Imagem: Freepik
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A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) costuma ser lembrada como uma condição que causa irregularidade menstrual, acne e aumento dos pelos. Mas há um aspecto pouco comentado — e fundamental para a saúde da mulher — que começa muito antes dos primeiros sintomas chamarem atenção: o impacto metabólico e cardiovascular ainda na adolescência.

Isso mesmo. O futuro da saúde do coração de muitas mulheres pode começar a ser moldado na adolescência, muito antes de qualquer preocupação com colesterol, pressão ou glicemia aparecer na rotina.

SOP: um distúrbio hormonal… e também metabólico

A SOP é uma condição que envolve alterações hormonais importantes, mas seu eixo central é a resistência insulínica — uma dificuldade do corpo em responder à insulina, hormônio responsável por controlar a glicose no sangue.

O que pouca gente sabe é que essa resistência pode surgir mesmo em adolescentes magras, sem sinais visíveis de sobrepeso.

Quando a insulina não funciona bem, o organismo compensa produzindo mais insulina, e isso desencadeia uma série de efeitos em cascata: aumento da produção de hormônios androgênicos (testosterona), acúmulo de gordura abdominal, alterações no ciclo menstrual e inflamação crônica de baixo grau.

O início silencioso de um risco cardiovascular

Essas mudanças metabólicas, que passam despercebidas aos olhos das famílias e até de alguns profissionais, podem marcar o início de um caminho que leva a:

  • Aumento do colesterol “ruim” (LDL)
  • Redução do colesterol “bom” HDL,
  • Elevação de triglicérides
  • Pressão arterial mais alta
  • Maior risco de desenvolver diabetes no futuro
  • Acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática).

Ou seja: antes dos 20 anos, algumas adolescentes já apresentam sinais de um risco cardiovascular que só será reconhecido décadas depois.

Á SOP não é um evento apenas ginecológico

A SOP não é apenas um evento ginecológico. Ela é um reflexo da saúde metabólica geral da adolescente.

A adolescência, por sua vez, é uma janela de oportunidade: quanto mais cedo identificamos e tratamos esse desequilíbrio, maiores são as chances de evitar doenças cardiovasculares na vida adulta.

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E estamos falando de condições graves, como infarto, AVC, hipertensão e diabetes tipo 2.
E o anticoncepcional? A escolha faz diferença.

Tratamento

A escolha do tratamento deve considerar não apenas os hormônios, mas também o coração.
Cuidar cedo para proteger sempre!

Quando orientamos uma adolescente com SOP a dormir melhor, se movimentar diariamente, cuidar da alimentação, tratar a resistência insulínica, encaminharmos ao ginecologista para controle dos sinais e sintomas clínicos evidentes, estamos também protegendo o coração dela para as próximas décadas.

Entender a SOP como um marcador precoce de risco cardiometabólico é um passo importante para cuidarmos melhor das futuras gerações.

Dra. Tatiane Mascarenhas Santiago Emerich

Clínica médica

Médica pela Escola de Medicina da Santa Casa de Vitória. Residência em Clínica médica pela Santa Casa de São Paulo. Residência em cardiologia e ecocardiografia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo. Titulo de especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Título em área de atuação em Ecocaridografia pelo Departamento de Imagem Cardiovascular - SBC. Presidente da SBC ES 2020/21. Caridologista e Ecocardiografista do Centrocor e CDC. @tatianeemerich

Médica pela Escola de Medicina da Santa Casa de Vitória. Residência em Clínica médica pela Santa Casa de São Paulo. Residência em cardiologia e ecocardiografia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo. Titulo de especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Título em área de atuação em Ecocaridografia pelo Departamento de Imagem Cardiovascular - SBC. Presidente da SBC ES 2020/21. Caridologista e Ecocardiografista do Centrocor e CDC. @tatianeemerich