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Especial Mente e Corpo: medicamentos em forma de doces são tendências da manipulação

ESPECIAL MENTE E CORPO

Saúde

Especial Mente e Corpo: medicamentos em forma de doces são tendências da manipulação

A manipulação de medicamentos oferece a possibilidade de transformar os remédios em balas de goma, sachês e até chocolate

Thaiz Blunck

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação

Imagina só se aquele antibiótico que você precisa usar durante o tratamento de uma sinusite por cinco dias, se transformasse em chocolate? E se, em um passe de mágica, o famoso xarope que as crianças nunca querem tomar, virasse balas de goma? Parece até coisa de filme, mas tudo isso já faz parte da nossa realidade e tem facilitado muito a vida de quem necessita de remédios para tratar problemas de saúde.

Lado a lado com a tendência da personalização, que se tornou um diferencial no mercado das grandes, médias e pequenas empresas, a manipulação de medicamentos vem ganhando cada vez mais espaço, inclusive entre os capixabas. De acordo com a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), existem 7.5 mil farmácias de manipulação no Brasil, sendo 4.3 mil na Região Sudeste e aproximadamente 200 no Espírito Santo. Entre 2014 e 2018, o número de lojas no país teve um aumento de 8,8% e, só no Estado, a média nesse mesmo período foi de 14,3%.

Mas afinal, o que difere os medicamentos manipulados dos convencionais, que encontramos nas prateleiras das drogarias? As possibilidades de adaptação! A atual presidente da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) no Espírito Santo e conselheira do Conselho Regional de Farmácia do Estado, Denise Martins Oliveira, explica que a grande diferença dos manipulados para os industrializados, é justamente a personalização e a viabilidade de adaptar o medicamento às necessidades do paciente.

“O industrializado tem uma fórmula específica desenvolvida e foi feita uma produção em alta escala na forma padrão, então é um produto de alcance de massa. No caso do manipulado, é um produto personalizado, individual, que leva em consideração as características e necessidades de cada paciente. A vantagem da manipulação é a questão da personalização e a gente fala de uma forma que vai desde a composição, de poder adequar a dose e até mesmo da forma farmacêutica daquele medicamento. O objetivo é garantir que a pessoa tenha uma boa adesão ao tratamento, porque às vezes o profissional faz um diagnostico e prescrição perfeita, mas o paciente não se adéqua ao medicamento prescrito.”

Os medicamentos manipulados são divididos em quatro grupos: os alopáticos, que podem ser compostos por fármacos ou fitoterápicos, os homeopáticos, os suplementos alimentares e os produtos dermatológicos de tratamento ou cosméticos. Dentro dessas opções, o paciente pode escolher ainda a melhor forma física, podendo ser líquida, sólida, semi-sólida e gasosa. A farmacotécnica e professora da Multivix, Fabiana Passamani, usa como exemplo o tratamento de uma criança, que pode ser facilitado com a medicação incorporada em chocolates ou balas de goma.

"A manipulação nada mais é do que preparar um medicamento específico para aquela pessoa. Ela permite que sejam feitas associações, doses precisas e diversas formas, de acordo com a necessidade do paciente. No caso de uma criança que não consegue tomar o remédio porque é amargo, por exemplo, dá para transformar em bala de goma dentro do processo de personalização. Essas opções a gente chama de formas farmacêuticas, como chocolate, gomas, sachês e a gente consegue incorporar a medicação para que o paciente possa aderir ao tratamento. O chocolate é zero de açúcar, não tem índice calórico e pode ser incorporado, por exemplo, em uma medicação que diminua a ansiedade.”

Conheça os benefícios da manipulação de medicamentos

Um outro ponto importante da manipulação destacado pela presidente da Anfarmag no Espírito Santo, é farmaeconomia. Denise enfatiza que, como os medicamentos são feitos individualmente para cada caso e exatamente de acordo com o tempo de duração do tratamento, não há sobra de remédios. No final das contas, isso evita que o paciente volte a usar por conta própria, sem a orientação médica.

