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Especial Mente e Corpo: com novo conceito, hospitais se tornam o 'lar' de pacientes crônicos

ESPECIAL MENTE E CORPO

Saúde

Especial Mente e Corpo: com novo conceito, hospitais se tornam o 'lar' de pacientes crônicos

Os chamados hospitais de transição tem como proposta oferecer aos pacientes um tratamento humanizado e diferenciado

Thaiz Blunck

Redação Folha Vitória
Foto: arquivo pessoal
Casamento realizado no Hospital Royal Care

Quando falamos em qualidade de vida e bem estar, a primeira coisa que vem à mente é saúde. Uma vivência tranquila, com bons hábitos, livre de doenças e, principalmente, bem longe de hospitais. Mas e quando surgem problemas de saúde que afetam o dia a dia e é necessário o atendimento médico integral, como preservar o conforto, a comodidade e as boas condições de vida?

Há 20 anos, a filha de Marisa Aparecida de Oliveira foi diagnosticada com esclerose múltipla. Sete anos depois, Renata, que hoje tem 43 anos, parou de andar. Ela ficou internada em um hospital geral por quase cinco anos, mas dona Marisa buscou um tratamento adequado para oferecer mais qualidade de vida a filha. 

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

"A doença passou para um grau de progressão bem mais agressiva e, com isso, ela  precisou de internações mais demoradas. Ficamos um bom tempo em um hospital, até que surgiu a oportunidade de transferir a Renata para o Royal Care. Aqui encontramos tudo o que o paciente de doenças crônicas, graves e acamados por muito tempo precisa. Um tratamento diferenciado, humanizado, zelo e ótima acomodação. Outro fator muito importante é a liberdade de horários para entrarmos, que é 24 horas. Penso que não é defeito nenhum termos algum problema de saúde, mas não podemos perder a dignidade e o direito de um tratamento diferenciado e de qualidade. Sei que dentro das condições impostas pela doença, de uma maneira muito peculiar, a Renata é feliz."

Recentemente, uma área reservada do hospital virou palco também para um  casamento. No dia 27 de novembro do ano passado, a irmã de Renata, Danielly, decidiu fazer uma cerimônia no local para que a irmã também pudesse participar de seu casamento. Coincidentemente, a data caiu no mesmo dia do aniversário de Renata e a comemoração, é claro, foi em dose dupla.

"Ela ficou muito mais alegre depois que a trouxemos para cá. Renata adora cantar, é apaixonada pelo Renato Russo e Legião Urbana. No hospital também tem musicoterapia e ela adora. Quando está muito quieta, sem nenhuma comunicação, é só começar a cantar que a alegria transborda."

Com foco na humanização e no acolhimento, o novo conceito de hospital proporciona aos pacientes uma estrutura tecnológica ideal para o tratamento, equipe multidisciplinar qualificada, formada por médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, farmacêuticos e psicólogos e o mais importante: a sensação de estar em casa.

Apesar de existir há cerca de duas décadas, não são muitos os hospitais que têm apostado no novo modelo. O médico geriatra e diretor clínico do Hospital Royal Care, Luiz Gustavo Genelhu, explica que o hospital de transição é mais comum em países de primeiro mundo, como Canadá, Austrália, Portugal e Espanha.

"O Royal foi criado para pacientes crônicos, que acabam se tornando moradores do hospital, mas em especial para os pacientes de transição, que são aqueles que passam por uma intercorrência aguda, fica muito tempo no hospital e quando vão pra casa, acabando indo sem orientação e sem treinamento. Então ele acaba reinternando. O hospital em transição recebe esse paciente que precisa ter estabilidade, mas que ainda não pode ir pra casa, aí nós colocamos a família responsável pelos cuidados, orientamos a dar banhos e colocar a sonda, por exemplo.”

O médico destaca que o trabalho consiste em mais de uma etapa: primeiro, o paciente é trabalhado através da humanização do atendimento, com a presença de familiares e até mesmo de animais de estimação. Depois, é realizada uma avaliação da equipe multidisciplinar do hospital.

