeemerich

Médica pela Escola de Medicina da Santa Casa de Vitória. Residência em Clínica médica pela Santa Casa de São Paulo. Residência em cardiologia e ecocardiografia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo. Titulo de especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Título em área de atuação em Ecocaridografia pelo Departamento de Imagem Cardiovascular - SBC. Presidente da SBC ES 2020/21. Caridologista e Ecocardiografista do Centrocor e CDC. @tatianeemerich