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Saiba mais sobre câncer de bexiga e de próstata, como o de Beto Barbosa

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Saúde

Saiba mais sobre câncer de bexiga e de próstata, como o de Beto Barbosa

O câncer de bexiga não é prevenível, mas pode ter o risco reduzido evitando o tabagismo; já o de próstata conta com exame de rastreio a partir dos 45 anos

Gabriela Lisbôa, do R7

O cantor Beto Barbosa, 63, conhecido pelo hit Adocica e outros sucessos da lambada do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, revelou nesta sexta-feira (24) que está com câncer de bexiga e próstata. "Meu primeiro dia de quimioterapia. Super confiante na equipe do Dr. Fernando Maluf e o nosso poderoso Deus. [...] Os shows irão continuar", escreveu o artista em seu perfil no Instagram. A publicação já teve mais de 2 mil curtidas e 500 comentários de apoio.

O câncer de bexiga é mais comum em homens. A estimativa do Inca (Instituto Nacional do Câncer) é que sejam diagnosticados 9.480 novos casos em todo o Brasil este ano, sendo 6.690 em homens e 2.790 em mulheres. Há três tipos de câncer que começam nas células que revestem a bexiga: o carcinoma de células de transição, que representa a maioria dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga; o carcinoma de células escamosas, que afeta as células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongadas, e o denocarcinoma, que se inicia nas células glandulares (de secreção) que podem se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação.

De acordo com o oncologista André Fay, chefe do Serviço de Oncologia do Hospital São Lucas da PUC-RS, o principal fator de risco é o tabagismo, responsável por 65% dos casos. “O tabagismo aumenta em três vezes a chance de desenvolver um tumor de bexiga”, afirma. “Após inaladas, as substâncias químicas presentes no cigarro entram na corrente sanguínea e são filtradas pelos rins. Quando a urina chega à bexiga, alguns componentes químicos do cigarro ainda estão presentes, contribuindo para danificar as células da região” explica.

Fay ressalta que os principais sintomas de alerta são sangue e espuma na urina, dor ao urinar e episódios frequentes de infecção urinária. “É importante salientar que os sintomas do câncer de bexiga podem ser confundidos com outras enfermidades menos graves, por isso todos os sinais de alerta não devem ser ignorados e precisam ser investigados por um especialista” afirma. É comum que os pacientes só sejam diagnosticados quando a doença já está avançada, o que traz limitações ao tratamento.

Em tumores de bexiga, a média de idade para o diagnóstico é aos 70 anos, faixa etária em que o tratamento tradicional com quimioterapia por vezes não é considerado mais uma opção segura, seja pela idade avançada, seja pelas condições clínicas associadas, segundo o oncologista. Nesses casos, o tratamento com imunoterápicos vêm se mostrando uma alternativa promissora. Esse tipo de tratamento estimula o próprio sistema imunológico do paciente a atacar as células cancerosas.

Já o câncer de próstata é o segundo mais comum entre homens no país, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer). Mais de 68 mil novos casos devem ser diagnosticados este ano.

Segundo o oncologista Andrey Soares, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), casos familiares de pai ou irmão com câncer de próstata, antes do 60 anos de idade, podem aumentar o risco em 3 a 10 vezes em relação à população em geral. "Esse tipo de câncer afeta somente os homens, já que é uma glândula que faz parte exclusivamente do aparelho reprodutor masculino. Parentes de primeiro grau com tumor de próstata, em idade jovem são fatores de risco. Em alguns casos, apesar de discutível, a má alimentação pode ser um fator que aumenta as chances de a doença se desenvolver", explica.

Os primeiros sintomas, quando aparentes, são dificuldade para urinar seguida de dor ou ardor, gotejamento prolongado no final e frequência urinária aumentada durante o dia ou à noite. Em fases mais avançadas da doença, há presença de sangue no sêmen e impotência sexual, além de sintomas decorrentes da disseminação do câncer para outros órgãos, como dor óssea, no caso de metástase óssea.

Existe exame de rastreio para o câncer de próstata. É recomendável que homens a partir de 50 anos - e 45 anos para quem tem histórico familiar da doença - façam o exame clínico (toque retal) e o PSA anualmente, para rastrear o aparecimento da doença.

O PSA é uma proteína especifica produzida pelas células da glândula, presente apenas em homens e cuja taxa, em média, deve ser de quatro nanogramas por mililitro. Uma alteração desse valor para números mais elevados, um aumento muito rápido entre duas medidas, ou até mesmo valores menores, porém em pacientes jovens e com próstata pequena pode ser indicativo de câncer. Uma biópsia por meio de ultrassonografia transretal confirma o diagnóstico.