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Especial Mente e Corpo: o resgate da autoestima e esperança após o câncer

ESPECIAL MENTE E CORPO

Saúde

Especial Mente e Corpo: o resgate da autoestima e esperança após o câncer

Só em 2018, foram registrados 59,7 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, o que representa 29,5% em comparação com as outras tipologias

Thaiz Blunck

Redação Folha Vitória
Foto: Jullius Nascimento

Tudo parece caminhar bem. A vida, a rotina, a saúde... até que os primeiros sintomas começam a aparecer. Uma dor aqui ou ali, nem sempre é motivo de preocupação e, sem pensar na possibilidade de ser algo grave, pode ser resolvida em casa mesmo, com analgésicos. Mas quando o corpo começa a dar sinais de que algo está errado, a história muda e é aí que surge a angústia e a preocupação.

Foi assim com a jovem Ester Almeida, que descobriu o câncer aos 18 anos após perceber a presença de um linfoma em uma das axilas. A princípio, ela pensou que poderia ser apenas alguma alteração causada pelo uso do anticoncepcional e que o tratamento seria rápido, por meio de intervenção cirúrgica ou uso de medicamentos. Mas ao procurar um médico para fazer exames específicos, Ester recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin (LNH) e uma outra notícia inesperada: a gestação de dois meses.

“Eu descobri o câncer em maio de 2018 e, junto com ele, a minha gravidez. Quando conversei com o meu médico, ele me deu duas opções: tirar a criança e fazer o exame adequado ou continuar com a gravidez e fazer a quimioterapia, então eu decidi não fazer o aborto. Se Deus me deu, quem seria eu pra tirar? Fiz 6 sessões de quimioterapia até o fim de dezembro e em janeiro tive meu filho.”

Assim como acontece com a maioria  das mulheres que descobrem o câncer, perder o cabelo foi um dos momentos mais dolorosos para Ester. Mas bem no meio do caminho, al´ém do nascimento do filho, ela recebeu mais uma dose de autoestima e esperança para se recompor e seguir firme no tratamento. E deu certo! Hoje, aos 19 anos e com o pequeno Benjamin, de 2 meses, nos braços, ela está a um passo de vencer a luta.

Foto: Jullius Nascimento

“Logo depois que descobri, eu fiquei muito triste, desanimada e chorei muito porque meu cabelo era a minha paixão e tinha um cuidado todo especial com ele. Pra gente que é mulher, perder algo que é importante, esteticamente falando, é muito triste. Mas depois que meus cabelos caíram, me chamaram para fazer uma sessão de fotos e eu decidi ir. Foi esplêndido! A autoestima vai lá em cima, a gente se vê bem, bonita... É a coisa mais linda! Foi muito importante durante a minha trajetória porque quando descobrimos o câncer, a gente logo pensa no pior. Aí quando chegam pessoas especiais assim, querendo te ver bem e feliz, faz toda a diferença. Agora eu vou fazer os exames para saber se tem mais alguma coisa e se tiver, faço mais duas sessões de radioterapia e termino o meu tratamento. Se não tiver, o câncer já está curado.”

Conheça a história de Ester, diagnosticada com câncer aos 18 anos

A médica oncologista do Centro Capixaba de Oncologia (Cecon), Juliana Alvarenga, destaca que é comum o sofrimento durante o processo de perda do cabelo no tratamento oncológico. Segundo ela, a queda causa impactos na qualidade de vida e no bem estar, principalmente no caso das mulheres. 

"Para muitos pacientes, principalmente as mulheres, a perda do cabelo é mais devastador que o próprio tratamento em si, sendo um fator que impacta negativamente na qualidade de vida e bem estar. Sabe-se que 8% das mulheres escolheriam tratamentos menos efetivos contanto que eles não resultasse na perda capilar. Para alguns pacientes, o fato de ficar sem os cabelos, pode levar a uma imagem corporal negativa ocasionando crises de ansiedade e depressão."

Além de Ester, outras 4.860 mulheres foram diagnosticadas com Linfoma não Hodgkin em 2018. O número é preocupante, mas o alerta acende ainda mais forte quando se trata do câncer de mama, que continua sendo o tipo que mais acomete o público feminino. No mesmo ano, foram registrados 59,7 mil novos casos da doença, que representa 29,5% em comparação com as outras tipologias.

O médico oncologista clínico e mastologista do Centro Capixaba de Oncologia (Cecon), Roberto Lima, afirma que não existe uma forma de prevenção no caso do câncer de mama, mas o diagnóstico precoce da doença é fundamental para um bom resultado no tratamento.