“O produto manipulado é produzido de acordo com o período de tratamento do paciente, então não existe sobra. É importante não haver essa sobra porque as pessoas tem tendência a guardar o que restou para se automedicar de uma forma inadequada depois. Além disso, tem a questão ambiental também porque a sobra de um medicamento não pode ser descartada em um lixo comum, já que polui o meio ambiente. Então se não tivermos sobra nenhuma, estamos no mundo ideal."

O medicamento manipulado também é uma boa alternativa para pessoas que apresentam alergias e para aquelas que precisam tomar vários remédios por dia. Nesse caso, a professora da Multivix afirma que é possível associar os princípios ativos e, assim, ao invés de fazer o uso de três remédios por dia, por exemplo, será necessário apenas um. 

"A gente consegue adequar às demandas daquele paciente, tanto as que ele tem como alergia a um corante, alergia à lactose, por exemplo, a gente consegue remover do processo produtivo para aderir melhor ao tratamento, além de também criar novas alternativas. Outra vantagem é a da associação, que a gente consegue associar princípios ativos dentro de uma mesma fórmula farmacêutica para que o paciente não fique tomando vários comprimidos ao mesmo tempo. Além disso, conseguimos entregar ao paciente o que ele precisa.

COMO É PREPARADO UM MEDICAMENTO MANIPULADO?
É importante lembrar que assim como acontece na compra dos remédios industrializados em farmácias, os manipulados também só são feitos sob prescrição médica. O farmacêutico da Anfarmag, Vagner Miguel, explica como acontece o processo de manipulação.

"Sempre um médico avalia o seu paciente e faz a prescrição. Nela, ele indica qual é a composição, qual é a dose, como deve ser tomado e outras características daquele medicamento. Essa receita é levada até a farmácia e chegando lá o farmacêutico vai começar a fazer a sua avaliação. Ele vai avaliar se existe algum tipo de interação que não é benéfica, se existe alguma incompatibilidade entre as substâncias que foram prescritas, se as dosagens estão corretas e outros dados. Então ela vai para dentro do laboratório e o pessoal que está lá dentro já está treinado e habilitado e começa a fazer essa preparação." 

E OS REMÉDIOS CONVENCIONAIS, COMO CHEGAM ÀS FARMÁCIAS?
O farmacêutico e mestre em fisiologia da Multivix, Antonio de Melo Junior, esclarece que o processo de produção de um remédio industrializado envolve uma série de etapas. Primeiro, é necessário encontrar um potencial terapêutico em uma determinada molécula. Depois, são realizados os testes em humanos e animais. Se aprovado, o medicamento é produzido e distribuído. 

"Para a caixinha chegar lá, é necessário que vários testes e estudos sejam realizados. É necessário que se descubra uma molécula e ela precisa ter potencial terapêutico. Ela precisa ter habilidade de sarar e de curar determinada doença. Logo em seguida, iniciam-se estudos em humanos, animais e a partir disso, o medicamento é liberado. Os estudos levam em consideração a toxicologia da molécula, a absorção e toda a parte dinâmica dessa molécula. E aí, no fim das contas, o medicamento chega com muita segurança nas prateleiras das farmácias"

AS FORMAS DOS MEDICAMENTOS MANIPULADOS

- Cápsulas: Podem ser gelatinosas (a base de colágeno) ou vegetais (para pessoas com restrição ou veganos;

- Comprimidos orodispersíveis e sublingual: que se desintegram rapidamente na boca;

- Balas de goma e chocolate: indicados para facilitar o tratamento de crianças;

- Pó para preparos extemporâneo/Sachês: para dissolução em água;

- Líquidos: xarope, solução ou suspensão; 

- Espumas, sabonetes ou shampoo: geralmente são usados em tratamentos dermatológicos

- Cremes, gel, loção cremosa: feitos de acordo com o tipo de pele do paciente

- Biscoitos para animais: com aromas que facilitam a ingestão 

- Supositórios: destinados à inserção em orifícios corporais