Mulher com TDAH
Imagem: Freepik

Nos últimos anos, o TDAH, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ganhou enorme visibilidade. Vídeos, postagens e testes rápidos na internet prometem revelar, em poucos minutos, se alguém “tem TDAH”.

Mas, na prática clínica, nem toda dificuldade de foco ou esquecimento é TDAH — e muitas vezes, o cérebro está apenas exausto.

O sono que não recupera

Dormir é um processo ativo, essencial para que o cérebro funcione bem. Durante o sono profundo, as conexões neurais se reorganizam, as memórias se consolidam e o cérebro elimina substâncias tóxicas que se acumulam ao longo do dia.

Quando não dormimos o suficiente — ou dormimos mal — o resultado é um cérebro “embolado”, com atenção dispersa, lentidão no raciocínio, irritabilidade e esquecimentos.
Esses sintomas se parecem muito com TDAH, mas na verdade refletem privação de sono e fadiga mental.

A apneia obstrutiva do sono

Um dos distúrbios do sono mais subestimados é a apneia obstrutiva do sono, que atinge tanto adultos quanto crianças. Ela ocorre quando, durante o sono, as vias aéreas se estreitam e o ar não consegue passar adequadamente.

O corpo reage com microdespertares repetidos — às vezes dezenas por hora — para “reiniciar” a respiração.

Esses episódios fragmentam o sono e reduzem o nível de oxigênio no sangue.
O resultado é um cérebro que passa a noite em modo de sobrevivência, e que, no dia seguinte, apresenta falta de atenção, sonolência, irritabilidade e queda de desempenho escolar ou profissional.

Muitos pacientes com apneia chegam ao consultório convencidos de que têm TDAH — quando, na verdade, precisam de uma avaliação do sono e tratamento respiratório, não de estimulantes cerebrais.

O cérebro sob efeito das telas

Vivemos imersos em estímulos digitais. O uso excessivo de telas, especialmente à noite, reduz a produção de melatonina (hormônio natural do sono) e mantém o cérebro em estado de alerta.

Além disso, a exposição constante a vídeos curtos, notificações e trocas rápidas de atenção cria um padrão de hiperestimulação.

Com o tempo, o cérebro se acostuma a pular de um estímulo para outro, e perde a capacidade de sustentar o foco por longos períodos — o oposto do que é necessário para estudar, ler ou trabalhar com concentração.

Essa “reprogramação da atenção” é um fenômeno real, mas não é TDAH.

Bruxismo: o reflexo de um cérebro tenso

A privação de sono e o estresse constante também se refletem no corpo.
O bruxismo noturno, por exemplo, é um movimento dos musculos da face que tem inumeras causas e uma delas pode estar relacionada ao estresse e ansiedade que o cérebro tenta liberar tensão durante o sono.

Além de desgastar os dentes, gerar tensões e dores musculares, esse hábito revela que o corpo não está entrando nas fases profundas e restauradoras do descanso.
Em outras palavras: o paciente dorme, mas não recupera energia.

Diagnóstico responsável: o papel do neurologista

O diagnóstico de TDAH é complexo e deve ser feito por um neurologista ou psiquiatra especializado, com testes padronizados, entrevistas clínicas e análise detalhada do histórico do paciente.

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Nenhum vídeo, questionário rápido ou sensação pessoal substitui esse processo.
Muitas vezes, o que parece TDAH é consequência de fatores externos: sono ruim, estresse, sobrecarga digital, má alimentação, sedentarismo ou apneia não diagnosticada.

A higiene do sono: um tratamento universal

Independentemente do diagnóstico, todos se beneficiam de uma boa higiene do sono.
Pequenas mudanças de hábito podem transformar a forma como o cérebro funciona:

  • Dormir e acordar em horários regulares;
  • Evitar telas e luzes fortes pelo menos 1 hora antes de deitar;
  • Reduzir o consumo de cafeína e álcool à noite;
  • Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
  • Procurar avaliação médica se houver ronco, pausas respiratórias ou bruxismo.

Com essas medidas, o cérebro volta a trabalhar em harmonia — melhora o foco, a memória e o humor, sem precisar de diagnósticos precipitados. Procure um ortodontista ou especialista em odontologia do sono para saber como você pode se beneficiar de praticas simples e extremamente restauradoras.

Dra. Daniela Feu

Cirurgiã-Dentista

Cirurgiã Dentista Graduada em Odontologia pela UFES. Especialista em Ortodontia pela UERJ. Mestre e Doutora em Ortodontista (UERJ). Diplomada pelo Board Brasileiro de Ortodontia (BBO). Diretora do Colégio de Diplomados do BBO. Editora associada da Revista Dental Press Journal of Orthodontics (DPJO) e editora da Revista Clinical Orthodontics. @dani_feu

Cirurgiã Dentista Graduada em Odontologia pela UFES. Especialista em Ortodontia pela UERJ. Mestre e Doutora em Ortodontista (UERJ). Diplomada pelo Board Brasileiro de Ortodontia (BBO). Diretora do Colégio de Diplomados do BBO. Editora associada da Revista Dental Press Journal of Orthodontics (DPJO) e editora da Revista Clinical Orthodontics. @dani_feu