
Como médico ortopedista, todos os anos percebo que a chegada das férias de verão traz não apenas momentos de lazer e descanso, mas também um aumento significativo no número de acidentes ortopédicos.
A praia, que simboliza liberdade, diversão e contato com a natureza, pode rapidamente se transformar em cenário de lesões que deixam marcas físicas e emocionais quando cuidados básicos são negligenciados.
Lesões em situações “inofensivas”
Em meu consultório, é comum receber pacientes que se machucaram em situações aparentemente inofensivas. Um mergulho em água rasa, uma corrida na areia fofa, uma partida improvisada de futebol ou futevôlei, ou até mesmo uma caminhada descalço em terreno irregular.
A descontração típica das férias cria uma falsa sensação de segurança, fazendo com que muitos ignorem limites do próprio corpo ou subestimem riscos ambientais.
Um dos acidentes mais graves e frequentes nessa época envolve o mergulho em locais rasos ou desconhecidos. Já atendi jovens e adultos que sofreram fraturas graves, luxações e, nos casos mais extremos, lesões na coluna cervical com consequências neurológicas permanentes.
O impacto da cabeça ou do pescoço contra o fundo pode ser devastador, mudando vidas em questão de segundos. É importante lembrar: não conhecer a profundidade da água é assumir um risco desnecessário.
Cuidados com atividades físicas e quedas
Outro ponto de atenção são as atividades esportivas na areia. Embora a prática de exercícios seja saudável, a areia exige mais das articulações, músculos e tendões. Torções de tornozelo, lesões ligamentares no joelho e distensões musculares são extremamente comuns.
A ausência de aquecimento, o uso de calçados inadequados ou o excesso de esforço após meses de sedentarismo aumentam consideravelmente as chances de lesão.
As quedas também merecem destaque, especialmente entre idosos. Calçadões molhados, escadas escorregadias, pedras irregulares e até a própria areia podem se tornar armadilhas. Fraturas de punho, quadril e ombro são frequentes e, nessa faixa etária, podem significar perda temporária ou definitiva da independência. Muitas vezes, um simples descuido é suficiente para transformar férias em internações prolongadas.
Não posso deixar de mencionar os acidentes envolvendo esportes aquáticos, como surfe, stand up paddle e jet ski. O uso inadequado de equipamentos de proteção, a falta de experiência ou o desrespeito às regras básicas de segurança levam a fraturas, contusões e lesões na coluna. O mar impõe respeito, e ignorar suas condições é um erro que cobra seu preço.
Prevenção é o melhor tratamento
Como médico, acredito que prevenção é sempre o melhor tratamento. Pequenas atitudes fazem grande diferença: evitar mergulhos em locais desconhecidos, respeitar limites físicos, aquecer antes de atividades esportivas, usar calçados adequados e redobrar a atenção com crianças e idosos. No caso de esportes aquáticos, equipamentos de segurança e orientação profissional não são opcionais, são essenciais.
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As férias devem ser sinônimo de boas memórias, não de dor ou limitações. Aproveitar a praia com responsabilidade é um ato de cuidado consigo mesmo e com quem está ao nosso lado. Minha intenção ao compartilhar essas experiências não é alarmar, mas conscientizar. Afinal, como ortopedista, sei que muitas lesões poderiam ser evitadas com informação, prudência e respeito ao próprio corpo.
Que este verão seja lembrado por risadas, descanso e saúde — e não por gessos, cirurgias ou longos períodos de reabilitação