Imagem: Freepik
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A mistura de iogurte grego com biscoitos viralizou recentemente nas redes sociais, uma receita que os brasileiros apelidaram de “cheesecake japonês”. Mas não é de hoje que o principal ingrediente da sobremesa — o iogurte grego — faz sucesso no Brasil.

Mas será que o produto, conhecido por sua consistência mais cremosa, oferece vantagens à saúde? E como escolher um tipo nutricionalmente adequado? A seguir, veja o que nutricionistas indicam.

Teoria x prática

Em sua concepção original, o iogurte grego é obtido a partir da concentração do leite, com remoção de grande parte do soro. Com isso, ele tende a apresentar um maior teor de proteínas em comparação ao iogurte tradicional. Daí o motivo de sua textura mais cremosa e palatável.

Acontece que, segundo Mariana Del Bosco, nutricionista e membro do departamento de Obesidade Infantil da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), não existe no Brasil uma legislação específica que defina o que caracteriza um iogurte grego.

Então, essa acaba sendo uma denominação comercial utilizada pelos fabricantes, que podem chegar à consistência desejada com o uso de estabilizantes e outros aditivos.

Mariana Del Bosco, nutricionista

Em muitos casos, a cremosidade vem da maior quantidade de gorduras.

Como identificar o iogurte grego ideal

A nutricionista Glaucia Rodrigues, coordenadora de Nutrição do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que, para avaliar se um iogurte rotulado como “grego” é de fato saudável, é indispensável observar o rótulo — dando atenção especial à lista de ingredientes.

Ainda de acordo com Glaucia, muitos produtos vendidos como ‘gregos’ são, na prática, iogurtes comuns com adição de açúcar adicionado, espessantes, estabilizantes, aromatizantes e gorduras adicionadas, como creme de leite ou gordura vegetal. Nesses casos, eles não representam a opção mais equilibrada.

A especialista ressalta ainda que, apesar da imagem associada à saúde, muitas vezes o iogurte grego se encaixa na categoria de produto ultraprocessado. Em geral, esse grupo tende a ser rico em ingredientes críticos, como açúcar, sal e gordura, além de outros aditivos. Em revisão envolvendo quase 10 milhões de pessoas, o consumo excessivo desse tipo de produto já foi associado a 32 problemas de saúde.

O ideal, segundo as especialistas, é optar por um produto minimamente processado, com poucos ingredientes, preferencialmente apenas leite e fermentos lácteos, como Lactobacillus e Streptococcus, sem adição de açúcares, espessantes ou acidulantes.

Quanto mais ingredientes, menos saudável e menos fiel ao conceito original de iogurte grego o produto tende a ser”, resume Glaucia.

Os benefícios à saúde

Sendo minimamente processado, segundo Mariana, o iogurte grego pode ser consumido diariamente — desde que em um contexto alimentar equilibrado no geral —, especialmente por ser um alimento versátil e uma boa fonte de nutrientes.

Ele tem, por exemplo, proteínas, que são macromoléculas formadas por aminoácidos. Elas desempenham um papel essencial em diversas funções do corpo humano – atuam, por exemplo, na construção e reparação dos tecidos, na produção de hormônios e enzimas e na manutenção do sistema imunológico.

Mas esse grupo ficou conhecido mesmo por sua relação íntima com a saúde dos músculos, já que auxilia na prevenção da perda de massa muscular que acontece naturalmente com o envelhecimento. Outra vantagem do nutriente é sua capacidade de estimular a sensação de saciedade, o que pode ajudar no controle do peso.

Em geral, sugere-se o consumo de 0,8 grama por quilo de peso para sedentários e até 2 gramas por quilo para atletas, com ajustes específicos para idosos, gestantes ou para quem busca emagrecimento ou ganho muscular.

Outro componente valioso em um bom iogurte é o cálcio, um mineral imprescindível para preservar a saúde dos ossos e dentes. Quando o organismo não recebe uma quantidade suficiente desse micronutriente, começa a retirar o cálcio que está presente nos ossos — um processo capaz de enfraquecê-los. Isso é especialmente arriscado à medida que a idade avança, já que pode favorecer a osteoporose, doença que aumenta o risco de quedas e fraturas.