Coronavírus atinge crianças de forma diferente mas pode levá-las à óbito

Saúde

Coronavírus atinge crianças de forma diferente mas pode levá-las à óbito

Pediatra orienta sobre cuidados na nutrição com pacientes infantis diagnosticados com covid-19

Foto: Divulgação

Em decorrência do novo coronavírus, muitos questionamentos surgem a cada dia.  A infecção causa uma síndrome gripal predominantemente respiratória e pacientes com mais de 60 anos e portadores de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e hipertensão são considerados grupos de risco. Entretanto, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a doença pode afetar crianças e jovens, e em casos mais graves, levar à óbito.

Um grupo de pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida, nos EUA, publicou em abril na revista científica Journal of Public Health Management & Practice um estudo no qual estimam que para cada criança com a covid-19 que precise de cuidados intensivos, existem aproximadamente 2,3 mil infectadas pelo vírus. 

Os pesquisadores estimaram que naquela data existia mais de 176 mil crianças infectadas nos EUA, uma vez que os registros americanos indicam que 74 crianças precisaram ser internadas em UTIs pediátricas. Quase metade dos hospitalizados (46%) tinha entre 12 e 17 anos. O tempo médio de permanência dos pacientes com menos de 18 anos nos hospitais, segundo o estudo, foi de 14 dias.

Em comparação com adultos, o sistema imunológico de uma criança, principalmente nos primeiros anos de vida, ainda está em tempo de formação e estruturação. Na idade escolar, frequentando creches ou escolas, elas ficam expostas a novas infecções respiratórias e incrementam progressivamente sua memória imunológica contra agentes infecciosos. Embora a ocorrência de casos graves de covid-19 em crianças tem sido muito menor do que em adultos com doenças crônicas ou idosos, quando se trata da imaturidade imunológica do primeiro ano de vida de uma criança, isso nos faz pensar que esta seria uma idade de risco, porém, não é o que tem sido evidenciado em todo o mundo.

De acordo com Prof. Tulio Konstantyner, pediatra que atua na área de Nutrologia e coordenador científico da Força-Tarefa de Nutrição da Criança do International Life Sciences Institute (ILSI Brasil), no caso de criança ou jovem que testa positivo para a covid-19, além do acompanhamento médico, a orientação nutricional é uma boa alimentação, que forneça a quantidade de macro e micronutrientes necessários para a manutenção das funções orgânicas, inclusive do sistema imune, de acordo com as recomendações de ingestão diária para a respectiva faixa etária.

Além disso, "manter a hidratação adequada com o oferecimento frequente de água e o aleitamento materno normalmente para aquelas crianças em amamentação", orienta o pediatra.

Mais especificamente, Prof. Tulio destaca a importância dos efeitos benéficos do estado nutricional adequado de vitaminas (A, C e D) e minerais (zinco e selênio) na manutenção do sistema imune competente, protegendo as mucosas respiratórias e gastrintestinais, regulando a inflamação, agindo como antioxidantes, garantindo a geração de anticorpos específicos ou fortalecendo células de defesa.

Em relação à prevenção e medidas de segurança para proteger as crianças da infecção pelo novo coronavírus, Prof. Tulio recomenda que as ações adotadas devem ser as mesmas para toda família. "Lavar as mãos com frequência, evitar levá-las a boca, nariz e olhos, limpar superfícies e objetos de contato frequente com soluções que inativam os vírus e permanecer em isolamento social o quanto for possível", reforça ele.

Além disso, o professor alerta para o risco de inatividade física, resultante do isolamento social, e de sobrecarga calórica, resultante do consumo de alimentos prontos e de baixo valor nutricional, que pode ocorrer de forma inadvertida pela falta de tempo de preparar alimentação saudável. Tal cenário pode levar gradativamente ao excesso de peso e complicações funcionais e metabólicas com consequências a saúde a médio e longo prazo.