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Especial Mente e Corpo: Cuidado com fones de ouvido, eles podem causar surdez

ESPECIAL MENTE E CORPO

Saúde

Especial Mente e Corpo: Cuidado com fones de ouvido, eles podem causar surdez

Segundo a OMS, até 2050, mais de 900 milhões de pessoas terão perda auditiva incapacitante

Thaiz Blunck

Redação Folha Vitória
Foto: Pixabay

Na rua, no caminho para o trabalho, na academia ou até mesmo em casa, eles sempre estão presentes. Seja para ouvir música, assistir filmes ou jogar, os fones de ouvido ganharam um espacinho dentro das bolsas e também na vida de muitos brasileiros. No entanto, como tudo em excesso faz mal, até mesmo eles que parecem inofensivos, podem ser prejudiciais e causar sérios problemas de saúde, principalmente relacionados à audição.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), quase metade da população entre 12 e 35 anos, corre o risco de sofrer perdas auditivas irreversíveis por conta do uso inadequado de fones de ouvido. O número representa cerca de 1,1 bilhão de pessoas e é ainda mais preocupante no futuro: até 2050, mais de 900 milhões de pessoas terão perda auditiva incapacitante.

A médica otorrinolaringologista e professora da Multivix, Raphaella Simen, explica que o ruído excessivo é uma das principais causas de perda de audição. Tanto o uso de fones de ouvido, quanto a poluição sonora, provocada por barulhos de obras, máquinas, buzinas e motocicletas, podem interferir.

“A gente vive em um mundo muito barulhento, com muita poluição sonora e é comum sermos expostos no nosso dia a dia ao ruído de obras, de máquinas, buzinas e motocicletas. Além disso, temos um hábito muito comum que é o uso de fones de ouvido e temos que ficar muito atento porque isso pode influenciar realmente na nossa audição. Ele pode nos expor a um ruído excessivo, causando uma lesão nas células do ouvido, já que a fonte de som do fone fica muito próxima do nosso tímpano e isso potencializa o efeito nocivo do ruído. Desta forma, o processo de perda auditiva que começaria lá na frente, acaba começando antes e isso gera perda de audição mais precoce e mais grave. É importante destacar também que o fone tem aquele tipo de dentro do canal do ouvido que pode machucar e causar uma infecção local. É importante sempre dar preferência para aqueles fones que a gente consegue usar por fora do canal do ouvido.”

Professora da Multivix dá dicas para prevenir a perda de audição. Ouça!

A OMS define como audição normal a de pessoas que conseguem escutar, nos dois ouvidos, sons de até 25 decibéis ou mais baixos. O decibel (dB), é a unidade utilizada para medir o volume ou intensidade do som e o limite recomendado por especialistas para que a audição não seja prejudicada, é de 80 dB. Uma conversa, por exemplo, pode chegar em torno de 60dB. Já uma sirene de ambulância, tem entre 110 e 180 dB.  

Aliás, esse é um dos barulhos mais incômodos que presenciamos no nosso cotidiano. A também otorrinolaringologista e professora da Multivix, Raquel Azevedo, reforça que a poluição sonora, provocada por sons como esse, causa também estresse e ansiedade.

"A poluição sonora acaba causando o estresse, uma ansiedade e uma irritação por conta do desconforto que a gente tem com esses barulhos no ambiente. Quando a gente está exposto a ruídos muito intensos, a gente acaba tendo uma exposição em uma intensidade alta, que é acima de 80 decibéis. Essa exposição contínua, determina perda de audição, que a gente chama de perda auditiva induzida por ruído. A gente tem que proteger o nosso ouvido desses ruídos. O fone

ENVELHECIMENTO AINDA É A PRINCIPAL CAUSA DE PERDA DE AUDIÇÃO
Embora os fones representem uma grande ameaça à audição e também sejam grandes responsáveis pelo problema, a doutora Raphaella esclarece que a principal causa de perda auditiva continua sendo o envelhecimento.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
“Hoje em dia, a principal causa de perda auditiva é o envelhecimento. Com o passar da idade, as nossas células do ouvido vão envelhecendo também e vão ficando menos sensíveis aos sons. Isso geralmente começa a partir dos 45 anos, mas fica mais evidente a partir dos 70. Nesse tipo de perda de audição, começamos pela perda nos sons mais agudos, de alta frequência. Com o passar do tempo, vai se estendendo também para os sons de todos os tipos. Geralmente, o paciente que está nessa fase de perda de audição começa a perceber que não está falando no volume normal, relata que ouve o som mas não consegue entender o que está sendo falando, que está aumentando muito o volume da televisão para conseguir ouvir. A qualidade de vida está aí e a gente está conseguindo viver mais, então é muito importante que a gente saiba lidar com ela, saiba como prevenir e tratar.”

Outros fatores, como o uso de alguns medicamentos, infecções, traumas, ou até mesmo a genética, também podem influenciar na perda da audição, por isso é importante sempre ficar atento.

A gente tem outras causas importantes de perda de audição, que é o uso de medicamentos, realização de quimioterapia, infecções, traumas ou causas genéticas. Então é importante nunca usar medicação sem prescrição e quando tem casos de perda de audição na família, todos devem ficar mais atentos e fazer um acompanhamento com especialistas para vigiar essa audição, como ela está e fazer exames. 

RECURSOS PARA DISPOSITIVOS DE ÁUDIO SEGUROS 
Diante dos números alarmantes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Internacional de Telecomunicações (UIT) publicaram um novo padrão internacional para a fabricação e uso de dispositivos de áudio. O padrão recomenda que os dispositivos de áudio pessoais incluam:

01 - Função de “permissão de som”: software que rastreia o nível e a duração da exposição do usuário ao som, como porcentagem usada a partir de uma referência;

02 - Perfil personalizado, com base nas práticas do usuário e que os informa o quão seguramente (ou não) estão ouvindo. Além disso, dá pistas para a ação com base nessas informações;

03- Opções para limitar o volume, entre elas a redução automática do som e controle parental;

04 - Informações gerais orientações aos usuários sobre práticas de escuta seguras, tanto por meio de dispositivos de áudio pessoais quanto por outras atividades de lazer.