Foto: Divulgação/Cecon

“A prevenção do câncer de mama não existe. O que acontece é que você faz a detecção precoce e consegue diagnosticar a doença em estágio inicial. Com isso, o índice de resultado é muito melhor. A faixa etária de maior incidência é dos 40 a 60 anos, mas também temos muitos casos em idades maiores porque as pessoas estão vivendo cada vez mais. O ideal é já procurar um médico a partir dos 40 anos, a não ser que a pessoa tenha história familiar importante, porque aí é recomendado que se comece mais cedo. Se tem algum parente de 1º grau que teve o câncer de mama aos 40 anos, por exemplo, o ideal é começar 10 anos antes, aos 30”.

TÉCNICA AJUDA A COMBATER A QUEDA DO CABELO
Como relatado, a queda do cabelo influencia muito no emocional dos pacientes oncológicos. Por isso, um procedimento que aumenta as chances de preservação dos fios nos processos de quimioterapia se transformou em um importante aliado em tratamento contra o câncer de mama. A técnica, chamada de Crioterapia ou Scalp Cooling, consiste no uso de um capacete revestido por um gel em temperatura de 4ºC, 30 minutos antes da infusão de quimioterapia. A touca é usada durante toda a aplicação e só é retirada cerca de uma hora e meia após a aplicação completa do medicamento. 

Foto: Divulgação / PaxMan

Com a técnica, é possível preservar até 70% do cabelo durante a quimioterapia. Para o médico oncologista clínico e mastologista do Centro Capixaba de Oncologia (Cecon), Roberto Lima, a novidade é uma boa alternativa, já que colabora também para a recuperação mais rápida dos fios. 

“A crioterapia foi uma coisa sensacional porque um paciente oncológico acorda de manhã, olha no espelho, vê que está sem cabelo e imediatamente já lembra da doença. Com a crioterapia, nós conseguimos a preservação de 70% ou mais do cabelo da mulher durante o tratamento. Além do mais, tem uma outra questão também, que é quando a pessoa termina o tratamento. Até o cabelo ficar do jeito que estava, demora bastante tempo. Já a recuperação daqueles que não foram preservados, acontece bem mais rápido.”

É importante destacar que o procedimento não é indicado para todos os casos. A médica oncologista da Cecon, Juliana Alvarenga, explica que a técnica é contraindicada para pessoas com cânceres hematológicos, metástase ou alergia no couro cabeludo.

"Essa técnica pode ser aplicada em pacientes diagnosticados com tumores sólidos que estejam realizando quimioterapia adjuvante ou paliativa, como os tumores de mama, ovário, próstata, entre outros. Mas o procedimento é contraindicado para o cânceres hematológicos (como leucemia e linfoma) e presença de metástases em couro cabeludo, alergia no couro cabeludo. Portadores de crioglobulinemia, doença da aglutinina fria e distrofia traumática ao frio também não devem fazer o procedimento."

ALIMENTAÇÃO É FUNDAMENTAL DURANTE O TRATAMENTO
Além da recuperação da autoestima e preservação do bem estar, uma boa alimentação também é essencial para garantir a qualidade de vida durante o tratamento. A nutricionista da  Royal Care, Ana Cecília Ferreira Mendes, afirma que os efeitos colaterais durante o processo podem levar à desnutrição ou até mesmo ao ganho excessivo de peso. 

"A terapia nutricional no paciente oncológico é primordial, visto que, em muitos casos, o tratamento pode trazer efeitos colaterais, como falta de apetite, náuseas, alteração no paladar ou alterações gastrointestinais. Isso leva ao consumo alimentar deficiente, à perda de peso, desnutrição e ganho de peso excessivo, que também pode ocorrer em algumas situações. De acordo com cada tratamento oncológico e sintomas apresentados pelo paciente, entramos com estratégicas para recuperar o estado nutricional e trazer qualidade de vida ao longo do tratamento."

A LUTA CONTRA O CÂNCER REGISTRADA EM FOTOGRAFIAS
Com o objetivo de oferecer às mulheres mais autoestima, esperança e alegria durante o tratamento contra o câncer, o fotógrafo Jullius Nascimento criou o "Projjeto Vida" e há dois anos registra um pouquinho de cada uma em fotos.

"São muitas mulheres diagnosticadas e percebi que havia uma autoestima baixa, porque o cabelo é tudo para elas. Então eu pensei em fazer algo voltado para recuperar isso e fazer com que elas enxerguem a beleza delas, que mesmo sem o cabelo, continuam sendo lindas e maravilhosas. Queria mostrar que a vida continua e que quanto mais elas estiveram bem, a recuperação será fácil."

PODCAST - CUIDADOS CONTINUADOS. OUÇA!