
Nos dias quentes, muitas pessoas só lembram de beber água quando a sede aparece. O problema é que a sede costuma ser um sinal tardio. Antes disso, o organismo já está operando com menor volume circulante, exigindo adaptações que nem sempre são inofensivas.
A desidratação, mesmo discreta, compromete atenção, disposição e bem-estar — e, em pessoas com fatores de risco, pode repercutir de maneira importante sobre o coração.
O impacto da desidratação no coração
Quando perdemos líquido pelo suor e não repomos adequadamente, o volume de sangue diminui. Para compensar, o coração acelera e aumenta o esforço de bombeamento, tentando preservar a perfusão dos órgãos.
A pressão pode cair, surgem tonturas e um mal-estar difuso. Em quem tem doença coronariana, insuficiência cardíaca, pressão baixa ou faz uso de diuréticos, essa combinação pode precipitar dor torácica, falta de ar e arritmias.
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Do ponto de vista técnico, a redução do volume intravascular leva à ativação de mecanismos neuro-hormonais — como o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o sistema nervoso simpático — que, a curto prazo, ajudam a manter a pressão. Porém, em alguns pacientes, esse “ajuste” aumenta a frequência cardíaca, favorece instabilidade pressórica e altera eletrólitos, especialmente sódio e potássio, podendo levar a descompensação cardíaca.
Como reconhecer os sinais
Reconhecer precocemente os sinais é decisivo. Desidratação costuma começar com:
- Boca seca
- Dor de cabeça
- Cansaço acima do habitual
- Tontura
- Urina mais escura e em menor quantidade.
Câimbras são comuns. Sinais de alerta, como confusão, sonolência excessiva, palpitações intensas, desmaio, febre alta ou vômitos persistentes, exigem avaliação médica — sobretudo em idosos, crianças e pessoas com doença do coração.
Como prevenir
Prevenir é sempre a melhor estratégia. Hidratar-se ao longo do dia, planejar exercícios para horários mais frescos, usar roupas leves e evitar bebidas alcoólicas ou muito açucaradas ajuda o organismo a lidar com o calor.
Um ponto essencial: pacientes cardiopatas ou em uso de medicações que interferem na pressão devem discutir com o médico o plano de hidratação e possíveis ajustes terapêuticos.
No verão, não se trata apenas de “beber mais água”; trata-se de preservar estabilidade hemodinâmica, reduzir risco de descompensação e proteger o coração de sobrecargas desnecessárias.