Reforço com imunizantes diferentes é mais eficiente, diz estudo

Saúde

Reforço com imunizantes diferentes é mais eficiente, diz estudo

O ensaio foi feito com 458 voluntários, em dez lugares diferentes dos EUA e em duas fases de pesquisa clínica

Foto: Alexandre Souza / Folha Vitória

Um estudo feito por cientistas dos Estados Unidos mostrou que usar dose de reforço com imunizantes de farmacêuticas diferentes apresenta melhor resposta imune, se comparado com a dose extra do mesmo produto. A pesquisa foi publicada no site medRixv, e ainda precisa da validação de outros cientistas.

Eles pesquisaram a eficácia do reforço da imunização contra a covid-19 de forma homóloga (mesma vacina) e heterólogo (vacina diferente) dos três fármacos aplicados no país: Janssen, Pfizer e Moderna. 

O ensaio foi feito com 458 voluntários, em dez lugares diferentes dos EUA e em duas fases de pesquisa clínica. 

Todos os participantes receberam uma das três vacinas e não tinham sido infectados pelo SARS-CoV-2, pelo menos 12 semanas após a imunização completa. Desses, 154 pessoas receberam reforço da Moderna; 150, da Janssen; e 154, da Pfizer.

Os resultados

Os resultados primários, apresentados de 15 a 29 dias após a aplicação, indicaram que o reforço aumentou a produção de anticorpos neutralizantes de 4,2 a 76 vezes a mais, e a produção de anticorpos de ligação de 4,6 a 56 vezes a mais, com qualquer combinação de vacinas. 

Porém, com imunizantes iguais a produção de anticorpos de ligação cresceu de 4,2 a 20 vezes. Já, com doses diferentes, o aumento foi de 6,2 a 76 vezes mais eficaz.

Os anticorpos neutralizantes destroem o vírus. Os anticorpos de ligação se unem ao vírus, mas não o matam ou evitam a infecção. Em vez disso, alertam o sistema imunológico para presença da célula estranha os leucócitos são enviados para destruí-la.

O surgimento da variante Delta e a queda da imunidade após seis meses do esquema vacinal completo, levantou a questão sobre as doses de reforço para conter a pandemia. Na maioria dos países, elas estão autorizadas para idosos e imunodeprimidos.

No Brasil, o Ministério da Saúde indica que é a aplicação extra seja, preferencialmente, com a Pfizer, independentemente do produto usado anteriormente. Porém, a indicação do FDA (agência reguladora nos EUA) é que o reforço seja do mesmo laboratório.

Janssen

A vacina produzida pela Johnson & Johnson é a única aplicada em dose única. Porém, no fim de agosto, a farmacêutica apresentou um estudo indicando que a aplicação de uma segunda vacina resultou em níveis de anticorpos de ligação nove vezes superiores aos de níveis vistos 28 dias depois de as pessoas receberem a primeira dose.

Diante disso, a empresa pediu autorização na agência reguladora dos EUA para uso emergencial do reforço, em todas as pessoas acima dos 18 anos e que receberam a dose única. 

*Com informações do Portal R7