"A gente vai tentar tornar a presença desse paciente dentro de um hospital, o mais próximo possível da sua casa, trazendo os familiares para o convívio diário, para participar das atividades do dia a dia, estimulando a presença de pets e o banho de sol. O segundo momento é através de uma ação integrada de toda a equipe multidisciplinar. Essa equipe atua de forma integrada desde a avaliação do paciente no hospital de origem, até durante o período de internação no hospital de transição. Com essa avaliação a gente consegue dizer para a operadora o período necessário que o paciente vai precisar ficar no nosso hospital. "


Foto: Divulgação

O hospital de transição também pode ajudar a resolver um grande problema da saúde no Brasil: a disponibilização de vagas. Segundo dados da Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP), 25% dos leitos brasileiros são ocupados por pacientes que não necessitam mais de cuidados intensivos. Além disso, entre 2010 e 2018, o número total de leitos passou de 435.793 para 415.009, o que significa uma redução de 20.784 ou 4,8%.  De acordo com a Federação Brasileira de Hospitais, no mesmo período, o número total de hospitais também sofreu decréscimo, passando de 6.907 para 6.820 em todo o território nacional. No Espírito Santo, atualmente, são 75 hospitais privados e 4.655 leitos rede privada. 

Além do Hospital Royal Care, o Programa de Assistência Domiciliar e Desospitalização da Medsênior, também oferece todo um suporte para os pacientes na volta para a casa. A enfermeira e coordenadora do Programa de Saúde da Medsênior, Pâmela Almeida Aguiar, explica que é feito um acompanhamento dos pacientes, tanto os que apresentam quadros de saúde mais graves, quanto os que não estão acamados.

"No Programa de Assistência Domiciliar e Desospitalização (PADD), a gente entende que não pode esperar ele sair de alta e chegar em casa, sem uma abordagem antes. Não podemos esperar ele cair de paraquedas em casa, então a gente vai até o hospital, conhece o paciente, a família e o plano de cuidados para que ele vá para casa com segurança. Assim, a gente garante que ele tenha continuidade no tratamento. No caso do paciente que não é acamado, nós temos o ambulatório de transição. Uma enfermeira e uma equipe médica acompanha a família nessa alta e nós deixamos um telefone de contato para que a família possa ligar e tirar dúvidas. Já no caso de um paciente que teve um AVC, por exemplo, é mais complicado para a família fazer essa transição. Então a gente vai lá e faz isso. O vínculo começa no hospital mesmo. "

A IMPORTÂNCIA DO HOSPITAL DE TRANSIÇÃO NO TRATAMENTO
A médica de família e professora da Multivix, Roberta Petrocchi, destaca que apesar de ser importante, principalmente no caso de doenças mais graves, a internação acaba causando um desconforto no paciente, o que gera estresse, angústia e acaba interferindo negativamente no tratamento.

“Sabendo que saúde é um completo bem estar físico mental e social e não apenas a ausência de doenças, a gente entende que o meio onde o indivíduo está inserido vai estar diretamente relacionado à condição de saúde dessa pessoa e é daí que surge a importância de reduzir o tempo de internação. O ambiente hospitalar é excelente e muito importante, principalmente no momento agudo de uma doença, mas apesar de todos os seus benefícios, ele gera angústia, tira a pessoa da rotina diária, do contexto familiar, do conforto. Isso vai gerando estresse, um humor mais deprimido e está diretamente relacionado com saúde. A tendência cada vez mais é que a pessoa fique internada no menor período de tempo possível e assim que tiver a estabilização, ela continua o seu tratamento através de um hospital de transição ou da desospitalização, que seria seguindo o seu tratamento em domicílio, com a prática do home care.”

Hospital de Transição: professora da Multivix destaca os benefícios. Ouça!

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O QUE SÃO OS CUIDADOS CONTINUADOS?
Uma outra alternativa para promover a qualidade de vida dos pacientes que estão em tratamento de doenças graves, são os cuidados paliativos. O Centro Capixaba de Oncologia (Cecon), conta com o serviço e o Núcleo de Cuidados Continuados é formado por uma equipe assistencial multidisciplinar, formada por médica paliativista, farmácia, nutrição, psicologia, enfermagem, serviço social e dentista.

A médica paliativista do Cecon, Carolina Sarmento, destaca que os cuidados  paliativos enfocam principalmente a qualidade dos dias de vida em detrimento da quantidade. Ao contrário do que muitos pensam, eles não são adotados apenas em casos de pacientes sem chances de cura ou ditos “terminais”, mas devem ser indicados para pacientes portadores de doença que ameace a vida em qualquer fase, inclusive quando do diagnóstico. 

“O objetivo dos cuidados continuados é promover qualidade de vida, alívio de sofrimento, conforto e melhor controle de sintomas para os pacientes que enfrentam uma doença que ameace a vida. Quanto mais cedo começa esse atendimento, melhor para o paciente, que ganha em sobrevida e qualidade de vida”, explica a médica.