Imagem: Freepik
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Abrir a boca e sentir um estalo. Mastigar e perceber dor “na articulação”. Bocejar e travar a mandíbula. Tudo isso é muito comum em pessoas com DTM (disfunção temporomandibular), um termo guarda-chuva para muitas alterações na articulação da mandíbula (ATM) e/ou nos músculos da mastigação.

O que muita gente não sabe é que a DTM raramente é “um problema só da boca”. Ela tem ligação com postura, hábitos diurnos, estresse, dor crônica — e também com sono.

Por que o sono entra nessa história?

Quando o sono é ruim, o corpo perde parte da capacidade de “consertar” microlesões musculares e de regular dor. Resultado: músculos ficam mais sensíveis, a tolerância à dor diminui e as crises podem piorar. Ao mesmo tempo, quem sente dor para mastigar ou falar pode dormir pior por desconforto. É um círculo vicioso clássico: dor piora sono e sono ruim piora dor.

Alguns estudos investigam a relação entre DTM e bruxismo do sono. Embora seja um tema controverso, pesquisas mostram que existe sobreposição em parte dos casos. Um estudo importante avaliou correlações entre bruxismo e DTM com métodos diagnósticos reconhecidos, sugerindo que a relação pode existir, mas não é igual para todo mundo. Os artigos também reforçam que o modo como se avalia o “bruxismo” influencia muito os resultados.

Sinais típicos de DTM

  • Dor ao mastigar ou bocejar
  • Estalos ou sensação de “areia” na articulação
  • Limitação para abrir a boca
  • Dor reflexa no ouvido
  • Dor de cabeça frequente (principalmente temporal)
  • Dor no pescoço e ombros (muito comum junto)
    O que costuma piorar DTM sem a pessoa notar
  • Apertar os dentes durante o dia (este habito esta fortemente associado a tensão e estresse)
  • Mastigar chiclete frequentemente
  • Roer unhas ou morder objetos
  • Dormir sempre de bruços pressionando a mandíbula
  • Estresse com tensão muscular constante

Tratamento que faz sentido (e o que é exagero!):

DTM não tem uma única solução “universal”. O tratamento costuma ser conservador e progressivo e individualizado:

  • Educação e controle de hábitos deletérios a saúde
  • Fisioterapia e exercícios orientados
  • Manejo da dor (quando necessário devem ser prescritos medicamentos)
  • Placa oclusal em casos selecionados
  • Técnicas de relaxamento e melhora do sono
  • Terapias minimamente invasivas com injeções intra-articulares

Cirurgias invasivas (artoscopia e discopexia) são indicados apenas para casos mais graves e que não respondem aos tratamentos conservadores.

O objetivo é reduzir dor, recuperar função e evitar crises. O acompanhamento e tratamento da doenças degenerativas das articulações devem ser realizados ao longo de toda a vida!

E se a pessoa também dorme mal?

Aí o tratamento precisa olhar para o sono: horários regulares, reduzir cafeína à tarde, diminuir telas à noite, controlar ansiedade. Se houver ronco e engasgos, vale investigar apneia, porque isso aumenta microdespertares e tensão muscular.

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Mensagem final: estalo na mandíbula pode até parecer inofensivo no começo, mas quando vem com dor e sono ruim, é um sinal de que seu corpo está pedindo cuidado. DTM tem tratamento — e dormir melhor faz parte dele. Procure um especialista e faça tratamento.

Dra. Martha Salim

Doutora em Cirurgia Bucomaxilofacial

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim