Cerca de 1% da população apresente gagueira crônica

Saúde

Cerca de 1% da população apresente gagueira crônica

Foniatria auxilia no tratamento de sintomas que podem levar à gagueira

Foto: Divulgação

Pode não parecer, mas a gagueira é um problema que aflige centenas de milhões de pessoas em todo mundo. Estima-se que 1% da população apresente gagueira crônica e 5% já tenham sofrido com o transtorno durante pelo menos uma etapa da vida. 

Uma patologia da infância, a gagueira caracteriza-se pela alteração do ritmo da fala (que fica mais demorada), com tal frequência e intensidade, que prejudica a inteligibilidade da mensagem, gerando angústia tanto no falante quanto no ouvinte.

Por ser um problema que afeta a comunicação infantil, a gagueira pode ser tratada, com resultados promissores, pela foniatria, especialidade médica que diagnostica e trata distúrbios da maturação, da aprendizagem (inclusive fala, linguagem e leitura escrita) e do desenvolvimento (organização e adaptação). 

De acordo com o foniatra e otorrinolaringologista, Dr. Evaldo José Bizachi Rodrigues, o ponto de partida para a gagueira pode estar em qualquer falha que ocorra em algum dos elos da complexa cadeia de estruturas e funções envolvidas na comunicação oral.

A falha pode estar na dificuldade da pronta evocação de palavras, mas também na organização da ideia a ser transmitida, na programação dos movimentos a serem realizados pelos órgãos articuladores e até mesmo na falta de agilidade motora sincronizada das estruturas encarregadas de articular os sons da fala. "A falta de vigor do fole pulmonar para a produção da voz através das pregas vocais também pode ser considerada uma das causas do distúrbio", afirma Dr. Evaldo.

Conforme o médico, são todas alterações sutis que só podem ser detectadas por um especialista. Dr. Evaldo alerta que quanto mais precocemente forem diagnosticadas e tratadas essas falhas, menor a possibilidade de a gagueira manifestar-se. "Até os cinco anos de idade, 50% das gagueiras já se instalaram; até os oito anos, 90% e, até os 12 anos, 99%", destaca.

Dentre as características da gagueira estão períodos de boa fluência intercalados com surtos de má fluência, que tendem a ser tornar mais frequentes e duradouros com o passar do tempo. Isto porque o transtorno é reforçado pela insegurança que a criança sente ao se expressar oralmente. "Depois de instalada, podemos dizer que a gagueira se alimenta com as sensações de insucesso que se repetem no ato de comunicar. Este fato leva à ansiedade e à expectativa de fracasso a cada nova tentativa de falar. Isso vai minando a autoimagem e a autoestima", explica Dr. Evaldo.

Por meio de medicamentos que atualmente a foniatria dispõe, Dr. Evaldo afirma que é possível interromper o caminho que leva à instalação da gagueira e de tratar caso o distúrbio já esteja instalado, atenuando sua influência na interação social. Para isso, contudo, reitera o médico, é necessário que o diagnóstico clínico seja precoce. Nesse sentido, os familiares precisam estar atentos aos possíveis sinais apresentados deixando de lado as explicações folclóricas sobre a origem e como tratar a gagueira.