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Brasil é um dos países da America Latina que mais consome bebida alcoólica

Saúde

Brasil é um dos países da America Latina que mais consome bebida alcoólica

Pesquisa mostra que os jovens começam a beber cada vez mais cedo

Foto: Divulgação
Consumo de bebida entre jovens é socialmente aceita e o acesso está se tornando cada vez mais fácil. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está entre os países que mais consomem bebidas alcoólicas na América Latina. E os adolescentes são uma grande vítima desse problema. Os indicadores apontam que, com os passar dos anos, a idade de iniciação no consumo do álcool começa cada vez mais cedo e a quantidade e diversidade de bebidas, se torna cada vez maior.

O problema afeta tanto meninos quanto meninas, com o agravante de que parte deles poderá conviver com a dependência da bebida no futuro. Segundo a psicóloga Beatriz Silva Marques Rocha, a situação é muito preocupante porque além de socialmente aceita, o acesso dos jovens à bebida está cada vez mais fácil.

Ela reforça o uso precoce com a consequente dependência, lembrando que a bebida também é a porta de acesso para outras drogas. “Educação, informação e apoio familiar são as melhores ferramentas para a prevenção”, afirma ela.

Confira abaixo, o que diz a psicóloga sobre o alcoolismo na adolescência. 

Por que os jovens estão começando a ingerir álcool cada vez mais cedo?

Atualmente o uso de bebidas alcoólicas, além de aceito socialmente, por vezes é estimulado. Além disso, existe ampla oferta e facilidade no acesso e baixo preço. São diversos os fatores que podem desencadear o uso de bebidas alcoólicas por parte dos adolescentes, tais como propensão genética, transtornos mentais como depressão e ansiedade, conflitos familiares, necessidade de se sentirem pertencentes a um grupo, instabilidade decorrente das alterações ocorridas do período da adolescência, dentre outros.

Quais questões futuras podem ser acarretadas na vida das pessoas que começam a consumir bebidas muito cedo?

O álcool é uma substância psicoativa e, portanto, age diretamente sobre o sistema nervoso central (SNC). Na adolescência o SNC ainda está em desenvolvimento e, por isso, nesta etapa a pessoa fica mais suscetível a danos e consequentes comprometimentos como, por exemplo, o cognitivo, além disso, o uso abusivo de álcool pode ser fator de risco para a violência, o uso de outras drogas, acidentes automobilísticos, sexo sem uso de preservativo, dentre outros

De que forma a família pode ajudar a inibir o consumo precoce?

A informação e o diálogo dentro de casa são fundamentais. O adolescente precisa de um ambiente que possa acolhê-lo (sem julgar) com suas dúvidas, informá-lo sobre as consequências do uso do álcool além, é claro, do exemplo, já que as falas precisam condizer com as atitudes. Neste sentido, a escola também pode contribuir com debates sobre o tema. A educação e conhecimento são sempre será a melhor ferramenta de prevenção.

A possibilidade de se tornar dependente aumenta de acordo com a menor idade de início da ingestão?

Estudos apontam que quanto mais cedo o adolescente inicia o uso de bebidas alcoólicas, maior é a predisposição a dependência. Além disso, evidenciam que a bebida geralmente é a primeira droga a ser utilizada e seu uso excessivo pode desencadear a utilização de outras drogas.

Como identificar que o consumo começou a se tornar um problema de dependência?

Dependência é caracterizada, dentre outras coisas, pelo uso danoso da droga (embriaguez), perda de controle sobre a quantidade de bebida ingerida, negligência a tarefas e compromissos cotidianos e sintomas de abstinência quando se tenta evitar a bebida.

Qual o papel da família ao notar que o jovem caminha para a dependência? De que forma podem ajudar?

A pessoa dependente de drogas sejam elas ilícitas ou licitas como é o caso do álcool carecem de ajuda/tratamento profissional por se tratar de uma doença. Entretanto, na maioria das vezes o sujeito carece de auxílio para buscar e dar continuidade ao tratamento e neste sentido, o apoio da família e dos amigos tornam-se imprescindíveis.