Tratamento contra o câncer de pulmão será cada vez mais personalizado, diz médico

Saúde

Tratamento contra o câncer de pulmão será cada vez mais personalizado, diz médico

Artigo científico do pesquisador Ramon Andrade de Mello traça perspectivas nos tratamentos futuros

Foto: Divulgação

Os tratamentos para o câncer de pulmão passam por importantes avanços e devem ser cada vez mais personalizados. Em artigo publicado pela revista científica indexada Journal of Clinical Medicine, o oncologista Ramon Andrade de Mello, aponta as perspectivas futuras para a doença.

“As terapias-alvo e a imunoterapia vêm se despontando como caminhos com melhores soluções para os pacientes diagnosticados com a doença”, analisa o pesquisador. Ele explica que as terapias-alvo atuam diretamente nas moléculas essenciais para o funcionamento das células cancerígenas, freando a sua expansão. Já a imunoterapia estimula as próprias células de defesa contra o câncer.

O câncer de pulmão é a neoplasia mais comum em todo o mundo, e 85% desses tumores são classificados como câncer de pulmão de células não pequenas. Um dos impactos da evolução do tratamento já se refletiu no aumento da taxa de sobrevida em 5 anos dos pacientes, que saltaram de 10,7% no início dos anos 1970 para 19,8% na década de 2010. “Para cada paciente é necessária uma avaliação especifica. Já contamos com medicamentos da quarta geração e as perspectivas são muito otimistas”, comemora Mello.

O professor alerta que a alta mortalidade desta doença é agravada pelo fato de que muitos tumores já estão avançados no momento de diagnóstico. Segundo ele, estudos encontraram a presença de metástases em órgãos distantes em 47,3% dos pacientes com o câncer de pulmão em seu diagnóstico inicial de câncer. “Essa situação pode dificultar muito o tratamento. Por isso, é fundamental exames regulares no grupo de risco”, destaca o oncologista.

O principal fator de risco para o desenvolvimento desse câncer é o tabagismo, responsável por pelo menos 80% de casos. Fumar continuamente pode aumentar o risco em até 50%. Já o tabagismo passivo aumenta os riscos em até 30%. O pesquisador aponta que a poluição e a exposição ocupacional a agentes cancerígenos também trazem perigos: “Além disso, estudos têm mostrado que ter um parente de primeiro grau com história de câncer de pulmão aumenta o risco de uma pessoa desenvolver esta doença em 50% e cerca de 8% de todos os casos ocorrem devido à predisposição genética”.