Foto: Divulgação
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Durante muito tempo, cozinhar foi visto apenas como uma atividade de bastidor. Algo necessário, funcional, quase invisível. Mas o cinema, e mais recentemente as séries, ajudaram a mudar essa percepção. A gastronomia saiu da cozinha e ganhou protagonismo, narrativa, conflito e emoção. Hoje, chefs viraram personagens centrais de histórias que falam sobre identidade, rebeldia, pertencimento e até poder.

O burburinho recente em torno de Carême – O Rebelde da Culinária reforça esse movimento. Sem entrar em spoilers, a obra reacende o interesse por uma figura histórica que ajudou a moldar a alta gastronomia francesa e simboliza algo maior: o cozinheiro como agente de mudança. A partir daí, fica impossível não perceber como a cozinha passou a ser retratada como um espaço de expressão pessoal, resistência e transformação social.

E isso não acontece por acaso. Comer é um ato cultural. Cozinhar, mais ainda. Quando o cinema escolhe a gastronomia como tema, ele não está falando apenas de receitas, mas de pessoas, sonhos, fracassos, obsessões e paixões. É sobre o que somos quando estamos à mesa e também quando estamos atrás do fogão.

Para quem gosta desse universo (e para quem quer enxergar a comida além do prato), deixo aqui algumas produções imperdíveis que mostram como cozinhar pode ser, sim, um ato de rebeldia.

Filmes e séries gastronômicas que valem o play

Carême – O Rebelde da Culinária
Uma obra que resgata a figura de um dos pais da gastronomia moderna e mostra como a cozinha também pode dialogar com poder, época e ruptura de padrões. Atual, elegante e provocadora.

Julie & Julia
Mais do que um filme sobre receitas, é uma história sobre transformação pessoal. A cozinha como refúgio, desafio e ponte entre gerações. Um lembrete de que cozinhar pode mudar destinos.

Ratatouille
Um clássico que nunca envelhece. Por trás da animação, uma das mensagens mais bonitas sobre talento, preconceito e pertencimento. Afinal, grandes cozinheiros podem surgir de onde menos se espera.

Chef
Um filme leve, afetivo e extremamente atual. Fala sobre recomeço, identidade e liberdade criativa. Aqui, a cozinha deixa de ser prisão e volta a ser prazer, afeto e conexão, inclusive familiar.

Burnt
Talvez o retrato mais cru do universo da alta gastronomia. Pressão, ego, obsessão por perfeição e a busca incansável por reconhecimento. Um filme que mostra que cozinhar também pode ser conflito, queda e reconstrução.

No fim das contas, essas produções nos lembram de algo essencial: cozinhar não é apenas alimentar o corpo, é alimentar histórias. É memória, afeto, cultura e, muitas vezes, coragem de fazer diferente.

Neste fim de ano, entre uma ceia e outra, talvez valha a pena olhar para a gastronomia com outros olhos, seja no prato, na tela ou na vida. Porque, quando bem contada, toda boa história começa na cozinha.

E você, já tinha parado para pensar na comida como um ato de rebeldia?

Alessandro Eller

Colunista

Chef de cozinha, apresentador do reality show "Chef de Família" da TV Vitória/Record TV. É presidente do Instituto Panela de Barro e professor de Gastronomia na Universidade de Vila Velha

Chef de cozinha, apresentador do reality show "Chef de Família" da TV Vitória/Record TV. É presidente do Instituto Panela de Barro e professor de Gastronomia na Universidade de Vila Velha