
Nos últimos dias, muita gente se fez as mesmas perguntas ao assistir a um episódio amplamente repercutido na mídia. Convulsão é sempre epilepsia? Pode acontecer com qualquer pessoa? Foi grave? Tem risco de acontecer de novo? E, se eu presenciar algo assim, o que devo fazer?
Essas dúvidas são comuns. Convulsão assusta. E quando acontece diante de câmeras, como no caso do ator Henri Castelli, o impacto é ainda maior. Por isso, vale aproveitar o momento para esclarecer, sem alarmismo e sem mitos.
O que é convulsão?
Convulsão é um evento neurológico causado por uma descarga elétrica excessiva e desorganizada no cérebro. Essa descarga pode se manifestar de formas diferentes. Algumas pessoas apresentam rigidez muscular e movimentos involuntários em todo o corpo, com perda da consciência. Outras têm crises mais sutis, com olhar parado, confusão mental, dificuldade para responder ou comportamentos repetitivos por alguns minutos.
Nem toda convulsão é igual e nem toda convulsão é aquela cena intensa que muita gente imagina.
Uma das principais dúvidas é se convulsão significa, obrigatoriamente, epilepsia. A resposta é não. Epilepsia é uma condição caracterizada por crises recorrentes, sem um fator desencadeante imediato. Já a convulsão pode ser um evento isolado, provocado por uma situação específica. Muitas pessoas têm uma convulsão ao longo da vida e nunca mais apresentam outra.
Qualquer pessoa pode ter uma crise convulsiva?
Outra pergunta muito comum é se isso pode acontecer com alguém que nunca teve nada parecido antes. Pode, sim. Existem fatores conhecidos que aumentam o risco de uma crise convulsiva mesmo em pessoas sem diagnóstico neurológico prévio.
Falta de sono, estresse físico e emocional intenso, desidratação, esforço físico extremo, alterações metabólicas como queda de glicose ou de sódio, uso excessivo de álcool ou abstinência alcoólica estão entre os mais frequentes. Febre alta, especialmente em crianças, traumatismo craniano e algumas infecções também entram nessa lista.
Quando várias dessas condições se somam, como noites mal dormidas, cansaço extremo, pressão emocional e exigência física prolongada, o cérebro pode ultrapassar seu limite de adaptação. Isso não significa, automaticamente, uma doença neurológica crônica. Mas é um sinal de alerta que merece atenção.
Toda convulsão é grave?
Outra dúvida que surge é sobre a gravidade. Toda convulsão é grave? Nem sempre. Muitas crises são autolimitadas e se resolvem sozinhas em poucos minutos. O que define a gravidade não é apenas a cena em si, mas o contexto, a duração, a recuperação após a crise e se houve repetição.
Após uma convulsão, é comum a pessoa ficar sonolenta, confusa, desorientada ou com dificuldade para falar. Esse período faz parte do funcionamento do cérebro depois do evento e, em geral, melhora progressivamente. O problema é quando a pessoa não recupera a consciência, quando as crises se repetem ou quando há outros sinais associados.
O que fazer quando presenciar uma convulsão?
E talvez a dúvida mais importante de todas seja o que fazer na hora. A primeira atitude é manter a calma. O pânico leva a decisões erradas. Afaste objetos que possam machucar a pessoa e, se possível, proteja a cabeça. Observe o tempo da crise. Após o término, colocar a pessoa de lado ajuda a evitar engasgos com saliva.
Aqui vale reforçar algo essencial, porque ainda há muitos mitos:
- Não coloque objetos na boca
- Não tente segurar a língua
- Não contenha os movimentos
- Não jogue água no rosto
- Não ofereça comida ou bebida logo após a crise
Essas atitudes não ajudam e podem causar ferimentos, engasgos e complicações desnecessárias.
Na maioria das vezes, a convulsão termina espontaneamente. Mas há situações em que procurar atendimento médico imediato é fundamental. Quando a crise dura mais de cinco minutos, quando a pessoa não recupera a consciência, quando ocorrem crises repetidas, quando é a primeira convulsão da vida ou quando há queda com trauma importante, a avaliação médica não deve ser adiada.
É preciso investigar?
Mesmo quando tudo parece ter voltado ao normal, uma convulsão merece investigação. Entender o que aconteceu, identificar possíveis fatores desencadeantes e avaliar a necessidade de exames faz parte do cuidado. Ignorar o episódio ou tratá-lo como algo sem importância pode atrasar diagnósticos e orientações importantes.
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Falar sobre convulsão é falar sobre informação, prevenção e cuidado. O medo nasce do desconhecimento. A reação adequada nasce do entendimento. Saber reconhecer, agir com calma e buscar ajuda quando necessário faz toda a diferença.