
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) costuma ser lembrada como uma condição que causa irregularidade menstrual, acne e aumento dos pelos. Mas há um aspecto pouco comentado — e fundamental para a saúde da mulher — que começa muito antes dos primeiros sintomas chamarem atenção: o impacto metabólico e cardiovascular ainda na adolescência.
Isso mesmo. O futuro da saúde do coração de muitas mulheres pode começar a ser moldado na adolescência, muito antes de qualquer preocupação com colesterol, pressão ou glicemia aparecer na rotina.
SOP: um distúrbio hormonal… e também metabólico
A SOP é uma condição que envolve alterações hormonais importantes, mas seu eixo central é a resistência insulínica — uma dificuldade do corpo em responder à insulina, hormônio responsável por controlar a glicose no sangue.
O que pouca gente sabe é que essa resistência pode surgir mesmo em adolescentes magras, sem sinais visíveis de sobrepeso.
Quando a insulina não funciona bem, o organismo compensa produzindo mais insulina, e isso desencadeia uma série de efeitos em cascata: aumento da produção de hormônios androgênicos (testosterona), acúmulo de gordura abdominal, alterações no ciclo menstrual e inflamação crônica de baixo grau.
O início silencioso de um risco cardiovascular
Essas mudanças metabólicas, que passam despercebidas aos olhos das famílias e até de alguns profissionais, podem marcar o início de um caminho que leva a:
- Aumento do colesterol “ruim” (LDL)
- Redução do colesterol “bom” HDL,
- Elevação de triglicérides
- Pressão arterial mais alta
- Maior risco de desenvolver diabetes no futuro
- Acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática).
Ou seja: antes dos 20 anos, algumas adolescentes já apresentam sinais de um risco cardiovascular que só será reconhecido décadas depois.
Á SOP não é um evento apenas ginecológico
A SOP não é apenas um evento ginecológico. Ela é um reflexo da saúde metabólica geral da adolescente.
A adolescência, por sua vez, é uma janela de oportunidade: quanto mais cedo identificamos e tratamos esse desequilíbrio, maiores são as chances de evitar doenças cardiovasculares na vida adulta.
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E estamos falando de condições graves, como infarto, AVC, hipertensão e diabetes tipo 2.
E o anticoncepcional? A escolha faz diferença.
Tratamento
A escolha do tratamento deve considerar não apenas os hormônios, mas também o coração.
Cuidar cedo para proteger sempre!
Quando orientamos uma adolescente com SOP a dormir melhor, se movimentar diariamente, cuidar da alimentação, tratar a resistência insulínica, encaminharmos ao ginecologista para controle dos sinais e sintomas clínicos evidentes, estamos também protegendo o coração dela para as próximas décadas.
Entender a SOP como um marcador precoce de risco cardiometabólico é um passo importante para cuidarmos melhor das futuras gerações.